sábado, 8 de março de 2008
Retrato 08.03.2008
Um estranho silêncio
Introspecção acompanhada de reflexão
Não hesito, prossigo
Sinto
O momento é oportuno
A situação difícil,
Porém favorável
Acredito
Paz que me surpreende
Alegria contida
Afeição intocável
Serenidade
Certo dia não mais temerei
O novo romperá
Como a luz da aurora
Resplandecerá
segunda-feira, 3 de março de 2008
Retrato 00.30
Atônito ouço sua voz
Trêmula, confunde-me
Tudo é real
Sinto profundamente
Lamento
Não desisto
Mas dilacerado prossigo
Ainda confio
Por que?
Não sei. Amo.
Morte. Perdi muito.
O ano que seria fantástico
A cada mês revela seu drama
Será que vou permanecer prostrado?
Não encontro luz
Cristo parece observar
Será apenas um drama?
A minha vida não permite peça
Arte ela desconhece
Sou mesmo um peregrino
Salvação, minha companheira
Convidei a Fé
Para esta ceia
Nos serviremos de Graça
Pois a misericórdia forra a mesa
RETRATO 02.03.2008
O coração acelerado faz companhia as minhas pernas bambas
A vida me surpreende
Percebo que vive alheio a realidade
Sou menino
Não percebo nada
Olho para dentro e sinto falta
Faltam pedaços e os retalhos
Insuficientes são para cobrir minha nudez
Humilhado, choro
Não me canso
Os olhos vermelhos tornaram-se amigos
Vaidade não existe
Orgulho não serve mais
Insegurança e medo vêem me assaltar
A paz dissipa num céu carregado de nuvens
O meu sono desaparece
Sobra a dor
Meu pão é amargo
Sinto a fúria do Diabo
O olhar é baixo
O medo me paralisa
Não penso, sofro calado
O conto acabou
domingo, 16 de dezembro de 2007
Sugestão de livros
Confesso que cada um desses livros têm me ajudado a manter a lucidez durante este período de histeria da igreja evangélica brasileira.
Verdadeira espiritualidade.
SCHAEFFER, F. A. 1 ed. Cambuci – SP: Cultura Cristã, 222 p.,1999.
Espiritualidade a partir de si mesmo.
GRUN, A; DUFNER, M. 4 ed. Vozes, 128 p., 2004.
O escândalo do comportamento evangélico.
SIDER, R. J. 1 ed. Viçosa: Ultimato, 142 p., 2006.
O meu calice transborda – a graça surpreendente.
PARANAGUÁ, G. F. Londrina: Ide, 93 p., 2006.
Os outros seis dias – vocação, trabalho e ministério na perspectiva Bíblica.
STEVENS, R. P. Viçosa: Ultimato, 270 p., 2005.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Espero te decepcionar, ó homem 21!
Em tempos de mudança, é comum me sobrevir a perplexidade
Turbilhões de pensamentos e imagens me saturam
A mente divaga e uma pergunta soa e ressoa em mim:
- Qual o sentido da vida?
Se o pregador diz que tudo nessa vida é vaidade
Se tudo passa
Só me resta focar no eterno
O problema é que sou homem
Essa verdade traz uma mensagem embutida
Sou fraco, repleto de inconstância
Logo, se como pra viver, e trabalho pra comer
Por que eu vivo?
A morte procura me enlouquecer com a efemeridade da vida
Assim concluo, minha vida tem que ser intensa
Ser intenso na minha geração é correr e fazer
Mas minha alma cristã não condiz com o status quo
Mais importante do que fazer é como fazer
Ser continua a melhor opção entre ter ou parecer
Aiaiai! Os padrões de Deus não fecham com este século
Eu terei que decepcionar alguém
Por isso fico contrito e rogo:
Senhor, que eu venha desapontar a minha geração!
terça-feira, 22 de maio de 2007
Interessante
Foi uma verdadeira misericórdia Deus não ter ouvido a minha oração.
Quando as águas se esparramam demais, não são profundas.
Estou decidido a ser um cristão bíblico completo. Há alguém disposto a seguir-me nesse caminho?
Nossas doutrinas principais são: arrependimento, fé e santidade. Consideramos a primeira o pórtico da religião, a segunda a porta e a terceira a religião em si mesma.
O melhor de tudo é que Deus está conosco.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Santidade de vida

Falam bastante e muito bem contra a esperança de ser aceito por Deus via as boas obras, para logo ensinar que somos aceitos por nossos hábitos e comportamentos virtuosos. Eles supõem que seremos justificados por causa de nossa justiça interior. Não é verdade. A santidade do coração, assim como a santidade de vida, não é causa mais efeito dela. A única causa de nossa aceitação diante de Deus é a justiça e a morte de Cristo, que cumpriu a Lei de Deus e morreu em nosso lugar. A causa de nossa aceitação não é a santidade de vida e as boas obras, mas unicamente a fé. A fé que produz necessariamente santidade e boas obras.
John Wesley
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Milagres e sinais
Será que eles só sentem falta disto na igreja protestante?
Prefiro ficar com as palavras de Jesus a Tomé, quer dizer, a nós: Bem aventurados os que não viram e creram.
Ou então, as de Paulo: Os judeus pedem sinais miraculosos e o gregos procuram sabedoria, mas nós pregamos a Cristo crucificado; escândalo para o judeus e loucura para os gentios, mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus mais forte que a força do homem.
Pequenos paradoxos que hão de acompanhar aqueles que creêm
A deliciosa surpresa de encontrar Cristo na minha fraqueza
A beleza na minha desventura que reflete esperança
A graça superabundante no meu sofrimento
A vida que começa na morte
LEMBRANÇAS
Lembro-me de EsaúAquele que se vendeu
O direito de primogenitura
Pela bagatela de um prato de lentilha
Lembro-me da mulher de Ló
Aquela que olhou pra traz
E virou estátua de sal
Por amor a Sodoma e Gomorra
Lembro-me de Saul
O primeiro rei de Israel
Preocupava-se tanto com sacrifício
Que esqueceu da obediência
Lembro-me de Ananias e Safira
Aparência de piedade
Mas o Deus que sonda os corações
Encontrou a real intensão deles
Lembro-me de Simão, o mago
Até hoje referência de simonia
Aqueles que compram
Ou pensam comercializar o dom do Espírito
Vejo aqueles que se dizem cristãos
Abrindo mão da filiação
Amando o mundo
Sacrificando e barganhando
Tão longe, tão distante
A Bíblia parece um código penal
Procurando maneiras de burlar,
reivindicar e sentenciar
Perdemos nossos mártires
Nossos heróis se foram
E a nuvem de testemunhas
Hoje parece tão distante e pequena
“Que pelo menos seja como àquela vista por Elias”
Vocês já não são estrangeiros,
nem forasteiros,
mas membros da família de Deus.
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos
tendo Jesus Cristo como pedra angular,
no qual todo o edifício é ajustado
para tornar-se um santuário santo no Senhor,
e morada de Deus por seu Espírito.
(Efésios 2:19-22)
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Aparência de bondade
Vejo conflitos na minha fé.
Há inconsistência da sua expressão nos meus membros.
A sempre tão presente hipocrisia,
altiva, parece anular meus esforços.
O orgulho, ao invés de estar mortificado com a caminhada da fé,
aparece de maneira surpreendente mais pomposo e senhor de meu ego.
O aparente progresso tem gosto de retrocesso,
minhas passadas ainda estão aquém do esperado.
A igreja não ajuda, apenas alimenta meus sentimentos pecaminosos.
A cada reunião sinto fortalecer meu anseio por sucesso, glória, riqueza, poder, domínio, ou como queiram alguns, pela prosperidade.
As palavras de Jesus parecem murchas.
Aquele que odiar sua vida, a achará... Tome sua cruz e siga-me... Não andeis ansiosos por causa alguma... Não ameis o mundo... Bem aventurados os que choram, os pacificadores, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os puros de coração, os perseguidos por causa da justiça... No mundo terei aflições... Arrependei-vos... O reino de Deus está próximo... Novos céus e nova terra...
Meus ouvidos coçam por palavras como bênção, milagre, vitória, líder, ungido, poder.
Ao meu redor todos parecem com o mesmo ânimo.
A multidão não está sedenta por Cristo, mas por prazer... O hedonismo está presente na igreja.
Sofro, pois ao meu redor, em companhia dos irmãos, meus pecados são consolados e sinto-me revigorado para cometê-los novamente.
Mas Cristo fala de uma Igreja sem mácula. A invisível. Confesso que o motivo de ainda lutar é por sonhar fazer parte deste povo, pois o daqui já era.
Por isso insisto na leitura, interpretação e aplicação das Escrituras. O poder que ressuscitou Cristo a de transformar essa minha maldade, há de trazer graça a minha miséria e me libertar dessa imundícia.
Maranatha vem Senhor Jesus!
domingo, 1 de abril de 2007
Alegrai-vos! Outra vez vos digo, alegrai-vos!
Quem disse isso não estava comemorando uma promoção, muito menos um casamento e longe de alcançar qualquer sucesso. O apóstolo Paulo exorta os crentes de Filipos a se alegrarem, não porque tudo vai bem, mas pelo fato de hoje serem propriedade exclusiva do Senhor.
Paulo relembra do privilégio de poder padecer por Cristo, privilégio porque nem todos gozam dessa dádiva. E esse paradoxo há de acompanhar toda carta, alegria no sofrimento.
A palavra alegria (Karia) há de aparecer 15 vezes em apenas 4 capítulos da epístola de Filipenses, ou 104 versículos como queiram outros. A média é de a cada 7 versículos, uma vez aparece a palavra alegria. A alegria é um anseio, um desejo, uma ordem, uma dádiva para aqueles que esperam reinar com Cristo.
O que me estranha não é apenas a repetição e a ênfase na alegria, mas a situação que o apóstolo vivia. Paulo estava preso por pregar o Evangelho, mas seu sofrimento não parava aí - apedrejado, açoitado quarenta vezes menos um, naufrágio, fome, nudez, escárnio, ou como ele próprio referiu a si mesmo, considerado o lixo do mundo - Por que tanta alegria?
Parece difícil a resposta. Segue algumas convicções de Paulo que nos ajudam a entender ou pelo menos vislumbrar uma resposta.
“Com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida, quer pela morte; porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.”
“Não importa o que aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo, permanecem firmes num só espírito, lutando unânimes pela fé evangélica, sem de forma alguma se deixar intimidar por aqueles que se opõem a vocês. Para eles isso é sinal de destruição, mas para vocês, de salvação, e isso da parte de Deus; pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele.”
“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus”
“Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé. Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos.”
“Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.”
“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Ponha em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim.”
“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.”
quinta-feira, 1 de março de 2007
Loucura da pregação
Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.
I Co 1:18.
Se as palavras de Jesus já soavam estranhas para o mundo 2000 anos atrás, por que seria diferente hoje? Isso só provaria que a humanidade evoluiu. Que com o desenvolvimento da tecnologia trouxe além de conforto e longevidade de vida, esperança ao homem. Que com o acúmulo de conhecimento e a multiplicação de doutores, mestres, padres e pastores, o amor ao próximo brotou em nossos corações. Que com a democracia irrompendo contra a tirania, ainda que tenha que se valer da força, a justiça raiou soberana e imponente. Que em meio ao sistema financeiro regente, o capitalismo domesticado, a paz triunfou. Que Cristo finalmente reina no coração do mundo, pois esse foi o lema da igreja visível em seus milhares de anos de existência – ganhar o mundo.
Não, nada mudou, com exceção do cenário. Continuamos na mesma, patinando e atolados numa poça de pecados. A bestialidade toma conta de todos. O amor se esfria, como previsto por Cristo. E a fé, pois bem, dela eu pretendo nem discutir, pois a definição de seu conceito contemporâneo ainda é bastante nebulosa. O ego, esse sim, esse se desenvolveu, hoje é conhecido como HIPEREGO.
Antes das bem-aventuranças, proferidas no famoso Sermão do Monte, Jesus era conhecido apenas por realizar milagres, pregar uma tal de Boas Novas do Reino e por fazer curtas pregações – Arrependei-vos! Crede! Sigam-me! Jesus era uma aberração não apenas para os pagãos, mas também para os religiosos tementes a Deus.
As oito bem-aventuranças ensinadas provavelmente foi o atestado de insanidade de Jesus, tanto que depois delas, poucos o levaram a sério, assim como acontece hoje. Conhecido como o evangelho da contra-cultura, o Sermão do Monte é ousado desde o início. Cristo afirma que os pobres, os que choram, os humildes, os que anseiam por justiça, os misericordiosos, os puros, os pacificadores e os perseguidos são felizes. O Messias felicita aqueles que estão à margem da sociedade.
Dúvidas:
- Por que temos que tornar a mensagem do evangelho atraente?
- Por que precisamos explicar todas as descobertas da ciência e provar que a Bíblia está certa?
- Por que temos que fingir ser bem sucedido, prósperos e alegres?
- Qual a diferença entre pregar o evangelho e fazer prosélitos? O que os jesuítas fizeram na América Latina? O que Jesus nos mandou fazer?
sábado, 17 de fevereiro de 2007
O discurso dos apóstolos
O capítulo treze do livro de Atos dos Apóstolos narra o início da missão de Paulo e Barnabé. Os dois aparecerão juntos por muitos capítulos, assim como nos capítulos anteriores havíamos nos acostumados com outra dupla, Pedro e João.
Pedro e Paulo destacam-se por serem os responsáveis pelos discursos, mas não por importância, uma vez que o apóstolo amado era João e o tutor de Paulo, que no judaísmo era Gamaliel, agora era o encorajador Barnabé. Mas não vem ao caso discutirmos a importância dos apóstolos e sim a mensagem que ressoa por todas as páginas deste sublime livro.
Muitos menosprezam os ensinos de Atos e atentam apenas para as manifestações sobrenaturais descritas no livro. Digo apenas, pois os milagres ausentes da proclamação do evangelho não significam nada. Não há narração de milagre ocorrendo por mera vontade e deleite dos apóstolos. Pelo contrário, a cena é aterrorizante, dos apóstolos apenas João não será martirizado, mas não obstante foi açoitado algumas vezes e passou a velhice exilado na ilha de Patmos. A abnegação é a palavra que melhor descreve a condição de servo desses homens, paradoxalmente livres em Jesus.
A missão desses homens não era construir edifício, muito menos formar um grupo de louvor, ou ainda ater-se a algum projeto de crescimento da membresia de suas comunidades. A obra para a qual eles haviam sido chamados e se empenhavam por cumpri-la era tão somente testemunhar a cerca de Jesus.
O problema é que corrompemos a palavra testemunha e hoje a confundimos com simpatizantes. O simpatizante busca a era dos milagres embora não haja compromisso algum com o Operador do milagre. O simpatizante busca o milagre para seu próprio prazer. O simpatizante transmite aquilo que acha interessante e o que agrada aos ouvintes. O simpatizante descreve um modelo de vida cristão no qual Jesus está ausente. O simpatizante não consegue amar ao próximo, mas antes arde em ciúmes. O simpatizante não consegue desenvolver uma cosmovisão cristã e acabar por segmentar sua vida em sagrado e secular, vivendo uma eterna dicotomia infeliz. O simpatizante é mentiroso. O simpatizante não é filho.
Portanto, meus irmãos, quero que saibam que mediante Jesus lhes é proclamado o perdão dos pecados. Por meio dele, todo aquele que crê é justificado de todas as coisas das quais não podiam ser justificados pela Lei de Moisés. Cuidem para que não lhes aconteça o que disseram os profetas: " 'Olhem, escarnecedores, admirem-se e pereçam; pois nos dias de vocês farei algo que vocês jamais creriam se alguém lhes contasse! Atos 13:38-42.
O apelo de Paulo é para voltarmos a Jesus e deixar de lado todo modismo, pois não iremos encontrar libertação dos pecados em outra fonte, nossa dignidade vem Dele somente. Voltemos a viver e a pregar O Evangelho e não um evangelho segundo os evangélicos. Que a graça do Senhor esteja sobre a Igreja!
O SABER
SABER POR SABER É VAIDADE
SABER PARA DEMOSNTRAR É ARROGÂNCIA
SABER PARA COMPETIR É PREPOTÊNCIA
SABER PARA AMAR E SERVIR É VIRTUDE
SALVOS PELA GRAÇA
Discurso de Pedro no concílio de Jerusalém (Atos 15).
O livro de Atos dos Apóstolos contém 28 capítulos, e exatamente o primeiro capítulo da segunda metade da carta trata exatamente da centralidade da fé cristã, e de uma vez por todas há uma ruptura na observação da lei mosaica pelos seguidores de Jesus Cristo.
Após a ressurreição e a ascensão de Jesus, os apóstolos cheios do Espírito de Deus espalham a mensagem do evangelho em Jerusalém, mas por não cumprirem Atos 1:8, Atos 8:1 se cumpre no meio da Igreja e as boas novas começam a alcançar os gentios. Muitos gregos, romanos e bárbaros se convertem ao evangelho, e conseqüentemente surge um dilema no meio da Igreja – Devem os gentios convertidos observarem a lei de Moisés?
O capítulo quinze deste livro relata o extraordinário concílio de Jerusalém, convocado devido à austeridade com que alguns cristãos judeus exortavam os gentios a se circuncidarem e observarem a lei de Moisés, sem a qual não haveria salvação. Paulo e Barnabé em grande contenda com esses que profanavam o evangelho de Jesus são chamados à Jerusalém. Em meio a muito fervor nas discussões, Pedro toma a palavra e faz um breve discurso que viria a por fim a essa disputa - Cremos que somos salvos pela graça de nosso Senhor Jesus!
Pedro e Paulo haviam concluído que a Lei era um jugo impossível de ser suportado, e que se ela fosse relevante para a salvação do homem o sacrifício de Cristo havia sido inútil. Jesus nos lembra que Ele cumpriu as exigências da Lei e por isso convida todos que estão cansados e sobrecarregados (pela Lei) a tomar seu jugo e fardo, pois são suave e leve, ao contrário da Lei (Mt 11:28-30).
Infelizmente, após 2000 anos de cristianismo continuamos a presenciar o mesmo embate, homens inescrupulosos que se valem da lei para aprisionar e subjugar os cristãos, apresentando um estereotipo de santidade que em nada difere do moralismo, e por fim anulam a graça de Jesus. A liberdade cristã é convertida em escravidão religiosa, vivemos atemorizados em nossas cavernas, doentes e isolados do mundo.
Uma pequena reflexão nos levará a constatar que todo nosso sistema eclesiástico está fundamentado numa estrutura semelhante a sacerdotal do Velho Testamento e que inúmeras ordenanças da lei de Moisés estão presentes em nossa comunidade, e sem suporte algum no Novo Testamento.
Disse Jesus, "ai de vocês também!, porque sobrecarregam os homens com fardos que dificilmente eles podem carregar, e vocês mesmos não levantam nem um dedo para ajudá-los (Lc 11:46).
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Aquele que tem ouvidos ouça...
Apocalipse 3:14-22
O livro de apocalipse escrito pelo apóstolo João é provavelmente o mais difícil de se interpretar, e paradoxalmente o mais aterrorizante e esperançoso livro da Bíblia. “Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo” Ap 1:3. A felicidade acompanhará aquele que não é apenas ouvinte mas também praticante, aquele que é sábio e constrói sua casa sobre a rocha, aquele que não engana a si mesmo (Tg 1:22, Mt 7:24-27). Conseqüentemente, o pavor há de acompanhar aqueles que lêem as palavras desta profecia e a ignoram.
Reconheço minha dificuldade para interpretar as profecias de apocalipse e meu total desinteresse em desvendar todos os mistérios envoltos nas imagens presentes ao longo da narração; entretanto, meu interesse pela leitura e entendimento da mensagem central dessas profecias é inversamente proporcional, as sentenças de Jesus me atraem e soa como um refrigério para minha alma, e acredito que para todo cristão genuíno ocorre o mesmo sentimento ante essas revelações do Cristo glorificado.
A carta à igreja de Laodicéia muito me chama atenção. E não é pra menos, uma vez que Cristo desenha uma cena na qual ele bate a porta da igreja para que possa entrar e ceiar com seus supostos seguidores. Àquele que deve ser cultuado está fora da assembléia! Duas imagens me vêem a mente, a degringolada igreja de Laodicéia do final do século I à qual as profecias foram proferidas, e em segundo plano, mas não obstante, a igreja cristã atual que está às vésperas da volta de Cristo.
Um olhar sensato e desprovido de ufanismo nos levará a um diagnóstico rápido e certeiro, essa confusão que encontramos e que muitos denominam como cristianismo descreve perfeitamente a religiosidade humana, entretanto parte nenhuma tem com a Igreja, o Corpo de Cristo. Não há mais intensidade em nossos relacionamentos, somos superficiais e relapsos no trato com o próximo, quanto mais em relação ao Senhor, a quem não vemos. Somos mornos e estamos a ponto de sermos vomitados da boca do Senhor e pronto para ser pisado pelos homens (Mt 5:13).
A Palavra do Senhor há muito já foi substituída por livros de auto-ajuda, a fé que professamos é oriunda de uma teologia triunfalista que procura trazer o céu para a terra e não espera mais por novos céus e nova terra (ap 21:1), exigimos a prosperidade ainda que para sustentá-la tenhamos que sacrificar o evangelho de Jesus, o hedonismo reina em nossas comunidades e o individualismo é a marca das bestas. Julgamos estar rico, mas a pobreza e a nudez nos assolam.
O Senhor Jesus está à porta e nos chama. Não sejamos duros de coração. Que haja sensatez, e assim reconheçamos que estamos desprovidos de salvação, graça, amor e do próprio Cristo. Que o bom juízo nos leve ao reconhecimento de nossa fraqueza, a compreensão da suficiência na graça de Jesus e não em nossa religiosidade.
sábado, 13 de janeiro de 2007
Autenticidade
Pensar em autenticidade é tão complicado quanto enxergá-la
Em dias que a imagem é tão marcante
E o ter o mais importante
Ser já não é relevante
Verdadeiro
Real
Genuíno
Aquilo que se outorga fé
Autor a quem se atribui
Não é fácil
A confusão entre autor e ator vai além do u em questão
Não é apenas uma redução
É uma atuação
Para uma aquisição ou manutenção
Sempre vem a autenticação
Porém é apenas uma negociação
Só aí a enxergamos
Talvez a explicação mais plausível não seja a corrupção
Quem sabe em primeiro venha à desvalorização
Não da moeda, mas do homem
Atrevo me a ir além
A origem desse caos moral
Talvez seja nosso ancestral
Para muitos o macaco, para outros Adão
O fato é – esquecemos do Criador
Como pensar no autêntico longe de sua origem?
Assimilando o pensamento de Schaeffer
Esse é o espírito do anticristo – sua mensagem
Deturpam-se as palavras de Cristo
Calam-se os HAJAS de Gênesis
Exalta-se o acaso, a sorte, a superstição, o sucesso, a vitória, a imagem...
Tudo em detrimento da Verdade
A vaidade reina soberba
O hedonismo é o timão
A que atribuiremos a âncora?
É óbvio que estamos na contra-mão
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
ENTREM PELA PORTA ESTREITA

Jesus Cristo (Mateus 7:13-14)
O final do Sermão do Monte é bastante interessante, a partir da metade do capítulo 7, Jesus conta 3 parábolas para ratificar os ensinamentos anteriores, dentre essas, encontramos a curta parábola acima que em apenas 2 versículos nos adverte aos perigos de uma vida displicente e indiferente aos ensinamentos de Cristo.
Lembremos as primeiras pregações de Jesus, cuja temática era: Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo (Mt. 4:17). Agora como desfecho, Cristo diz não ser fácil entrar no Reino, pois o arrependimento pregado por Ele é o estado da alma do pecador que o leva há uma mudança de vida, conhecida como o novo nascimento, uma obra espiritual, divina, com conseqüências visíveis e palpáveis no cotidiano do pecador arrependido.
Essa conversão, descrita pelo apóstolo Paulo tem dois aspectos, o divino e o humano. No aspecto divino ele diz na carta ao seu discípulo Tito: Mas quando, da parte de Deus, nosso Salvador, se manifestaram a bondade e o amor pelos homens, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador (Tt 3:4-7). Ou seja, Deus na sua multiforme graça, exerceu misericórdia sobre o homem, atraindo-o a Si mesmo através da obra de Jesus, convertendo nosso coração. Por outro lado, Paulo afirma na sua carta aos romanos: Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:1-2). Ao mesmo tempo em que a obra é divina, somos exortados a uma vida piedosa, não se deixando embaraçar pelos prazeres desse mundo e muito menos a se conformar com este século, no qual o seu príncipe tem cegado a muitos e os levado a uma disposição mental reprovável. Por isso irmãos, acheguemo-nos a Deus, desprovidos de toda auto-suficiente, com coração sincero e humilde, oferecendo-nos como sacrifício a Deus.
Infelizmente, o cristianismo hoje em voga, não é o verdadeiro, mas um falso, promovido pelo espírito do anticristo. Aprendemos que todo caminho leva a Deus, e que a voz do povo é a voz de Deus. Mentira! Anulam as palavras de Jesus – Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vêm ao Pai senão por mim (Jô. 14:6); Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! ( Mt. 7:14). A situação da igreja evangélica também não é nada animadora, prega-se prosperidade, triunfo, glória, poder, cura, vitória, alegria, paz... fazendo de Cristo uma mera força positiva, ou um santo superior, ou ainda o Papai Noel de todos os dias.
Gostaria de trazer a nossa memória duas admoestações, a primeira do profeta Oséias: Semeiem a retidão para si, colham o fruto da lealdade, e façam sulcos no seu solo não arado; pois é hora de buscar o SENHOR, até que ele venha e faça chover justiça sobre vocês (Os 10:12). A próxima é do profeta Isaías: Busquem o SENHOR enquanto é possível achá-lo; clamem por ele enquanto está perto (Is. 53:6). Amoleçam o coração, não se esqueçam de que nossa vida é curta e que o dia do Senhor se aproxima!
Na epístola de Judas, encontramos um apelo ao Jesus glorificado, a fim de que sejamos encontrados fiéis, e esse clamor que encerra a epístola cabe perfeitamente ao encerramento dessa meditação: Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém.


