segunda-feira, 28 de março de 2011

O encontro do jovem rico com Jesus - parte I

E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.
Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.
E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.
Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.
Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo?
Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna. Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.


Para refletirmos sobre esse encontro histórico, registrado por 3 evangelistas (Mateus 19:16-30, Marcos e Lucas 18:24-30), eu gostaria de convidá-los a olhar individualmente para os 3 personagens dessa história. E para facilitar a leitura, cada postagem abordará um dos personagens.

O Jovem rico. 
A narrativa que acabamos de ler nos diz que um homem se aproximou correndo diante de Jesus e se ajoelhou diante dele. O texto pouco nos diz sobre ele, a não ser que era dono de muitas propriedades. Na narração de Lucas (18:18) percebemos que ele era um homem importante, e no evangelho de Mateus que este homem era jovem e rico (19:20,22).

Não era uma situação comum um homem se prostrar diante de um rabino (ou mestre), muito menos usar a palavra bom para se referir a alguém, este era um atributo reservado a Deus e não aos homens, e qualquer sujeito com instrução na cultura judaica saberia disso. Apesar de já ter ouvido a fama de Jesus, suas obras, poder e autoridade com que as executavam, muito nos estranha o fato deste homem agir dessa forma, ainda mais sendo alguém importante, nobre em Israel. Isto nos dá indício de que algo perturbava sua alma.

Numa cena anterior, Jesus disse: ‘quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele’ (10:15). Com certeza este homem ouviu essas palavras de Jesus e é provável que sua alma se angustiasse com as incertezas que possuía sobre o reino de Deus. O que fazer para possuir a vida eterna? Como entrar neste reino?

Ao ouvir Jesus respondendo sua pergunta com os mandamentos, e todos relacionados ao trato com o próximo, o homem de prontidão responde que há muito tempo os conhecia e observava. Assim como sua aproximação de Jesus revelava certa afobação, um ato não muito refletido, sua resposta seguiu o mesmo caminho. Eu já conheço tudo isso Jesus e me exercito constantemente para cumpri-lo. O que mais me falta? Eu vou herdar o reino de Deus ou falta realizar alguma coisa para possuí-lo?

Ao responder a pergunta que estava no seu coração, pela segunda vez, Jesus revelou ao jovem que pouco ele conhecia sobre si mesmo. Ele não cumpria todos os mandamentos. Havia algo que ele achava possuir, mas que na verdade possuía sua alma. Ao tomar conhecimento desta verdade, e se deparar escravo das riquezas, adorador de Mamon, idólatra, dando falso testemunho e com um coração cheio de cobiça, o homem percebeu o quanto estava enganado acerca de si. O seu pecado estava oculto a si mesmo, mas agora fora posto a luz diante do bom mestre.
 “Diante de ti puseste as nossas iniqüidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos (Sl 90:8).” 
Toda vez que nos achegarmos com honestidade diante de Jesus iremos reconhecer o nosso estado real. Nossas misérias serão expostas, pois a luz resplandece sobre as trevas. A escuridão de nossa alma é facilmente desvendada por Jesus, nossa moralidade falida não pode enganá-Lo, pois Seus olhos penetram no nosso íntimo e são hábeis para discernir os intentos do nosso coração.

A narração nos leva a concluir uma tragédia. O jovem que pela sua posição não tinha o hábito de ser contrariado, saiu triste e cabisbaixo. Atrás de aprovação recebeu em troca um convite ao arrependimento, a oportunidade de verdadeiramente ser livre. Porém ele não correu para se ajoelhar novamente diante de Jesus, agora sim de forma conscientemente. O jovem amou mais as riquezas deste mundo, onde a traça e a ferrugem a corroem (Mt 6:19-20). Ele endureceu o seu coração e não deu ouvido a voz de Jesus, persistiu na idolatria, a substituir o verdadeiro Deus pela ilusão das riquezas.
 Irmãos, hoje, se ouvirdes a voz de Jesus, não endureçais o vosso coração (Hb 3:15 ).

segunda-feira, 21 de março de 2011

O exemplo de José frente a tentatção

José era atraente e de boa aparência, e, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou: "Venha, deite-se comigo! "
Mas ele se recusou e lhe disse: "Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.
Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?"
As tentações e provações fazem parte da vida cristã. A Bíblia diz que as tentações são resultados das concupiscências dos nossos olhos, dos nossos desejos por algo que não seja correto. Já as provações são decorrentes de situações adversas que nos alcançam, e dependendo da firmeza da nossa fé iremos enfrentá-las com sobriedade resistindo o mal e o sofrimento. O Cristão precisará encarar essas situações com certa freqüência durante a sua vida.

O livro de Tiago nos dá uma dica de como enfrentar o mal. Ele nos encoraja a resistir o diabo de frente, a resistir o mal. Porém resistir algo não significa ficar parado encarando tal coisa, ainda mais quando o assunto é a tentação, a recomendação é que nos comportemos como José, fugindo dela.

Existe mais um conselho bíblico que está diretamente relacionado com a nossa reflexão, e ele diz respeito ao exercício do autoconhecimento. Precisamos desenvolver uma consciência correta daquilo que somos, (Rm 12:3) sem cair no orgulho, e muito menos na autopiedade. De um lado é preciso ter o conhecimento de que nenhuma tentação nos sobrevirá que estará além das nossas forças, e por outro lado, aquele que está em pé deve tomar cuidado para não cair (I Co 10).

segunda-feira, 14 de março de 2011

Sabedoria para viver bem

“Senhor, tu és o nosso refúgio, sempre, de geração em geração.
Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus.
Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: "Retornem ao pó, seres humanos! "
De fato, mil anos para ti são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite.
Como uma correnteza, tu arrastas os homens; são breves como o sono; são como a relva que brota ao amanhecer; germina e brota pela manhã, mas, à tarde, murcha e seca.
Somos consumidos pela tua ira e aterrorizados pelo teu furor.
Conheces as nossas iniqüidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença.
Todos os nossos dias passam debaixo do teu furor; vão-se como um murmúrio.
Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!
Quem conhece o poder da tua ira? Pois o teu furor é tão grande como o temor que te é devido.
Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.
Volta-te, Senhor! Até quando será assim? Tem compaixão dos teus servos!
Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes.
Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos.
Sejam manifestos os teus feitos aos teus servos, e aos filhos deles o teu esplendor!
Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos!” Salmo 90
A autoria do Salmo 90 é atribuída a Moisés. Esta oração de Moisés tem como objetivo alcançar um coração sábio e aprender a viver com qualidade. Uma vida que não se restringe ao momento presente, mas carrega em si a expectativa de uma condição de vida que também se estenderá para o futuro.
O Salmo 90 tem muito a nos ensinar sobre como alcançar a sabedoria para viver bem. Algumas deduções possíveis a respeito do texto:
  1. Existe um Deus e Ele é eterno. Por isso mesmo é uma torre forte, um refúgio para todos que nele confiam. Um referencial absoluto para todos os momentos.
  2. Esse Deus é o criador de todas as coisas, Ele dá forma e ordem a tudo quanto existe. A a possibilidade da vida está nEle.
  3. O Criador é relacional, tem uma história de revelação e comunhão com o homem ao longo da história. A experiência de transcendência se dá pela intencionalidade deste Deus em ser presente na sua criação.
  4. O contraste entre o Criador e o homem é absurdo e desproporcional. A eternidade de Deus versus a transitoriedade do homem. O conhecimento deste Deus traz luz à realidade do homem.
  5. Em função desse conhecimento cabe ao leitor ponderar, avaliar e discernir (ou contar) os seus dias para alcançar essa sabedoria para viver.
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”(Salmo 90:12)
Avaliando e ponderando a vida frente à revelação do próprio Deus é possível encontrar vida completa e com qualidade. É possível substituir a decepção e a ansiedade pelo contentamento e a esperança.
Disse Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.” João 10:10-11
Viver com gratidão é experimentar o presente como uma dádiva de Deus, sem tentar agarrá-lo. Eu posso encarar o passado com realismo e o presente com esperança. (Guilherme de Carvalho)
Esta qualidade de vida não se limite ao momento presente, mas é carregada de sentido e significado, e se estende ao futuro. A expectativa da glória de Deus que há de se revelar aos seus filhos (os justos que o Salmo se refere).
“Aos teus servos apareçam as tuas obras, e a seus filhos, a tua glória. Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos.” (v.16-17)
Pascal, um matemático, físico e filósofo do século XVII compreendeu muito bem essa verdade. De maneira simples e curta ele concluiu a relação do homem com o seu Criador.
“Os homens são felizes com Deus e infelizes sem Deus” Pascal

segunda-feira, 7 de março de 2011

A armadura de Deus

“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.
Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça.
Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.”
Efésios 6:10-18
O final da carta de Efésios nos traz a dimensão correta desta nova realidade de vida em Cristo Jesus. Agora, a partir de uma experiência genuína de arrependimento e fé, rendendo-se ao senhorio de Jesus, o cristão é desafiado a viver neste embate com um mundo que se opõe fortemente ao senhorio de Jesus, um mundo que jaz no maligno.

Paulo deixa claro que este confronto não é contra pessoas, mas contra idéias e filosofias, contra as artimanhas de Satanás, que procura destruir tudo aquilo que Deus criou. No livro de Gênesis, a expressão utilizada para descrever a qualidade da obra do Criador foi – “e viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom (Gn 1:31)”. A oposição do adversário é para converter tudo àquilo que é bom em mau, trazer destruição e morte.

Por isso somos advertidos a tornarmos mais fortes, a resistir essa obra perversa. Porém essa força de resistência não provém de nós, mas é fruto de uma caminhada estreita com o próprio Deus. A comunhão com Deus é a única maneira para resistir às armadilhas infernais, que procuram nos remover desta nova condição de filhos de Deus.

Este enfrentamento de forças é terrível, porém em nenhum momento a obra de Deus estará ameaçada pelo Diabo. Deus não disputa força com ninguém, sua glória e poder não são comparáveis. Por isso mesmo está ao nosso dispor a armadura de Deus.

Note que a armadura de Deus é uma série de elementos que compõem a espiritualidade cristã, são eles: a verdade, a justiça, a fé, a salvação, a palavra de Deus e a oração. A disciplina espiritual nos leva a um estado de prontidão para permanecer em Cristo e discernir os nossos dias, inclusive com uma percepção mais integradora do reino de Deus.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Pais e filhos vivendo unidos no temor do Senhor

Publicado anteriormente como Honra teu pai e tua mãe (27/04/2010)
“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.”
Efésios 6:1-4
Paulo inicia o capítulo seis de Efésios fazendo uma referência aos mandamentos que o Senhor deu a Israel por intermédio do profeta Moisés. “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá (Êxodo 20:12)”. O quinto mandamento do decálogo de Moisés é o primeiro que traz consigo uma promessa. É também um mandamento positivo, que nos diz a postura (modo de pensar e agir) diante dos nossos pais, é algo agradável ao Senhor, e sabedoria e vida para aquele que obedece.

Esse é um mandamento que envolve o relacionamento com o próximo, o exercício do amor ao próximo. A atenção deste mandamento é direcionada ao relacionamento com a comunidade que Deus criou, Israel. 

A realidade de nosso amor para com Deus é demonstrada pela realidade de nosso amor para com nossos semelhantes.

A promessa aqui se refere à vida do Judeu na terra prometida, mas sem duvida podemos espiritualizá-la sem esvaziar o seu conteúdo. A promessa refere-se a uma vida abundante (Jesus disse: Eu vim para que tenham vida abundante -João 10:10), sábia, que glorifica ao Senhor e prepara nossa chegada para a Nova Jerusalém.

“Honra teu pai e tua mãe, como te ordenou o Senhor ,o teu Deus, para que tenhas longa vida e tudo te vá bem na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá (Deuteronômio 5:16).”

Moisés vai repetir o mandamento para o povo de Israel novamente no livro de Deuteronômio, há quase 40 anos após o recebimento da Lei. Por que será? Prestes a conquistar à terra prometida e deixar o deserto, a vida nômade, a geração é nova e precisa ser ensinada e lembrada das instruções do Senhor, de como Ele quer que o homem viva.

Interessante que os após 40 anos, aqueles que eram filhos hoje são pais. O mandamento é repetido sem errata, sem alteração do dever do homem em honrar seus pais. O que nos lembra que a lei do Senhor é perfeita, tanto que foi escrita em pedras para que não haja decomposição, alteração alguma. A lei do Senhor é perfeita e não se altera com as mudanças do mundo, das gerações. Elas não são relativas, mas um referencial absoluto e seguro para a humanidade.

Há um acréscimo que não altera ou modifica a instrução, mas que nos faz compreendê-la melhor. “...e tudo te vá bem...” a instrução é para o nosso bem, para uma vida plena.

Esse mandamento tem um impacto direto na sociedade, o comportamento do indivíduo dentro da unidade básica da sociedade (a família) tem uma ressonância que extrapola a esfera individual e afeta positivamente a comunidade.

O rei Salomão, ao refletir sobre o quinto mandamento e suas implicações na vida, conclui que a sabedoria do filho é ouvir e agir de acordo com as instruções dos pais, isso lhe fará bem, o privará de muitos dissabores (dor de cabeça, males) e o orientará a uma vida honesta. “Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço (Provérbios 1:8-9).”

Jesus também vai ressaltar a importância deste quinto mandamento, e exortar o homem a não desprezá-lo (Mt 15:4 e 19:19, Mc 7:10, Lc 18:20).

Por fim, o apóstolo Paulo ao fazer referência ao quinto mandamento vai acrescentar uma orientação aos pais: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.(Efésios 6: 4).”

Deus através da própria natureza deu autoridade aos pais para cuidarem e educarem os filhos, em submissão a Deus. Os pais devem ser zelosos na educação dos filhos, inclusive corrigindo quando necessário. A omissão dos pais nas suas tarefas é reprovável diante do Senhor e trará grandes transtornos para a família e também para a sociedade. Por outro lado, Paulo nos lembra que o abuso de poder por parte dos pais em nada contribui para a formação dos filhos, só traz revolta e confusão. 

Vale a pena lembrar que a relação dos pais e filhos, em todos os seus aspectos, está sujeita ao senhorio de Cristo. O dever dos filhos é obedecer aos pais no Senhor. E o dever dos pais é criar os filhos e corrigi-los no temor do Senhor. Isso é a vontade do Senhor, é perfeito, e permite o desenvolvimento saudável do homem.

O problema da quebra dos laços de família entre os pais e filhos reflete numa decadência moral, em libertinagem, o filho inexperiente e imaturo age de maneira imprudente sem limites a fim de satisfazer suas vontades.

Podemos então entender que honrar os pais refere-se ao respeito, a submissão e a obediência aos mesmos.



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Andando com os irmãos no temor do Senhor

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.
Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.
E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.”
Efésios 5:15-21
Nesta altura da carta, o apóstolo Paulo deixou algumas verdades bem claras que valem à pena serem lembradas.

1. Deus reconciliou consigo todas as coisas por meio Jesus Cristo;
2. Jesus Cristo é Senhor de todas as coisas;
3. A salvação é graça de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo e não por obras;
4. O Espírito Santo de Deus é derramado sobre todo aquele que crê em Jesus Cristo, Ele é o penhor (garantia) da nossa salvação;
5. Por meio da obra redentora de Jesus, todo aquele que crê é adotado como filho de Deus;
6. Deus predestinou seu povo para andar em boas obras, na promoção do bem;
7. A Igreja é o corpo de Cristo, por isso mesmo ela é una, santa, católica e apostólica;
8. A unidade da igreja só é possível porque Deus derramou seu amor (ágape);
9. A cada cristão Deus derramou dons para a edificação do corpo de Cristo;
10. O cristão é chamado para ser semelhante a Jesus.

Por tudo isso que acabamos de lembrar, é que o autor nos adverte a ter o máximo de cuidado no modo de viver. Duas opções estão à nossa frente. Ou agir como um tolo, indiferente ao evangelho de Deus anunciado a nós. Ou como um sábio, discernindo os tempos e caminhando em comunhão com o Senhor.

A conseqüência direta dessa nossa opção de vida também são duas. Ou nos tornaremos insensatos, destituído de todo bom senso, vivendo como alguém embriagado pelo álcool, sem controle ou domínio próprio. Ou procuraremos com todo afinco conhecer a vontade do Senhor, pois nada há de mais precioso que encontrar o sentido da vida.

O verdadeiro cristão é aquele que procura uma vida cheia do Espírito Santo, que encontrou na comunhão com Deus o sentido da vida. Esta realidade não se limita há uma experiência transcendente individual, mas também comunitária. Uma vida regada de temor a Deus, completamente imersa nessa dinâmica da redenção da vida e dos relacionamentos, louvando a Deus e sujeitando-se ao próximo, completamente livre da ingratidão.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Chamados para ser semelhantes a Jesus

“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave. Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças.
Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles.
Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor.
E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz.
Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.” Efésios 5:1-14
O livro de Gênesis relata a criação do mundo, como Deus chamou a existência àquilo que não existia. Na ordem da criação, o homem é tido como a coroa da criação (Salmo 8). Deus fez questão em criá-lo a Sua imagem e semelhança.

A origem da existência humana está no seu Criador (Gn 1:26). Essa cosmovisão muda tudo, traz consigo propósito e significado a existência, norteia a vida e os relacionamentos. 

Além de nos revelar a origem, as Escrituras falam sobre nossa essência - Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança (Gn 1:26)... fomos criados em distinção dos demais seres vivos, fomos criados semelhantes a Deus. A referência não é física, mas racional, moral, espiritual e social. E quais as implicações desta verdade?
Somos seres relacionais, criados para nos relacionar com Deus, com o próximo e com a natureza. Diferentemente dos demais seres vivos, somos dotados de capacidade intelectual e consciência de discernir entre o certo e errado, o que nos torna moralmente responsáveis em nossos relacionamentos.

O que Paulo está tratando neste texto de Efésios é exatamente isto, o homem foi vocacionado para ser imitador de Deus, viver e andar como o próprio Deus, a Sua imagem e semelhança. Porém, o pecado trouxe uma desordem a esta condição do homem, promovendo um estado de rebelião e indiferença quanto à sua vocação.

O autor evoca nossa vocação existencial através da obra redentora de Jesus Cristo, que redime o homem. A nossa identidade de filhos de Deus, àquilo que Jesus conquistou na cruz, é o que nos possibilita viver essa nova realidade de comunhão transcendente com o Criador, internando e externando o amor de Deus (ágape), um amor real e operoso, inspirado no amor do próprio Senhor Jesus por nós. Àquilo que vimos e experimentamos é o que temos condição de reproduzir, e está diretamente relacionado à nossa identidade.

Uma lista de maldades, incompatível com a nossa identidade de filhos de Deus são apresentadas por Paulo. Essa lista não tem a intenção de ser exaustiva, mas tão somente mostrar que a sociedade não é para nós parâmetro de vida ou moralidade, não devemos nos contentar com uma vida desgraçada e alheia a Deus. Jesus Cristo é o nosso modelo de vida, nosso parâmetro de moralidade.

‘Nem sequer nomeie entre vós’; ‘não são próprias aos santos’; ‘ninguém vos engane’; ‘não participem dessas coisas’; ‘a ira de Deus vem sobre os filhos da desobediência’; ‘não sejam cúmplices’; ‘aquilo que eles fazem em oculto, até o mencionar é vergonhosos’. Essas expressões de advertência, que acompanham a lista de maldades presentes na nossa sociedade, nos alertam o quão distante devemos viver do pecado.

Viver de forma ignorante, indiferente a Deus e dominado pelo pecado é como viver dormindo, no mais profundo sono, como andar em trevas sem direção. A metáfora utilizada pelo autor que se opões a este estado de escuridão e sombrio é a própria luz. Despertados do sono pela luz (referência ao conhecimento de Jesus Cristo), andemos como tal, em novidade de vida, provando e promovendo a bondade, a justiça e a verdade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Despindo-se do velho homem

“Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza.
Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.
Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.”
Efésios 4:17-32
A descrição que Paulo faz do homem alienado de Deus é alguém que está distante da própria humanidade. Ele vive na vaidade de seus pensamentos, soberbo e cheio de si mesmo, alienado de Deus, uma vida teimosa em ser aquilo para o qual ele não foi criado – ser coisa, viver no caos. Esse homem perdeu a vergonha e se entregou aos vícios, não tem mais controle de si mesmo. Insensível, não tem aspiração da eternidade, não é solidário, não busca o bem, a muito já se entregou a toda sorte de maldade.

Carlos Drumond de Andrade também faz uma descrição pessimista do homem moderno que deixou de ser homem.
Com que inocência demito-me de ser eu
que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
...
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
trecho do poema ‘Eu, Etiqueta’

A este homem caído e desumano, o evangelho chega com uma proposta poderosa de humanização, o resgate em sua integralidade da condição de homem. A transformação proposta é semelhante à metamorfose, uma mudança completa de mente, um despir-se diante de Cristo. Não há dúvida que esta obra não é fruto de um exercício meramente intelectual, mas uma obra do Espírito Santo. O Espírito renova a mente e concede graça, para que a verdadeira humanidade possa ser experimentada.

O velho homem que percebe a sua real condição e se desnuda diante de Cristo, alcança misericórdia. Este homem nu, nascido de novo, é destinado à retidão. Sedento e faminto por justiça ele é saciado (Mt. 5:6) a medida que é revestido desta nova vida, com conseqüências diretas em seu cotidiano.

Este homem novo é capaz de dominar suas paixões, confrontar a mentira com a verdade, não deixar ser vencido pelo mal e promover o bem para o outro, ainda que sofra prejuízo. Paulo está falando desta nova possibilidade de vida, na qual as obras da nossa natureza pecaminosa (Gl 5:17-25) são substituídas pelo bom trato para com o próximo, ao ponto de trazer a referência da bondade e do perdão de Deus para o nosso dia a dia.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O crescimento do Corpo de Cristo

“E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.”         Efésios 4:11-16
Paulo já havia orado pelos seus leitores, para que a maravilhosa obra de Deus se cumprisse em suas vidas. Agora, o autor passa a mostrar a forma que Deus escolheu para realizar essa obra em nós.

Primeiramente podemos notar que Deus opera em nossa vida por meio da comunhão dos irmãos. Qualquer projeto de vida individualista é completamente antagônico a vontade de Deus. Fomos chamados por Ele para fazer parte de sua Igreja, metaforicamente ilustrada como um corpo, o corpo de Cristo. O nosso chamamento envolve uma vida compartilhada, na qual aprendemos a dar e receber.

Em segundo lugar, esse Corpo é coordenado por Cristo, que é a cabeça. Ele desempenha esse papel principal de promover o desenvolvimento dos membros e orientar o bom funcionamento de cada parte. Cada cristão está individualmente ligado a Cristo e por meio dEle ligado a seu irmão. A imagem é de interdependência um do outro, somos dotados de responsabilidades e privilégios nesse ambiente de amor.

Uma observação importante é que os dons citados pelo apóstolo estão relacionados ao conhecimento da vontade de Deus. Isto significa que somos dotados da graça dEle para conhecer os seus propósitos, e esse exercício envolve uma capacitação divina e uma jornada em comunidade. O isolamento, ou a auto-suficiência indicam uma incapacidade de alcançar esse conhecimento, parece que apenas compartilhando as partes é que chegaremos ao conhecimento do todo. 

Em terceiro lugar, o bom funcionamento do Corpo tem um propósito muito bem definido. A medida que cada membro se desenvolve e se fortalece pelo auxílio mútuo, a fé e o conhecimento de Jesus vão tomando formas mais definidas e consistentes, ao que denominamos de maturidade cristã. Para mostrar este processo Paulo usa o desenvolvimento do corpo humano para explicar este amadurecimento, uma vez que a infância é a etapa da vida posterior a conversão, um momento de formação e de bastante vulnerabilidade. O apóstolo está mostrando que precisamos prosseguir na fé para alcançar a maturidade de discernir a verdade em qualquer circunstância.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Compromisso com a integridade

Davi fez um compromisso com a integridade. Ele sabia que a única forma de honrar este compromisso era rogando que Deus o socorresse, pois conhecia muito bem a sua própria vulnerabilidade.

A sabedoria deste rei era impressionante. Davi tinha o pleno conhecimento de que comprometer-se com a justiça é a vontade de Deus para todos. Ao mesmo tempo ele sabia que não possuía condições para cumprir esse voto confiando apenas no seu juízo. 

No Salmo 141, Davi nos conta o seu modo de agir para alcançar e manter a integridade. Vejamos algumas de suas firmes resoluções:

  • Não me conformar com a minha pecaminosidade. Reconhecer os meus pecados e buscar força em Deus para abandoná-los, ainda que muitos ao meu redor não se preocupem em praticar o mal.
 “Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios. Não permitas que meu coração se incline para o mal, para a prática da perversidade na companhia de homens que são malfeitores; e não coma eu das suas iguarias.” (v.3-4)
  • Não rejeitar a disciplina e a repreensão quando for surpreendido em falta, elas são o caminho da vida. Adquirir prudência e sabedoria através do saudável exercício da admoestação.
 “Fira-me o justo, será isso mercê; repreenda-me, será como óleo sobre a minha cabeça, a qual não há de rejeitá-lo.” (v.5)
  • Vencer a tentação e o conformismo através da disciplina espiritual da oração.
 “Continuarei a orar enquanto os perversos praticam maldade.” (v.5)
  • Perseverar na vida cristã, olhando firmemente para Deus. Ele é o referencial de verdade. NEle encontro qualidade de vida e discernimento para julgar as circunstâncias que a envolve.
 “Pois em ti, SENHOR Deus, estão fitos os meus olhos.” (v.8)
  • Confiar integralmente na fidelidade de Deus.
“Em ti confio; não desampares a minha alma. Guarda-me dos laços que me armaram e das armadilhas dos que praticam iniqüidade.” (v.8-9)

Que a firmeza dessas resoluções de Davi nos inspire e ajude a caminhar firmes e resolutos, comprometidos com a justiça na nossa geração.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Socorro ao necessitado, uma missão de todo cristão

“Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o SENHOR o livra no dia do mal. O SENHOR o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra.” Salmo 41:1-2a
Iniciamos o ano de 2011. Juntamente com ele vem a expectativa de mudanças, um novo homem e um novo mundo. Paz e felicidade são os desejos mais fortes nesta época do ano. Porém, minha pergunta é: de quanta intencionalidade está carregada esses desejos universais de paz e felicidade?

Certo. Não é possível medir esta intencionalidade do interior do homem, porém para tornar essa medida mensurável proponho outra pergunta. Quanto eu estou disposto a pagar pela paz e felicidade do meu próximo, o alvo das minhas saudações?

Claramente há uma tensão entre os meus desafios pessoais e os desafios comunitários, pois, devido à avareza e obsessão pelo império pessoal, trazemos conflito àquilo que deveria ser harmonioso. O bem pessoal é comumente colocado muito acima do bem comum, e quando o primeiro ameaça o segundo não recuamos, pois foi declarada anteriormente nossa hierarquia de prioridades. Primeiro o meu, se sobrar, eu reparto. A vantagem passa a ser sinônimo de esperteza e sucesso.

As palavras de Davi se referem à prática do bem. Ela nos conta sobre o homem que se compadece do infortúnio de seu próximo, e por se encontrar numa posição privilegiada – com capacidade de intervir nesta situação, para reverter ou aliviar a dor do semelhante - ele protege, defende, auxilia, salva seu irmão.

A pessoa que assim procede é chamada por Davi de bem-aventura, ou seja, feliz aos olhos de Deus. Feliz porque não perdeu sua humanidade, ainda sofre com o mal e luta contra ele. Feliz porque não é individualista, egoísta, mas está pronta para olhar para o outro e amá-lo, procurar seu bem estar. Feliz porque o amor de Deus passa a reger suas ações. Feliz porque se tornou promotora do reino de Deus, um reino comprometido com a justiça e o bem. Feliz porque se tornou imitadora do próprio Deus, que nos ama, protege, defende, auxilia e salva.

Um dos atributos de Deus é a misericórdia. É por meio dela que provamos os benefícios da obra redentora de Cristo. Somos salvos por meio da misericórdia divina. E Deus não espera nada menos do que o desenvolvimento dessa virtude nos seus filhos.

Exercer a misericórdia é vivenciar a espiritualidade no mundo. É assumirmos o mesmo sentimento que houve em Jesus Cristo, assumir a forma de servo (Filipenses 2:5-8).

Por isso, vamos avaliar nossos projetos e interesses pessoais, e confrontá-los com o reino de Deus. Que haja espaço na nossa rotina, no nosso orçamento, no nosso serviço e na nossa família para acudir o necessitado, o aflito, o injustiçado, o indefeso, ou seja, todo aquele que sofre.

Portanto, em 2011, não se esqueça de incluir na sua agenda o socorro ao necessitado!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Orando como Jesus nos ensinou

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal {pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém}! Mateus 6:9-13
A oração ensinada por Jesus se contrasta em muito com a oração ensinada pelos fariseus e pelos pagãos. Enquanto os fariseus prezavam pela hipocrisia, os pagãos faziam orações mecânicas através da arte da oratória (repetições), a fim de convencer seus deuses e atrair sua benevolência. Já a oração apresentada por Jesus é um modelo cristão genuíno, que se desenvolve por meio da comunhão com o Pai. Ela deve ser sincera e refletida, em oposição aos modelos anteriormente mencionados.

A oração não está centrada no homem, mas em Deus. Ela submete o ser à vontade de Deus, envolve o próximo e orienta a cosmovisão. Não é reducionista, não enxerga a relação com Deus em possuir e conquistar, mas em conformar o homem na imagem do próprio Pai.

1. Identidade – Pai nosso que estás nos céus (v.9)
Não é preciso atrair a benevolência de Deus. Ele nos amou!
Deus é pessoal e amoroso (imagem da paternidade). Deus é grande, habita nos céus, detém toda autoridade e poder. Amor paternal e poder celestial – combina amor que ordena e poder capaz de realizar.

2. Louvor - santificado seja o teu nome (v.9)
Que Deus seja conhecido por todos! Preocupação com a glória de Deus. Reconhecimento e invocação da glória de Deus.
Nome santificado, tratado santo, a devida honra lhe seja dada em nossas próprias vidas, na igreja e no mundo.

3. Submissão - venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu (v.10)
Não que Ele já não reinasse antes, mas que seu Reino seja revelado a todos os homens. Manifestação de sua justiça e paz na terra, aos homens a quem quer bem.
Submissão à vontade de Deus, a Sua centralidade na vida e na história. Antes de pedir, procurar conhecer, reconhecer e desejar a vontade de Deus – nosso guia mestre.
Quando a nossa vontade começa a responder ao chamado de Deus, a vontade de Deus está sendo cumprida perfeitamente em nós. Como ela é realizada nos céus, deve também ocorrer na terra.

4. Dependência - o pão nosso de cada dia dá-nos hoje (v.11)
Reconhecer que Deus cuida de nós e confiar todo o nosso ser a esta realidade. Lançar diante dEle nossas aflições (1 Pd 5:7).

5. Misericórdia - e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (v.12)
Uma via dupla, a vontade de Deus se manifestando na terra. Homens sendo reconciliados com Deus por meio da obra de Jesus Cristo, e homens se reconciliado consigo mesmo, também por meio de Jesus.

6. Proteção e bênção - e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal {pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém}! (v.13)
A proteção é a bênção de Deus, indispensável para a uma vida plena e realizada. Ele é poderoso para nos guardar!

Concluo com as palavras de John Stott. “A oração cristã é teocêntrica (preocupada com a glória de Deus), em contraste com o egocentrismo dos fariseus (preocupada com a própria glória). Ela é inteligente (expressão de uma dependência racional), em contraste com as repetições mecânicas pagãs”.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A unidade do corpo de Cristo

“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” Efésios 4:1-6

A grande pergunta para o cristão que provou dos benefícios da obra redentora de Cristo é esta: visto o que Deus fez por nós, como deve o seu povo viver? Paulo afirma categoricamente que existe um modo correto de viver. Não apenas nesta carta aos crentes de Éfeso, mas também àqueles de Roma (Rm 12:1-2), o apóstolo faz um apelo aos seus leitores. Abandonem os padrões deste mundo em desacordo com Deus e deixem que a renovação de mente, pelo poder do Espírito Santo e orientado pela Bíblia, transforme suas vidas harmonizando-se com a vontade de Deus. Esse seria o modo digno de viver, em conformidade com o evangelho de Jesus.

Isso quer dizer que não vivemos de qualquer jeito, pois a redenção em Jesus não se resume em nos livrar da condenação do inferno, mas antes numa real oportunidade de desfrutar liberdade (Jo 8:31-36), ser livre para fazer o bem e romper definitivamente com o mal (Rm 12:9,21).

Mas a revelação do bom propósito de Deus em Jesus foi além desta realidade individual. Além do novo homem que é recriado em Jesus, uma nova sociedade é desenhada por Deus. Uma realidade comunitária na qual as distinções étnicas, de raça, gênero, classe social, entre tantas outras, são reduzidas e a unidade é estabelecida. Não que a diversidade seja eliminada, pelo contrário, ela é preservada, mas a inimizade foi de uma vez por todas substituída pelo pacificador Jesus Cristo, que de muitos fez um só Corpo, a sua Igreja (una, santa, católica e apostólica).

A vida nesta grande família chamada Igreja se dá pelo regime do amor. O amor do próprio Deus é derramado em nosso coração (Rm 5:5) por meio do Espírito de Deus. Esse amor permite o exercício das virtudes, que por sua vez possibilita uma comunhão íntima e verdadeira, suportando e sendo suportado. Entender o conceito de suportar o irmão apenas como a tolerância seria muito pobre, mas a idéia é de caminhar junto e compartilhar a vida, ora servindo de apoio, ora sendo auxiliado.

Essa experiência comunitária de amor só é possível porque todos que dela participam estão também imersos na comunhão transcendente com o Pai, e ambos mantêm em comum a confissão da fé exclusiva no sacrifício e senhorio de Jesus Cristo, rejeitando qualquer outro caminho que lhe venha ser apresentado.

Quem sustenta essa dinâmica é o próprio Deus, que é o Senhor de todos desta Família, e também manifesta a sua graça a todos desta Igreja, e por fim habita com sua glória (o seu Espírito) em todos que pertencem a este Corpo bem ajustado.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fazer o bem em todo tempo

O início do ano é marcado pelas inúmeras promessas que fazemos. A expectativa de mudança se faz presente. A sensação de voltar a escrever numa nova página, toda em branco e sem rasura. O otimismo toma conta de muitos. Tudo pode melhorar, pensam.

Era exatamente este sentimento de esperança que o apóstolo Paulo queria provocar na igreja de Tessalônica, porém não porque um novo ano se iniciava, mas porque o Senhor Jesus Cristo é poderoso para recobrar o ânimo do coração desanimado e o fortalecer para fazer o bem, tanto em atos como em palavras (2 Ts 2:16-17).


Que o Senhor nos ajude neste ano que se inicia a andarmos na Luz, como filhos da Luz, promovendo o reino de Deus e vencendo o mal com o bem.

“Quanto a vocês, irmãos, nunca se cansem de fazer o bem.” (2Ts 3:13)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

De que lado você está?

O Salmo 37 nos fala sobre a sabedoria para a vida, fala ao homem como encontrar dias felizes.
      foto Liz Valente
1.    Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade.
2.    Pois eles dentro em breve definharão como a relva e murcharão como a erva verde.
3.    Confia no SENHOR e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade.
4.    Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.
5.    Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.
6.    Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia.
7.    Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios.
8.    Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal.
9.    Porque os malfeitores serão exterminados, mas os que esperam no SENHOR possuirão a terra.
10. Mais um pouco de tempo, e já não existirá o ímpio; procurarás o seu lugar e não o acharás.
11. Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz.


O Salmo inicia com dois conselhos importantes:

1. Não te indignes (aborreças, enfades) por causa dos malfeitores (homens maus)
2. Nem tenhas invejas dos que praticam a iniqüidade (dos perversos)

Os dois conselhos andam juntos (vs 1, 7 e 8). Eles nos falam de como deve ser a nossa relação com os homens maus, com a maldade, com a iniqüidade.

Essas recomendações tratam de dois extremos que somos puxados para transitar quando lidamos com pessoas perversas, quando sofremos o mal. Ou somos consumidos pela ira, tornando-se fúria, obscurecendo o nosso bom senso. Ou somos tentados a caminhar por esses atalhos, caminhos errados, seduzidos pelo aparente sucesso que esses homens demonstram com suas trapaças e opressões.

Victor Frankl, um psiquiatra austríaco e judeu, que sobreviveu ao campo de concentração nazista disse o seguinte ao reforçar a sugestão do salmista: “ninguém tem o direito de praticar injustiça, nem mesmo aquele que sofreu a injustiça.” Um ótimo conselho seria: controle sua raiva, jogue no lixo sua ira. Isto apenas deixa as coisas piores.


Mais qual seria o contraponto para viver e enfrentar a injustiça (maldade)?

Olha para frente (vs. 2 e 10)! Não seja dominado pelas circunstâncias. O salmo nos diz que o mal é temporário, em contraste com o bem que é eterno. O salmista nos lembra da transitoriedade do homem mau, dos promotores do mal. Eles passarão e não se sustentará suas obras, a visão em longo prazo nos mostra que eles não terão futuro!

Olha para cima (vs 3-7)! O Salmo também nos fala sobre o sentido da vida. ‘Confia no Senhor’! ‘Deleite-se no Senhor’! ‘Entregue seu caminho ao Senhor’! ‘Descanse no Senhor’! O salmista nos lembra que não estamos sozinhos. O Criador se revela como Deus pessoal, relacional. Sempre presente, sempre agindo. Um Deus que tudo vê e que não nos deixou a nossa própria sorte, mas que intervém. Por isso tudo, mantenha comunhão com o Senhor.

Agora que conseguimos recuperar o nosso bom senso, o salmista vai além. Seja construtivo! Faça o bem (vs.3)! A única forma de enfrentar o mal é não deixar ser vencido por ele. “Vença o mal com o bem (Romanos 12:21)”! Esse é o modo de quebrar a corrente do mal, e ser promotor do bem.

Os que assim vivem encontrarão abundância de vida. Como o Senhor Jesus disse no Sermão do Monte – Bem aventurado os mansos, porque herdarão a terra (Mateus 5:5). Manso é aquele que escolheu o caminho da fé pacientemente, em comunhão com o Senhor encontrará força interna suficiente para obter uma vida equilibrada e regrada, uma vida com qualidade.


Por que eu estou falando isso?

A nossa sociedade precisa de mais cidadãos engajados com a promoção da justiça, que se alimentam da verdade, ainda que essa escolha lhes custe algum preço. Pessoas cheias de ideais e sonhos, firmes nos seus valores. Cristãos que não negociam com a iniqüidade, mas que antes confiam no Senhor.

Concluo com mais algumas palavras de Viktor Frankl: “As pessoas descentes formam uma minoria. Mais que isso, sempre serão uma minoria. Justamente por isso, o desafio maior é que nos juntemos à minoria. Porque o mundo está numa situação ruim. E tudo vai piorar mais se cada um de nós não fizer o melhor que puder”.

Por Pedro Paulo
Mar ADentro - edição 10 - out - 2010
Publicado Originalmente em Mar ADentro

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Libertinagem: sexualidade fantasiosa

Vivemos numa sociedade hedonista – orientada pelo prazer e este centralizado no sexo, que distorce o nosso conceito de felicidade e se confunde também com a realização do ser humano. Um ambiente no qual a libertinagem é apresentada como um bem a ser conquistado pelo homem.

A exploração do sexo na mídia é um exemplo de como estamos entorpecidos de tanta miséria. O homem deseja uma mulher coisificada, um mero objeto a ser possuído, que trará prazer e fortalecerá sua masculinidade. A mulher por sua vez procura ser desejada de qualquer forma, sensual e provocante atraindo a atenção e os olhares dos homens, exercendo domínio e poder através da luxúria, um falso conceito do que é ser feminino.

O amor foi reduzido nas relações como conseqüência direta da falta de comprometimento entre as partes. Possuir o outro de forma barata e descartável é vantagem aos olhos desses que andam como bêbados em plena luz do dia, sem perceber que essa vida individualista só conduz ao vazio, uma vida solitária e de constante insatisfação. Quanto mais possui menos saciado se sente, pois o prazer explorado é efêmero e descartável, como uma fonte não renovável.

O perigo de se envolver nesse jogo é conhecer e explorar a sexualidade de forma fantasiosa, enganosa, egoísta e má. Viver assim, explorando e sendo explorado, acaba por promover relações de instabilidade, descartáveis, sem compromisso e segurança emocional, totalmente desequilibrada. Uma instabilidade que leva a incontinência.

Imagine uma lata de refrigerante violada (aberta), sem gás, na temperatura ambiente. O que o fabricante diria sobre este produto? Provavelmente que ele não está dentro das especificações e que deixou de ser o produto original, que não passaria pelos padrões de qualidade, e que inclusive poderia comprometer a saúde do consumidor. O fabricante poderia dizer isso porque ele criou o produto e sabe identificá-lo, por isso ele traz consigo uma série de especificações. Estas nada têm haver com diminuir a satisfação (prazer) que o produto traz, mas pelo contrário, garantir que o consumidor encontre essa experiência. O mesmo podemos dizer sobre a libertinagem, esta seria como um refrigerante que perdeu sua característica original. E quem define isso é o próprio Criador, ou você acha que teria alguém melhor para nos orientar?

O contraponto para essa vida desgraçada é a pureza de coração. O monoteísmo é a oposição aquela vida que idolatra o sexo. O amor a Deus, comunhão e transcendência, é o caminho para encontrar perdão e força, misericórdia e graça.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
Mateus 5:8

sábado, 25 de dezembro de 2010

O nascimento do Salvador Jesus (Jogral de Natal)

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.

O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.
A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre.

O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.

Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.
Deleitar-se-á no temor do SENHOR; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres e decidirá com eqüidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso.
A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade, o cinto dos seus rins.

O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.

Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).

Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.

Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
E, subitamente, apareceu uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.

Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Jesus é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

Disse Deus: Jesus é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em Jesus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

Jesus é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.

Nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.

Tudo foi criado por meio de Jesus e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O verdadeiro sentido do natal

O feriado do Natal é muito comemorado no Brasil e em vários países do mundo, seja por pessoas cristãs ou não. É um momento tradicional de reunir a família em volta da mesa, trocar presentes, enfeitar a casa e para muitos uma desculpa para afrouxar os freios morais e sociais.

Não há nada de errado em reunir a família ou trocar presentes. O problema é que muitas vezes acabamos por nos esquecer do verdadeiro sentido do Natal. É muito comum nos esquecer o que estamos celebrando nesta data, e conseqüentemente substituir a adoração a Jesus por ideais de fraternidade que os elementos desta festa possuem, substituindo as boas novas do menino Jesus pelos presentes e glamour do Papai Noel.

O nascimento de Jesus, o Salvador foi anunciado pelo profeta Isaías 600 a.C.
Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. Deus, nos primeiros tempos, tornou desprezível a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, tornará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios.
O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.
Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste; alegram-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos.
Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas; porque toda bota com que anda o guerreiro no tumulto da batalha e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo.
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.
Isaías 9:1-7
O profeta nos trouxe a esperança de redenção por meio de um menino que viria ao mundo. Esse menino traria consigo luz ao mundo, as pessoas que andavam sem saber para aonde estavam indo (sem direção) seriam guiadas por esse bom pastor. Essa criança viria desfazer essa sombra da morte que aterrorizava a todos, o desespero de viver em inimizade com o próprio Deus.

A alegria de receber esta criança é comparada como momentos de festa pela provisão de uma grande colheita, ou pelo alívio de sair vitorioso na guerra. Essas imagens se assemelham muito com a missão do Messias, trazer libertação para os oprimidos pelo pesado jugo de seu opressor, saciar a fome daqueles que a muito se desviaram de Deus e não encontram alimento noutro lugar.

O menino que Isaías anuncia traz uma grande missão sobre os seus ombros, reconciliar o homem com Deus. Trazer a verdade, justiça e paz para um mundo em caos, essa sim a imagem final de seu trabalho.

Os nomes que a criança carrega consigo mesma nos revela sua identidade, o caráter de sua missão. A sabedoria que acompanha Jesus é sublime, Ele veio testemunhar a verdade. Seu reino não terá fim. E a salvação estará ao alcance de todos. A esperança que raiou, envolve a encarnação do Filho de Deus, seu nome será Deus forte. A imagem que o profeta nos apresenta é do próprio Deus intervindo na nossa história, nos amando e trazendo salvação. O mistério do Deus-homem vivendo e habitando entre nós, se humilhando, servindo e redimindo a sua criação.

A garantia que o profeta oferece é o zelo de Deus. O amor do próprio Deus é que fará isso. A intencionalidade é toda do Pai, sua misericórdia e graça nos levarão a esta realidade.

As palavras de Isaías não caíram por terra. Esse novo reino foi inaugurado pelo advento de Jesus, o menino que há mais de dois milênios trouxe a paz, Deus para perto de nós.
Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.
Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).
Mateus 1:20-23

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A nova humanidade

“Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos {ambos: judeus e gentios} fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito.
Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” Efésios 2:11-22

Paulo escreveu a carta de Efésios para cristão que em sua maioria não eram judeus, chamados pejorativamente de gentios, aqueles que não faziam parte da aliança de Deus com Israel.

A revelação de Deus à humanidade passa pela cultura judaica. Por mais de 2000 anos Israel foi a única nação monoteísta na face da Terra, em oposição ao politeísmo praticado pelas demais nações. A religião pagã estava centrada no conceito da existência de vários deuses que lutavam entre si pela hegemonia, corrompidos como os homens e inflamados por todo tipo de vício presente na humanidade. Esses deuses eram responsáveis pelos favores e pelos males que sobreviam ao homem. Para alcançar o favor de um deus pagão era necessário convencê-lo deste bem, isso envolvia relações de trocas e boa capacidade de persuasão.

Embora o paganismo possuísse uma infinidade de deuses, ao ponto de inclusive fazer um altar ao ‘deus desconhecido’ - tamanho era o receio de enfurecer uma dessas divindades, a sua religiosidade estava sem o Deus Verdadeiro, e por isso mesmo se mostrava inútil. Os gregos possuíam uma visão cíclica da história, na qual não havia um alvo para o qual todas as coisas estavam convergindo. Não havia ‘futuro’, esperança, estavam sem Deus no mundo.

O cenário desolador descrito pelo autor é rompido pela boa notícia de que Deus trouxe para perto àqueles que estavam longe, por meio do sacrifício vicário de Cristo. O objetivo de Deus era criar em si mesmo (em Jesus), dos dois povos, um novo homem.

A obra de reconciliação realizada por Jesus é anunciada por Paulo com entusiasmo, e seus privilégios são facilmente percebidos. O privilégio de ter acesso a Deus não cabe mais a um grupo étnico, logo todos estão em pé de igualdade perante Deus. O acesso a Deus não é mais por leis cerimoniais, mas ousadamente podemos nos aproximar do Santo dos Santos, o trona da graça de Deus, pelo novo e vivo caminho que Jesus nos abriu pelo seu corpo. A relação com Deus não está mais condicionada a mediação dos sacerdotes, ao templo de Jerusalém, mas a mesma glória de Deus que enchia o templo hoje habita em nós por meio do seu Santo Espírito.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

PREGUIÇA OU ACÍDIA


O preguiçoso fica em casa e diz: “Se eu sair, o leão me pega.”
O preguiçoso vira de um lado para outro na cama. Ele é como uma porta que gira nas dobradiças, mas, de fato, não sai do lugar.
Existe gente que tem preguiça até de pôr a comida na própria boca.
O preguiçoso acha que ele sozinho sabe mais do que sete homens capazes de dar respostas certas.
Provérbios 26:13-16
Ao contrário do que muitos pensam, a preguiça é um pecado do espírito e não da carne. Sua exclusividade está no fato de ser um pecado de omissão, e não de comissão, a ausência de uma atitude positiva, e não a presença de uma atitude negativa. 

A preguiça é muito mais que moleza, ociosidade física ou um estado de ‘letargia viciada em televisão’. Ela é a condição de desânimo espiritual explícito que desistiu de buscar a Deus, à verdade, ao bom senso e ao belo.
“Relaxar não é preguiça. A pessoa que nunca relaxa não é santa, mas nervosa.” Peter Kreft
Na realidade a preguiça é a melancolia moderna que nasce do ódio a todas as coisas espirituais que requerem esforço. A preguiça não suporta dificuldades ou penitência.

Mesmo que a preguiça possa começar com a indiferença negligente de certos ideais, seu estado final é de desespero em relação à possibilidade da salvação – basicamente uma forma de suicídio espiritual. 

Texto extraído de Os Guiness, livro Os Sete Pecados Capitais.

Uma palavra muito utilizada para descrever este pecado capital é a acídia. Este termo se refere à indiferença e a tristeza, que resultam num abatimento do corpo e do espírito.

Ou seja, a preguiça não é apenas uma aversão ao esforço físico, ao trabalho, mas também uma aversão ao esforço mental, resultado direto do desinteresse espiritual. A pessoa preguiçosa é uma pessoa insatisfeita com a vida, desinteressada com as pessoas e negligente para com a verdade.

Embora a acídia não seja originalmente a tentação do jovem, eles não estão imunes a ela. A indiferença pelas coisas espirituais e pelos valores da humanidade são sintomas de sua terrível presença em nosso meio.

O encontro com a pecaminosidade humana através do mal que advém desta tragédia, destituído da esperança da redenção da humanidade proposta pelo cristianismo, é um combustível poderoso para produzir pessoas amargas e desesperançosas.

O contraponto da preguiça – fome e sede de justiça

O contraponto da moleza espiritual é o anseio apaixonado pela justiça, a essência da busca. Nas palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” (Mt 5:6).

A satisfação com o que é reto e justo é seguida apenas da insatisfação com qualquer coisa menos que isso.