terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Aquele que tem ouvidos ouça...

"Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva: "Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus. Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. Você diz: 'Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada'. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu. Dou-lhe este conselho: Compre de mim ouro refinado no fogo, e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar. "Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. "Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas".

Apocalipse 3:14-22

O livro de apocalipse escrito pelo apóstolo João é provavelmente o mais difícil de se interpretar, e paradoxalmente o mais aterrorizante e esperançoso livro da Bíblia. “Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo” Ap 1:3. A felicidade acompanhará aquele que não é apenas ouvinte mas também praticante, aquele que é sábio e constrói sua casa sobre a rocha, aquele que não engana a si mesmo (Tg 1:22, Mt 7:24-27). Conseqüentemente, o pavor há de acompanhar aqueles que lêem as palavras desta profecia e a ignoram.

Reconheço minha dificuldade para interpretar as profecias de apocalipse e meu total desinteresse em desvendar todos os mistérios envoltos nas imagens presentes ao longo da narração; entretanto, meu interesse pela leitura e entendimento da mensagem central dessas profecias é inversamente proporcional, as sentenças de Jesus me atraem e soa como um refrigério para minha alma, e acredito que para todo cristão genuíno ocorre o mesmo sentimento ante essas revelações do Cristo glorificado.

A carta à igreja de Laodicéia muito me chama atenção. E não é pra menos, uma vez que Cristo desenha uma cena na qual ele bate a porta da igreja para que possa entrar e ceiar com seus supostos seguidores. Àquele que deve ser cultuado está fora da assembléia! Duas imagens me vêem a mente, a degringolada igreja de Laodicéia do final do século I à qual as profecias foram proferidas, e em segundo plano, mas não obstante, a igreja cristã atual que está às vésperas da volta de Cristo.

Um olhar sensato e desprovido de ufanismo nos levará a um diagnóstico rápido e certeiro, essa confusão que encontramos e que muitos denominam como cristianismo descreve perfeitamente a religiosidade humana, entretanto parte nenhuma tem com a Igreja, o Corpo de Cristo. Não há mais intensidade em nossos relacionamentos, somos superficiais e relapsos no trato com o próximo, quanto mais em relação ao Senhor, a quem não vemos. Somos mornos e estamos a ponto de sermos vomitados da boca do Senhor e pronto para ser pisado pelos homens (Mt 5:13).

A Palavra do Senhor há muito já foi substituída por livros de auto-ajuda, a fé que professamos é oriunda de uma teologia triunfalista que procura trazer o céu para a terra e não espera mais por novos céus e nova terra (ap 21:1), exigimos a prosperidade ainda que para sustentá-la tenhamos que sacrificar o evangelho de Jesus, o hedonismo reina em nossas comunidades e o individualismo é a marca das bestas. Julgamos estar rico, mas a pobreza e a nudez nos assolam.

O Senhor Jesus está à porta e nos chama. Não sejamos duros de coração. Que haja sensatez, e assim reconheçamos que estamos desprovidos de salvação, graça, amor e do próprio Cristo. Que o bom juízo nos leve ao reconhecimento de nossa fraqueza, a compreensão da suficiência na graça de Jesus e não em nossa religiosidade.



Ruínas de Laodicéia

sábado, 13 de janeiro de 2007

Autenticidade

Pensar em autenticidade é tão complicado quanto enxergá-la

Em dias que a imagem é tão marcante

E o ter o mais importante

Ser já não é relevante


Verdadeiro

Real

Genuíno

Aquilo que se outorga fé

Autor a quem se atribui


Não é fácil

A confusão entre autor e ator vai além do u em questão

Não é apenas uma redução

É uma atuação


Para uma aquisição ou manutenção

Sempre vem a autenticação

Porém é apenas uma negociação

Só aí a enxergamos


Talvez a explicação mais plausível não seja a corrupção

Quem sabe em primeiro venha à desvalorização

Não da moeda, mas do homem


Atrevo me a ir além

A origem desse caos moral

Talvez seja nosso ancestral

Para muitos o macaco, para outros Adão

O fato é – esquecemos do Criador


Como pensar no autêntico longe de sua origem?


Assimilando o pensamento de Schaeffer

Esse é o espírito do anticristo – sua mensagem

Deturpam-se as palavras de Cristo

Calam-se os HAJAS de Gênesis

Exalta-se o acaso, a sorte, a superstição, o sucesso, a vitória, a imagem...

Tudo em detrimento da Verdade


A vaidade reina soberba

O hedonismo é o timão

A que atribuiremos a âncora?

É óbvio que estamos na contra-mão

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

ENTREM PELA PORTA ESTREITA


"Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram.”

Jesus Cristo (Mateus 7:13-14)

O final do Sermão do Monte é bastante interessante, a partir da metade do capítulo 7, Jesus conta 3 parábolas para ratificar os ensinamentos anteriores, dentre essas, encontramos a curta parábola acima que em apenas 2 versículos nos adverte aos perigos de uma vida displicente e indiferente aos ensinamentos de Cristo.

Lembremos as primeiras pregações de Jesus, cuja temática era: Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo (Mt. 4:17). Agora como desfecho, Cristo diz não ser fácil entrar no Reino, pois o arrependimento pregado por Ele é o estado da alma do pecador que o leva há uma mudança de vida, conhecida como o novo nascimento, uma obra espiritual, divina, com conseqüências visíveis e palpáveis no cotidiano do pecador arrependido.

Essa conversão, descrita pelo apóstolo Paulo tem dois aspectos, o divino e o humano. No aspecto divino ele diz na carta ao seu discípulo Tito: Mas quando, da parte de Deus, nosso Salvador, se manifestaram a bondade e o amor pelos homens, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador (Tt 3:4-7). Ou seja, Deus na sua multiforme graça, exerceu misericórdia sobre o homem, atraindo-o a Si mesmo através da obra de Jesus, convertendo nosso coração. Por outro lado, Paulo afirma na sua carta aos romanos: Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:1-2). Ao mesmo tempo em que a obra é divina, somos exortados a uma vida piedosa, não se deixando embaraçar pelos prazeres desse mundo e muito menos a se conformar com este século, no qual o seu príncipe tem cegado a muitos e os levado a uma disposição mental reprovável. Por isso irmãos, acheguemo-nos a Deus, desprovidos de toda auto-suficiente, com coração sincero e humilde, oferecendo-nos como sacrifício a Deus.

Infelizmente, o cristianismo hoje em voga, não é o verdadeiro, mas um falso, promovido pelo espírito do anticristo. Aprendemos que todo caminho leva a Deus, e que a voz do povo é a voz de Deus. Mentira! Anulam as palavras de Jesus – Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vêm ao Pai senão por mim (Jô. 14:6); Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! ( Mt. 7:14). A situação da igreja evangélica também não é nada animadora, prega-se prosperidade, triunfo, glória, poder, cura, vitória, alegria, paz... fazendo de Cristo uma mera força positiva, ou um santo superior, ou ainda o Papai Noel de todos os dias.

Gostaria de trazer a nossa memória duas admoestações, a primeira do profeta Oséias: Semeiem a retidão para si, colham o fruto da lealdade, e façam sulcos no seu solo não arado; pois é hora de buscar o SENHOR, até que ele venha e faça chover justiça sobre vocês (Os 10:12). A próxima é do profeta Isaías: Busquem o SENHOR enquanto é possível achá-lo; clamem por ele enquanto está perto (Is. 53:6). Amoleçam o coração, não se esqueçam de que nossa vida é curta e que o dia do Senhor se aproxima!

Na epístola de Judas, encontramos um apelo ao Jesus glorificado, a fim de que sejamos encontrados fiéis, e esse clamor que encerra a epístola cabe perfeitamente ao encerramento dessa meditação: Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém.