sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Andar na Luz


Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado
I João 1:5-7
A palavra luz no Novo Testamento normalmente se refere a Jesus, ou em alguns casos aos seus discípulos. O evangelho narrado por Mateus (4:16), Lucas (2:32) e João (1:4-5) faz questão de apresentar Jesus como a Luz que veio ao mundo, a Luz que se opõe e triunfa sobre as trevas. Num segundo momento, os mesmos livros relatam que Jesus chamou e comissionou os seus discípulos como “luz do mundo”, uma luz que não deve se intimidar diante das trevas, mas ao contrário, deve se opor a ela e servir como um sinalizador do reino de Deus as pessoas. Verificar Mateus 5:14-16. 

Outra curiosidade é que o apóstolo João nos diz no evangelho e na sua primeira epístola que aquele que pratica a verdade, ou guarda os ensinos de Jesus, se aproxima da Luz (do próprio Deus). Isso significa que a verdadeira vida cristã está intimamente relacionada há uma vida de consagração e obediência, e que por fim, o cristão que levar a sério essa caminhada glorificará a Deus. 

Posso concluir então que andar na Luz me leva a Deus, orienta a minha vida, sinaliza o reino de Deus ao meu vizinho e glorifica a Deus. Mas não posso me esquecer que a luz que a Bíblia se refere é o próprio Jesus e não um conceito abstrato e vazio de bem.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Fé robusta em tempos difíceis



Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. Habacuque 3:16-17

O profeta Habacuque, contemporâneo de outros profetas, como por exemplo, Jeremias, foi um daqueles que viu e lamentou a iniqüidade e a rebelião de seu povo contra Deus. O tempo que o profeta viveu era desesperador, ele gritou contra a violência, a iniqüidade e a opressão estavam diante seus olhos, e a justiça de tão frouxa já não era mais encontrada, enquanto isso, o perverso cercava cada vez mais o justo (Hc 1:1-4).

A resposta de Deus a essas queixas do profeta foi ainda mais surpreende. O império babilônico que crescia e se fortalecia, iria se levantar contra Judá, arrasar a sua terra e levar cativos os seus moradores. Perplexo, o profeta protesta o fato de Deus se valer de uma nação opressora, injusta e idolatra para disciplinar o Seu próprio povo (Judá) (Hc 2:1). A resposta que ele obtém é que Deus não abandonaria Judá e a restauraria, mas enquanto isso, o justo viveria pela fé (Hc 2:4), isto é, Seu povo viveria confiando na providência e nas promessas de Deus ainda que fosse estrangeiro numa terra estranha e hostil ao monoteísmo judaico.

A justiça de Deus não tardaria, e no seu devido tempo (kairós) Ele interviria mudando a sorte de Judá. Na oração de Habacuque (capítulo 3) é incorporada a visão da grande salvação de Deus que se aproximaria, veja algumas imagens de Deus agindo em favor do seu povo:
“Deus vem... (v.3)”
“Deus sacode as nações (v.6)”
“Os caminhos de Deus são eternos (v.6)”
“Deus anda montado nos seus carros de vitória (v.8)”
“A aljava de Deus está farta de flechas (v.9)”
“Na indignação de Deus, Ele marcha pela terra (v. 12)”
“Deus sai para o salvamento do seu povo (v.13)”

O profeta concluiu que nos tempos difíceis que viriam, ele deveria esperar pelo “dia do Senhor”, um dia de angústia que romperia contra o império que oprimia e contendia contra Judá (Hc 3:16). E essa fé deveria se desdobrar em confiança na providência de Deus, contentamento no Senhor ainda que os dias fossem ruins, e por fim coragem, fortaleza para atravessar os dias de opróbrio e não se conformar com a maldade e apostasia que os cercavam (Hc 3:17-19).

Em certo sentido, a situação da Igreja muito se assemelha com o povo de Judá no cativeiro da Babilônia. Duas semelhanças me vêm à mente, a primeira é que nós também estamos num lugar que não é o nosso destino final, vivemos num mundo no qual não coadunamos dos mesmos valores e militamos por um Reino que se caracteriza como uma contra-cultura. Em segundo lugar aguardamos também o grande “dia do Senhor”, no qual Jesus voltará para consumar o seu Reino na terra e completar a nossa salvação. Logo, as palavras desse livro são desafiadoras para nós.

Jesus nos ensinou na oração sacerdotal (Jo 17), que uma vez redimidos pelo evangelho, nós recebemos uma missão neste mundo. E essa missão envolve conformar mente e vida ao evangelho de Jesus Cristo, e em oposição ao mundo e seus valores devemos comunicar os valores do reino de Deus, como testemunhas deste Reino que se aproxima. O desafio está em entender que essa tarefa será exercida num ambiente hostil ao cristianismo, e para isso a nossa fé precisará se desdobrar em confiança, contentamento e coragem, assim como Habacuque profetizou.

A boa notícia é que temos uma lista de testemunhas que conseguiram bom êxito nesta tarefa incumbida a nós, o que nos enche de ânimo. No período do cativeiro na Babilônia, os mais notáveis foram Daniel, Hananias, Misael, Azarias, Ester, Neemias e Esdras. Já no cristianismo, a lista é extensa, nesses dois mil anos são milhares de milhares que obtiveram bom êxito, pessoas que passaram entre nós e das quais o mundo não era digno, e por onde andaram deixaram a fragrância do conhecimento de Jesus Cristo. A oração que nos cabe hoje é a mesma do profeta: “Senhor, aviva a tua obra (entre nós)” (Hc 3:2).

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A compaixão pode mudar os nossos planos


Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade.
A compaixão é um atributo de Jesus que observamos com freqüência nos relatos dos evangelistas. Os primeiros discípulos valorizavam tanto essa virtude que o apóstolo Paulo a incluiu numa lista de dons espirituais – o exercício da misericórdia (Romanos 12:4-8).

No famoso Sermão da Montanha (Mateus 5-7), Jesus declarou: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Isso quer dizer que de alguma forma a felicidade está atrelada a prática da compaixão, e que aqueles que provam da misericórdia de Deus não conseguem se contentar em guardar este bem apenas para si, mas irão repartir com todos os necessitados que encontrar, pois é assim que se enxergam diante de Deus. Compreender que nós devemos exercer misericórdia para com o próximo é verdadeiramente participar da promoção do reino de Deus na terra.

Cuidado! Não nos tornamos merecedores de misericórdia através de atos de misericórdia. Mas Deus é bondoso e nos ensina que essa bênção anda lado a lado com a pessoa que a pratica.

Pensamentos
·        A misericórdia é um combustível poderoso para nos mover em direção ao socorro do necessitado.
·        A promoção da justiça só é possível quando paramos de olhar para as nossas necessidades e começamos a sentir a escassez do outro.
·        O serviço ao próximo é um sinal do reino de Deus entre nós.
·        Deus é glorificado com as minhas boas obras, quando as minhas atitudes se assemelham com as de Jesus.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Serviço ao próximo, um sinal do reino de Deus entre nós




Então, aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e, prostrando-se, fez-lhe um pedido. "O que você quer? ", perguntou ele. Ela respondeu: "Declara que no teu Reino estes meus dois filhos se assentarão um à tua direita e o outro à tua esquerda".
Disse-lhes Jesus: "Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem vocês beber o cálice que eu vou beber? " "Podemos", responderam eles. Jesus lhes disse: "Certamente vocês beberão do meu cálice; mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai".
Quando os outros dez ouviram isso, ficaram indignados com os dois irmãos. Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos". 
Mateus 20:20-28 (NVI – Nova Versão Internacional)

Jesus já havia mostrado aos seus discípulos no Sermão da Montanha (Mt 5-7) que os valores do reino de Deus não são os mesmos que estão presente neste mundo corrompido e dominado pelo pecado. Tanto que as bens aventuranças é um manifesto de Jesus que contrapõe os valores do reino de Deus com aqueles presentes no mundo, como o arrependimento, a humildade, a misericórdia, a justiça, a pureza, a pacificação. O apóstolo Paulo fez uma advertência semelhante aos cristão que estavam em Roma, para que não se conformassem com o mundo, o jeito que ele está e a indiferença que se vive em relação a revelação de Deus por meio de Jesus, mas que houvesse uma profunda mudança de mente e atitude deles (Rm 12:1-2). A fé cristã combate o pensamento dominante de um mundo secular, arredio e distante de Deus, e nos convoca ao desenvolvimento de uma cosmovisão cristã, na qual Deus está reconciliando consigo o mundo através de Cristo (2 Co 5:19; Cl 1:20).

Nesta cena, Jesus está repreendendo os seus discípulos que estão se estranhando entre si, pois obviamente há uma disputa de poder. Dois irmãos decidem acenar a Jesus o interesse de assumirem certo tipo de governança entre os demais, ocupar um lugar de honra e prestígio que os destacariam dos outros apóstolos. Novamente Jesus adverte os seus discípulos para a realidade da vida no reino de Deus, que entra em confronto direto com esse sistema de domínio e opressão que vivemos. Jesus os chama para olharem o modo como vivia e sua missão, para que obtivessem algum entendimento sobre o que é o reino de Deus e o que ele propõe – paz com Deus e vida com qualidade (Cl 1:21, Jo10:10).

No reino de Deus o pecado não mais regula e distorce os relacionamentos, mas a imagem de Deus é redimida nos seus súditos. Logo, a referência para a vida passa a ser o próprio Deus e não mais os abusos daqueles que exercem domínio, que oprimem. A imagem do Reino é de liberdade e contentamento, uma real possibilidade de ser tudo aquilo para o qual fomos criados (Gn 1:27). A reprodução do mal não é mais uma condicional que pesa sobre os nossos ombros.

Como o reino de Deus é uma invasão a este mundo (Jo 3:16), todos aqueles que depõem as suas armas e se submetem ao Senhor deste reino (Jesus Cristo) tornam-se necessariamente em promotores dos valores que estão contidos nele, dos quais agora desfrutam (2 Co 5:17-20). Observem que a vida no reino de Deus tem essa viés de receber e compartilhar (Mt 10:8), não há espaço para a escassez e necessidade, todos que recebem tornam-se também doadores. Aqueles que recebem perdão devem perdoar (Mt 6:12,14-15), aqueles que recebem consolo devem consolar (2 Co 1:3-6), aqueles que recebem dons (poder) devem servir (Rm 12:4-8)... ou seja, o Reino é um lugar de contentamento, aonde todos são tratados com dignidade e no qual o papel do menor e do maior se confundem, pois todos são igualmente servidos.

Jesus está tentando fazer seus discípulos entenderem a dinâmica desta nova vida que é oferecida aos cristãos. Logo, a qualidade com a qual vivemos está diretamente relacionada com o comprometimento que temos com os valores desse Reino (contidos no Evangelho) e com a promoção (testemunho de vida) dos mesmos. Assim sendo, seguem alguns conselhos dos primeiros cristãos que tinham a imagem de Jesus como alguém que passou pelo mundo fazendo o bem a todos (At 10:38):
E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos. (Gl 6:9)
Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom... Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios... Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade... Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram... Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos... Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos... Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem. (Rm 12:9-21)
Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. (Tg 2:17)
Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. (1 Jo 3:18)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Para Deus nós somos o perfume de Cristo

“Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento; porque para Deus somos o aroma (perfume) de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro de morte; para aqueles fragrância de vida. Mas, quem está capacitado para tanto? Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus.”
A fé cristã não está desconectada do nosso cotidiano, ela é tão relevante para nos trazer esperança quanto para vivermos bem no presente, nos acontecimentos ordinários da vida. Deus não está apenas interessado em trazer salvação para nós num futuro distante, mas hoje mesmo, no presente, Ele está comprometido em trazer redenção para a nossa vida, àquilo que Jesus chama de ‘vida abundante’ (João 10:10), ou seja, viver com qualidade, com valor e significado eterno.

O apóstolo Paulo compreendeu isso tão bem, que de forma poética se autodenomina um perfume de Cristo, a exalar por todo lugar que passa, com quem convive, aonde trabalha, em qualquer ambiente, a preciosa fragrância do conhecimento de Jesus. Sendo mais claro, Paulo percebeu que a fé que possuía em Jesus orientava a sua vida, e a obediência associada ao sentimento de pertencimento a algo maior, o reino de Deus, não apenas trazia a Ele perdão e dignidade, mas também a honra de viver e promover os valores desse Reino.

O modelo que Deus escolheu para se revelar e trazer redenção, passa diretamente pelo relacionamento entre os homens. O conteúdo do Evangelho (a vida, morte e ressurreição de Jesus) é tão poderoso e transformador, que qualquer pessoa que genuinamente se submeter ao governo de Deus irá automaticamente transformar-se em um perfume de Jesus (testemunha de Jesus). E essa é a incumbência destinada a nós cristãos, que através de uma vida simples e piedosa, cada um comunique os valores do reino de Deus, para que os outros vendo glorifiquem a Deus (Mateus 5:16).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Trocando idéias


Recentemente eu recebi um e-mail de um amigo fazendo uma pergunta sobre casamento misto, entre cristãos e não cristãos, o que eu achava. Segue o início do bate-papo.

Pedro boa tarde
Tudo bem?
Tomo a liberdade e gostaria de fazer uma pergunta a respeito da Bíblia. Quando a Bíblia diz sobre o casamento misto, que o cristão deve se casar apenas com cristão. Ela diz como um conselho ou um mandamento? Se ela diz como um mandamento, desobedecer a isto é um pecado? Qual é a sua opinião ?

Abraços
José (nome fictício)

Oi José. Se eu estiver certo vocês se refere ao texto de 2 Co 6:14. Deus havia ordenado aos israelitas que não tomasse mulheres estrangeiras como esposas para evitar que elas trouxessem seus deuses e idolatria para Israel, vale lembrar que até a vinda de Cristo, Israel era a única nação monoteísta na face da terra. Já neste texto de Coríntios, a tônica não é um mandamento sobre casamento, mas um conselho sobre a associação com os descrentes, que poderia envolver uma situação de casamento ou outra qualquer.

Vale lembrar que o grande ponto das ordenanças e advertências bíblicas não é para nos podar a felicidade, e nos tornar reféns de uma religiosidade opressora, pelo contrário, o propósito deles é trazer redenção em todas as esferas da nossa vida. Sendo mais claro, o grande propósito das Escrituras é nos ensinar a viver bem.

Mas voltando para o texto, o conselho de Paulo é para uma vida sábia, não devemos nos colocas em situações nas quais haveria incoerências entre a fé professada (no campo da idéias e valores) e a vida cotidiana, vivida. Podemos pensar num cristão que contraia matrimônio com alguém que tenha uma religião diferente, ou até mesmo seja ateu. O casamento não é apenas uma união amorosa, mas também a partilha de valores e missão, e pensando assim, o casamento com um descrente seria a aquisição de uma dificuldade a mais no desenvolvimento de uma vida piedosa. Basta pensar na criação de filhos, no serviço cristão, na comunhão com a comunidade cristã e o desenvolvimento de relacionamentos... e assim por diante. Resumindo, casar com alguém que não seja cristão será procurar sarna para se coçar, uma a mais, além das muitas que já temos que lidar, uma atitude nada sábia.

Quanto à questão do pecado, acho que ele está muito mais presente nas nossas decisões e forma de viver do que imaginamos. Tiago diz claramente que aquele sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado (Tg 4:17). Aí temos uma boa luz para nos ajudar a enxergar o que é pecado, ele não é apenas a desobediência em si, mas também quando há omissão e indiferença de minha parte. Pensando que a redenção de Cristo é para me transportar dos domínios do diabo para o de Deus, “do reino das trevas” para o reino de Deus, então compreendo que existe uma nova motivação para a vida – a manifestação da glória de Deus, através da promoção do seu Reino. Se eu reconheço que isso é verdade, qualquer orientação na minha vida que entre em conflito com esse propósito maior eu devo entender como pecado, e toda vez que tomar consciência dele devo me arrepender. Pronto, agora podemos discutir melhor se é ou não pecado casar com um descrente e analisar cada caso. Mas aí eu deixo contigo... rsrsrsr

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As virtudes da vida cristã

Reflexão sobre o texto de II Pedro 1:1-11


Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, mediante a justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, receberam conosco uma fé igualmente valiosa: Graça e paz lhes sejam multiplicadas, pelo pleno conhecimento de Deus e de Jesus, o nosso Senhor.
Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. Por intermédio destas ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça.
Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento;ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade;à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor.
Porque, se essas qualidades existirem e estiverem crescendo em suas vidas, elas impedirão que vocês, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam inoperantes e improdutivos.
Todavia, se alguém não as tem, está cego, só vê o que está perto, esquecendo-se da purificação dos seus antigos pecados.
Portanto, irmãos, empenhem-se ainda mais para consolidar o chamado e a eleição de vocês, pois se agirem dessa forma, jamais tropeçarão,e assim vocês estarão ricamente providos quando entrarem no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

O apóstolo Pedro está escrevendo para todos aqueles que obtiveram fé em Jesus Cristo, como o justificador de todo aquele que se aproxima dEle e confia na suficiência de seu sacrifício vicário, desfrutando assim de todos os benefícios conquistados por Jesus na sua obra de redenção.

Além da redenção, ou seja, a remissão dos nossos pecados, nós fomos abençoados com todo o poder necessário para participarmos de uma nova vida, ou uma nova natureza, na qual nos tornamos co-participantes da natureza divina. Isso significa que a obra de Deus em nossa vida não produz tão somente salvação num futuro longínquo, mas redime a nossa vida e restaura em nós a imagem de Deus, trazendo implicações diretas na nossa maneira de viver. A promessa que aponta para um futuro de glória traz conseqüências diretas no cotidiano do cristão, orientando-o para uma vida focada na piedade e virtude.

O viver do cristão não é apenas um lamentar do mal e do pecado que tão terrivelmente nos assedia, mas a celebração da real libertação de uma vida que fora destinada à corrupção e a imoralidade. A vida cristã não é uma proposta de negação a tudo o que nos é oferecido, mas de confronto a tudo aquilo que é mal, injusto, opressor e imoral.

Neste contexto, a vida cristã deve se desenvolver com diligência e firmeza, apegando-se ao bem. Por falar em bem, a segurança que temos é que esse conceito de bem não é relativo e restrito a minha experiência individual de bondade, mas está manifestada na revelação de Deus a humanidade contida nas Sagradas Escrituras.
Assim sendo, somos chamados a uma vida que realmente se empenhe na imitação de Cristo, na experiência diária do provar a vontade de Deus e se submeter ao Seu senhorio.

Pedro desenvolve uma lista de virtudes que devem ser desenvolvidas na vida do cristão. Essa lista de virtudes não tem o objetivo de ser exaustiva e nem progressiva, mas sim de lembrar que a fé cristã deve estar diretamente associada com uma vida coerente, pela forma sábia de viver, sempre evidenciando a glória de Deus.

A lista de virtudes (fé, virtude/excelência, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade e amor) mostra a relação entre si de cada virtude, e contrasta com uma vida relaxada, indiferente a santificação. Os indiferentes são aqueles que vivem na expectativa de um futuro que não tem harmonia ou ressonância alguma com o presente. Uma ilustração drástica é o homem que deseja longevidade de vida e não cuida de sua saúde, entregando-se a todo tipo de vício, ou o homem que deseja um bom emprego, mas não se empenha em qualificar-se profissionalmente. Este tipo de cristão é alguém que está fadado à falência de sua fé, pois a incoerência apenas produzirá histeria e hipocrisia.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O perigo da igreja perder o rumo


Por muitas vezes a igreja institucionalizada confundiu sua missão no mundo. Sempre que isso ocorreu dois fatores sempre estiveram diretamente ligados a essa confusão, o primeiro foi o distanciamento das Escrituras e o segundo foi a ambição pelo poder.

O apóstolo Paulo nos diz na sua segunda carta a Timóteo que a Escritura é inspirada por Deus, contendo em si mesma toda autoridade para nos ensinar, repreender, corrigir e nos educar na justiça. Toda vez que nos afastarmos dela e tentamos substituí-la por qualquer outra fonte de revelação estaremos correndo sérios riscos de nos distanciarmos de nossa missão, de substituir a promoção da verdade pelo engano, da justiça pela injustiça, do amor pelo ódio e a intolerância (II Tm 3:16-17). Devemos lembrar que a Igreja primitiva permanecia na doutrina dos apóstolos (Bíblia) e por isso era bem sucedida na sua missão de proclamar e promover o reino de Deus (Mt 5:13-16).

Já o poder é uma tentação que todos nós estamos sujeitos, é o desejo de querer dominar e subjugar o próximo aos seus caprichos e desejos. Jesus, embora sendo Deus, na sua encarnação foi tentado pelo diabo quanto ao poder (Mt 4:8-11), mas não se submeteu a sua tirania. Simão, um mago que havia se convertido, desejou o poder do Espírito Santo que estava sobre os apóstolos e inflamando seu coração de maldade sugeriu comprá-lo para dominar sobre seus conterrâneos (At 8:9-24). Paulo nos lembra que muitos homens perversos e impostores irão de mal a pior, ora enganado e ora sendo enganados, nessa corrida louca pelo domínio (II Tm 3:1-13). Jesus nos lembra que no reino de Deus não existe esta disputa de poder, o maior deve ser como o menor, quem preside deve servir e quem se exaltar será humilhado (Mt 23:11-12; Lc 22:24-27).

Que Deus nos ajude a manter nossos olhos fixos em Jesus, e nos livre de corromper a missão confiada a nós – “Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento; porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro de morte; para aqueles fragrância de vida. Mas, quem está capacitado para tanto? Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus. (II Co 2:14-17)”

terça-feira, 10 de maio de 2011

Fundamento para a vida cristã

Uma reflexão a partir do Sermão do Monte
Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha.
E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.
Jesus está encerrando o Sermão do Monte (Mt 5-7) com a imagem de duas casas construídas, que se diferenciava pela estrutura que as sustentavam. Enquanto uma estava firme sobre a rocha que poderia garantir segurança durante os acidentes naturais, a outra não estaria preparada para enfrentar situações difíceis, e certamente ruiria. Essa imagem utilizada por Jesus refere-se ao modo de encararmos a vida.

Jesus compara o prudente e o insensato, aquele que faz uso do bom senso e aquele que despreza o juízo, aquele que busca evitar o erro e aquele que vive de modo inconseqüente. Ambos ouviram as palavras de Jesus, e prudente seria aquele que põe os ensinos aprendidos em ação, ou seja, Jesus está nos advertindo que o ouvir não tem valor se não resultar em ação.

Essa advertência de Jesus nos lembra das palavras de Tiago. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tg 1:22). Tiago vai mais fundo ainda ao afirmar que a fé sem obras é vã, ao afirmar que uma vida que não se assemelha com os valores do reino de Deus não tem valor algum (2:14-20) e o próprio Jesus nos lembrou do perigo de um conhecimento meramente intelectual, ou até mesmo, de uma profissão de fé simplesmente verbal, “apartai-vos de mim” (7:21-23).

Jesus está fazendo uma comparação entre cristãos, todos os que ouvem seus ensinos, com aquilo que cada um fará com esse conhecimento. Nenhum conhecimento intelectual e nenhuma profissão verbal, embora sejam essenciais, podem substituir a obediência.
Por fim, a tempestade revelará que tipo de pessoa somos. Calvino nos lembra que muita vezes é praticamente impossível distinguir a verdadeira piedade de sua imitação até que venham as provações. No momento de dificuldade é que depararemos com o valor da nossa fé, e serão separados aqueles que “não olham pra traz” (Lc 9:62) daqueles que ‘retrocedem” (Hb 10:38-39).

Ao aplicar este ensinamento a nós mesmos, precisamos considerar que a Bíblia é um livro perigoso de se ler, e que a igreja é uma comunidade perigosa de se juntar, pois na leitura da Bíblia ouvimos a palavra de Cristo, e quando nos filiamos a igreja dizemos que cremos em Cristo. Como resultado, pertencemos a um grupo descrito por Jesus como aqueles que ouvem os seus ensinamentos e o chamam de Senhor. Nossa filiação, portanto, coloca sobre nós a séria responsabilidade de garantir que aquilo que sabemos e dizemos está sendo traduzido no que fazemos. John Stott

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Deus não é a nossa consciência!


Na cultura de hoje há um pensamento moderno que prevalece em nossos diálogos, de que não existe mais certo ou errado, pensamento este que chamamos de relativismo moral. Para tudo há uma explicação, uma razão de ser, e por isso não podemos dizer que existe um ponto de referência, algo que seja correto em todos os tempos e em qualquer cultura. Será que isso é verdade? 

Por outro lado, há uma propaganda em prol de atitudes conscientes. Defende-se uma cidadania consciente, um consumidor consciente, o voto consciente, o sexo consciente, uma moral social do ‘politicamente correto’ e assim por diante. A inconsistência de uma moral que não reconhece valores absolutos, nos leva ao absurdo de exigir algo que não tem significado para o indivíduo.

Exigir atitudes conscientes, senso comum de responsabilidade, noção integradora de deveres e direitos, está diretamente relacionado ao pressuposto do desenvolvimento de uma consciência social, comunitária. A lei é a ferramenta que as sociedades utilizam-se para se organizar em torno de ideais e valores comuns. Embora eficiente para promover a sensação de pertencimento a um grupo social, ela é extremamente ineficiente para trazer sentido à consciência do indivíduo.

O desenvolvimento da consciência individual, independente e relativista, nos leva a uma confusão nos relacionamentos. Neste ambiente, uma pessoa menos sensível a sua consciência, antes de ser acolhedora e amável para com o outro, ela é indiferente. Já uma pessoa mais sensível, antes de ser interessada e preocupada com o bem do próximo, ela é intransigente e preconceituosa.

O deus errado

Para muitas pessoas, a consciência é quase tudo o que elas têm como via de acesso para o conhecimento de Deus. Essa voz mansa que as faz sentirem-se culpadas e infelizes, antes, durante e depois de praticar o mal... Mas transformar a consciência em Deus é uma atitude altamente perigosa. A consciência não pode, de modo algum, ser considerada como um guia infalível.
A consciência pode ser facilmente desenvolvida, ignorada ou pervertida pelo indivíduo. Mesmo admitindo-se que toda pessoa normal tem um senso moral latente pelo qual pode distinguir o certo e o errado, o desenvolvimento, a estagnação ou a perversão desse senso depende, em grande parte, da educação e da propaganda.
Sem Deus ninguém tem autoridade para defender suas próprias idéias sobre o que considera certo, além de seu próprio senso moral. Não havendo um Deus através do qual o “certo” e o “errado” possam ser avaliados de modo fidedigno, os juízos morais serão apenas meras opiniões que poderão estar influenciadas pela educação e propaganda.
Seu Deus é pequeno demais (J. B. Phillips)
 Desafios para nós
"De fato, quando os gentios, que não têm a lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seus corações. Disso dão testemunho também a consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os." (Romanos 2:14-15)
Paulo explica, que a revelação geral de Deus sobre Si mesmo como Deus bom que exige o bem, confronta os homens com a responsabilidade moral. Na verdade, entender ou ‘ouvir’ a consciência é algo que precisa ser ‘aprendido’ ou ‘treinado’. Para os judeus, Deus os deu a lei tornando explicitas as expectativas morais. Paulo fala que para os gentios eles fazem ‘por natureza’ aquilo que é requerido pela lei. O que será que Paulo quer dizer com a expressão ‘fazem por natureza’?

Paulo está dizendo que existe uma consciência em toda humanidade, independente da cultura, que permite ao homem julgar seus atos e da sociedade, discernindo o que é bom e o que não é. A isso damos o nome de Lei Moral.

No livro ‘Abolição do Homem’, C. S. Lewis faz um exercício para mostrar que a humanidade tem uma Lei Natural (ou consciência moral) que a acompanha, indiferente da cultura ou época, são valores básicos e pertinentes ao homem. A esse conjunto, Lewis deu o nome de Tao, a convicção de que certas posturas são realmente verdadeiras, e outras realmente falsas, a respeito do que é o universo e quem somos nós. 

Interessante que está lei não determina o que o homem irá fazer, mas o orienta para saber o que é correto fazer em determinada situação, ou seja, a capacidade do homem desobedecer a essa lei é justamente o que nos diferencia dos animais. Somos capazes de avaliar nossos instintos e agir de acordo com a consciência que há em nós, isso nos torna único na criação e próximos de Deus, semelhantes.

Porém, como vimos anteriormente, a Lei Moral não é suficiente em si mesma como acesso para Deus, e mais perigoso ainda quando a confundimos com o próprio Deus. A Bíblia continua sendo a nossa fonte infalível da revelação de Deus ao homem.

O que a Bíblia nos ensina

Que a consciência pode ser negada ou pervertida pela prática do mal
Paulo adverte Timóteo de que ele deveria enfrentar a apostasia nos tempos que ele estava vivendo (I Tm 4:1-5), alguns havia tornado a sua consciência insensível.
"Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência." (1 Timóteo 4:2)
Que existem diferenças de consciência entre os indivíduos
Havia alguns atritos na igreja de Coríntio (I Co 8 e 10) e Roma (Rm 14) sobre o que era pecado, pois existia diferença entre os cristão na hora de julgar algumas coisas, por exemplo, sobre aquilo que se pode comer ou beber, sobre dias santos...
"Se algum descrente o convidar para uma refeição e você quiser ir, coma de tudo o que lhe for apresentado, sem nada perguntar por causa da consciência.
Mas se alguém lhe disser: "Isto foi oferecido em sacrifício", não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência, isto é, da consciência do outro e não da sua própria. Pois, por que minha liberdade deve ser julgada pela consciência dos outros?" 1 Coríntios 10:27-29
Que a consciência deve ser desenvolvida, para podermos verdadeiramente discernir entre o certo e o errado
A nossa consciência precisa ser renovada e regenerada pela obra redentora de Jesus
"Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa." (Hebreus 10:22)
O desenvolvimento da nossa consciência deve estar relacionado à fé no evangelho, em Jesus. Ensinos de Paulo ao seu discípulo Timóteo: 1:5 (em relação ao ministério pessoal de Paulo), 1:18-19 (em relação ao ministério de Timóteo), 3:8-9 (em relação aos diáconos).
"Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida." (1 Timóteo 1:5)
"Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé." (1 Timóteo 1:19)
"Guardando o mistério da fé numa consciência pura.' (1 Timóteo 3:9)
Desenvolver uma boa consciência nos ajuda a enfrentar o sofrimento: 1 Pe 2:18-19
"Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente." (1 Pedro 2:19)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O encontro do jovem rico com Jesus - parte III

E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.
Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.
E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.
Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.
Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo?
Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna. Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.


Para refletirmos sobre esse encontro histórico, registrado por 3 evangelistas (Mateus 19:16-30, Marcos e Lucas 18:24-30), eu gostaria de convidá-los a olhar individualmente para os 3 personagens dessa história. E para facilitar a leitura, cada postagem abordará um dos personagens.

Pedro, um dos discípulos.
Pedro observara atento esse encontro entre Jesus e o jovem rico. E perplexo com a cena ouviu Jesus dizer que os ricos teriam dificuldade de entrar no reino de Deus (23-24), pois suas mãos estariam agarradas a riqueza e teriam dificuldade de soltá-las para poder agarrar a Deus. Mais enfático ainda, e com certo humor, Jesus havia dito que o maior animal da Palestina teria mais facilidade para entrar no menor buraco que eles conheciam do que um rico entraria no reino dos céus, ou seja, a situação que se revela agora é de impossibilidade e não mais de dificuldade.

Pedro e seus companheiros ficaram espantados com a afirmação de Jesus. O rico na cultura judaica era sinal de bênção divina, ainda mais para alguém que era moralmente irrepreensível pela comunidade. Se os ricos que tinham tantos benefícios não entrariam no Reino, a pergunta que não deixava de atormentá-los era: Então quem pode ser salvo? Essa pergunta dos discípulos era honesta.

A resposta de Jesus foi direta. Realmente é impossível o homem encontrar salvação nos seus esforços, pelo seu mérito, a justiça do homem não é a justiça de Deus. A corrupção do homem o tornou incompetente e impotente para se voltar a Deus. A distância que o homem havia percorrido para longe do Criador se tornara impossível de um retorno. Porém Jesus anuncia o evangelho da graça, que aquilo que fora impossível ao homem Deus fez enviando seu Filho ao mundo para pagar o preço pelos nossos pecados, como expiação pela nossa culpa, o sacrifício vicário. Jesus estava preparando seus discípulos para o que estava para acontecer, isso tanto é verdade que logo na seqüência dessa narrativa Ele prediz novamente sua morte e posterior ressurreição (Mc 10:32-34).

O evangelho de Lucas (19:1-10), conta-nos que logo a seguir Jesus teve encontro com outro homem rico, neste caso um dos líderes dos cobradores de impostos e de moral questionável, porém que de prontidão se arrependeu. A dificuldade de participar do reino de Deus não está na riqueza em si, mas no quanto nos apegamos aos bens, as pessoas e as idéias, o quanto compartilhamos a primazia de Deus em nosso coração com as demais coisas que nos são importantes.

Na seqüência, Pedro reforçou a memória de Jesus que ele e mais 11 de seus colegas haviam largado tudo para segui-Lo, ao contrário do jovem rico. E Jesus respondeu que é impossível dar a Deus mais do que Ele nos dá. Jesus ainda revelou a tensão entre o presente e o futuro, as bênção do reino de Deus que já experimentamos acompanhado das tribulações, e a certeza de participar no mundo a porvir, restaurado e redimido.

A ordem do reino de Deus não segue a ordem econômica deste mundo. Os privilégios do dinheiro e do poder não tem influência alguma no reino de Deus.
Só Jesus tem as palavras da vida eterna. “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus. (Jo 6:68-69).”
 Conclusão
O reino de Deus é um reino que não pode ser conquistado. Os discípulos de Jesus entenderam que ninguém é bom o suficiente para ser salvo. A salvação procede do Senhor, e é por isso que Jesus veio salvar o que estava perdido, o pecador arrependido. Para Deus não há impossíveis!

Ao mesmo tempo a entrada no reino requer compromisso de fazer todas as coisas segundo a vontade de Deus e não a sua própria. Esse é um dos paradoxos do cristianismo, a salvação envolve um comprometimento radical, embora não possa ser merecida. Para Deus não há impossíveis!

Que haja confissão sincera de nossa parte, arrependimento e confiança em Jesus. Ainda que para segui-lo seja necessário abrir mão de algumas coisas e que tenhamos que encarar situações desfavoráveis. Que o Senhor nos dê a Sua bênção e a Sua paz. Amém!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O encontro do jovem rico com Jesus - parte II

E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.
Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.
E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.
Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.
Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo?
Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna. Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.


Para refletirmos sobre esse encontro histórico, registrado por 3 evangelistas (Mateus 19:16-30, Marcos e Lucas 18:24-30), eu gostaria de convidá-los a olhar individualmente para os 3 personagens dessa história. E para facilitar a leitura, cada postagem abordará um dos personagens.

Jesus, o bom mestre.
Jesus estava entrando na Judéia, a província que continha a capital Jerusalém. O fim do ministério de Jesus se aproxima. Após mais de 3 anos revelando graça e misericórdia, Jesus estava prestes a ser oferecido na cruz como oferta pelos nossos pecados de uma vez por todas.

Ao por os pés na Judéia, em caminho a Jerusalém, Jesus foi novamente interpelado pela multidão, pelos fariseus, pelas crianças, e em particular por um homem, que o evangelista Marcos destaca, embora não nos forneça seu nome. No meio deste tumulto, um homem famoso e com aparência de rico se aproximou correndo e ajoelhou-se diante de Jesus, o chamando pela expressão ‘bom mestre’.

A saudação do homem, ainda em idade jovem, revelava reverência ao mestre cuja fama percorria por todo Israel. Mas tal reverência era exagerada para alguém que não confessasse Jesus como o Messias, o Cristo que haveria de vir e redimir a humanidade dos seus pecados, o Deus encarnado que nos amou a tal ponto de se humilhar assumindo a forma de servo. Este jovem não reconhecia Jesus como Senhor e ainda sim se ajoelhava e o chamava de bom.

A repreensão de Jesus a esta atitude não está no fato de reconhecer a si mesmo como pecador, pelo contrário, mas para chamar atenção de que apenas Deus é bom em sua essência. A ênfase de Jesus está em fazer seu admirador perceber que não há nada que o homem possa fazer para merecer a salvação, para ser bom, moralmente justo diante de Deus. Enquanto o homem o bajulava para receber alguma aprovação, Jesus o faz perceber a implicação de sua saudação.

Jesus nunca deixou sua divindade em dúvida. Os evangelhos deixam isso claro. Ele é o legítimo Filho de Deus, em quem o Pai se compraz (Mt 4:17). Ele é um com o Pai (Jo 10:30). Ele tem poder perdoar os pecados (Lc 5:24). Ele é o ‘Eu sou’ (Jo 8:58), o caminho, a porta, a verdade, e a vida (Jo 10). Ninguém chega ao Pai se não for por Ele (Filho). A divindade de Jesus está clara nos evangelhos, e um dia, querendo ou não, todos reconhecerão que Jesus Cristos é o Senhor, confessarão e se prostrarão diante dEle (Fp 2:9-11), não como o jovem rico o fez, mas intencionalmente e conscientemente se renderão diante a Sua glória.

O texto também nos revela o amor de Jesus. Apesar de conhecer a pobreza deste homem rico, e não se iludir com as bajulações que recebeu, de percebe que não havia arrependimento no coração do jovem, a despeito de tudo isso, Jesus o amou. Jesus o olhou e o amou profundamente.

Jesus amou o homem rico como ele era, embora não desejasse que ele permanecesse no mesmo estado de engano que se encontrava. O amor de Jesus não tem condições ou prerrogativas, entretanto ele não é indiferente ao nosso estado de miséria. O amor de Jesus nos confronta, traz conhecimento sobre o nosso estado, busca o nosso bem, realmente se importa com o nosso modo de viver. E aí está a verdade do cristianismo que muitos não entendem. Deus nos criou e sabe perfeitamente o que é ser humano. No Criador está o sentido da vida, porém toda vez que nos afastamos de Deus e procuramos sentindo substituindo a comunhão com o Criador por artefatos, pessoas ou idéias, caminhos em rumo oposto a verdadeira humanidade. Jesus veio nos trazer a possibilidade de vivermos a humanidade novamente.
Deixe o amor de Jesus, o Filho de Deus, restaurar o seu coração. “Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável (Sl 51:10).”

segunda-feira, 28 de março de 2011

O encontro do jovem rico com Jesus - parte I

E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.
Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.
E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.
Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.
Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo?
Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna. Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.


Para refletirmos sobre esse encontro histórico, registrado por 3 evangelistas (Mateus 19:16-30, Marcos e Lucas 18:24-30), eu gostaria de convidá-los a olhar individualmente para os 3 personagens dessa história. E para facilitar a leitura, cada postagem abordará um dos personagens.

O Jovem rico. 
A narrativa que acabamos de ler nos diz que um homem se aproximou correndo diante de Jesus e se ajoelhou diante dele. O texto pouco nos diz sobre ele, a não ser que era dono de muitas propriedades. Na narração de Lucas (18:18) percebemos que ele era um homem importante, e no evangelho de Mateus que este homem era jovem e rico (19:20,22).

Não era uma situação comum um homem se prostrar diante de um rabino (ou mestre), muito menos usar a palavra bom para se referir a alguém, este era um atributo reservado a Deus e não aos homens, e qualquer sujeito com instrução na cultura judaica saberia disso. Apesar de já ter ouvido a fama de Jesus, suas obras, poder e autoridade com que as executavam, muito nos estranha o fato deste homem agir dessa forma, ainda mais sendo alguém importante, nobre em Israel. Isto nos dá indício de que algo perturbava sua alma.

Numa cena anterior, Jesus disse: ‘quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele’ (10:15). Com certeza este homem ouviu essas palavras de Jesus e é provável que sua alma se angustiasse com as incertezas que possuía sobre o reino de Deus. O que fazer para possuir a vida eterna? Como entrar neste reino?

Ao ouvir Jesus respondendo sua pergunta com os mandamentos, e todos relacionados ao trato com o próximo, o homem de prontidão responde que há muito tempo os conhecia e observava. Assim como sua aproximação de Jesus revelava certa afobação, um ato não muito refletido, sua resposta seguiu o mesmo caminho. Eu já conheço tudo isso Jesus e me exercito constantemente para cumpri-lo. O que mais me falta? Eu vou herdar o reino de Deus ou falta realizar alguma coisa para possuí-lo?

Ao responder a pergunta que estava no seu coração, pela segunda vez, Jesus revelou ao jovem que pouco ele conhecia sobre si mesmo. Ele não cumpria todos os mandamentos. Havia algo que ele achava possuir, mas que na verdade possuía sua alma. Ao tomar conhecimento desta verdade, e se deparar escravo das riquezas, adorador de Mamon, idólatra, dando falso testemunho e com um coração cheio de cobiça, o homem percebeu o quanto estava enganado acerca de si. O seu pecado estava oculto a si mesmo, mas agora fora posto a luz diante do bom mestre.
 “Diante de ti puseste as nossas iniqüidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos (Sl 90:8).” 
Toda vez que nos achegarmos com honestidade diante de Jesus iremos reconhecer o nosso estado real. Nossas misérias serão expostas, pois a luz resplandece sobre as trevas. A escuridão de nossa alma é facilmente desvendada por Jesus, nossa moralidade falida não pode enganá-Lo, pois Seus olhos penetram no nosso íntimo e são hábeis para discernir os intentos do nosso coração.

A narração nos leva a concluir uma tragédia. O jovem que pela sua posição não tinha o hábito de ser contrariado, saiu triste e cabisbaixo. Atrás de aprovação recebeu em troca um convite ao arrependimento, a oportunidade de verdadeiramente ser livre. Porém ele não correu para se ajoelhar novamente diante de Jesus, agora sim de forma conscientemente. O jovem amou mais as riquezas deste mundo, onde a traça e a ferrugem a corroem (Mt 6:19-20). Ele endureceu o seu coração e não deu ouvido a voz de Jesus, persistiu na idolatria, a substituir o verdadeiro Deus pela ilusão das riquezas.
 Irmãos, hoje, se ouvirdes a voz de Jesus, não endureçais o vosso coração (Hb 3:15 ).

segunda-feira, 21 de março de 2011

O exemplo de José frente a tentatção

José era atraente e de boa aparência, e, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou: "Venha, deite-se comigo! "
Mas ele se recusou e lhe disse: "Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.
Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?"
As tentações e provações fazem parte da vida cristã. A Bíblia diz que as tentações são resultados das concupiscências dos nossos olhos, dos nossos desejos por algo que não seja correto. Já as provações são decorrentes de situações adversas que nos alcançam, e dependendo da firmeza da nossa fé iremos enfrentá-las com sobriedade resistindo o mal e o sofrimento. O Cristão precisará encarar essas situações com certa freqüência durante a sua vida.

O livro de Tiago nos dá uma dica de como enfrentar o mal. Ele nos encoraja a resistir o diabo de frente, a resistir o mal. Porém resistir algo não significa ficar parado encarando tal coisa, ainda mais quando o assunto é a tentação, a recomendação é que nos comportemos como José, fugindo dela.

Existe mais um conselho bíblico que está diretamente relacionado com a nossa reflexão, e ele diz respeito ao exercício do autoconhecimento. Precisamos desenvolver uma consciência correta daquilo que somos, (Rm 12:3) sem cair no orgulho, e muito menos na autopiedade. De um lado é preciso ter o conhecimento de que nenhuma tentação nos sobrevirá que estará além das nossas forças, e por outro lado, aquele que está em pé deve tomar cuidado para não cair (I Co 10).