sexta-feira, 21 de julho de 2017

Proclamação e testemunho do evangelho andam lado a lado

O nosso Senhor Jesus deu uma missão para os seus discípulos (nós, a Igreja): pregar o evangelho e fazer discípulos em todos os lugares (Mt 28.19-20). A missão é o ‘Ide’, que engloba o aqui e o acolá. Desde o recebimento dessa ordem, a Igreja tem se empenhado em cumpri-la, é verdade que às vezes a contragosto (como em Atos 8.1-4).

O missionário brasileiro Ronaldo Lidório, ao traduzir o Novo Testamento do original grego para a língua Limonkpeln (um dos dialetos do povo Konkomba, em Gana, África), percebeu que há dois termos largamente usados no Novo Testamento, que muitas vezes estão juntos e que retratam o caráter cristão: proclamação e testemunho. O termo grego para ‘proclamação’ é ‘Kerygma’: a forma estratégica e inteligível de comunicar a mensagem do evangelho. É a Igreja se preparando, estudando e analisando as possibilidades de comunicar o evangelho a um grupo, seja uma pessoa, família ou povo. Isto é Kerygma.

Já ‘Martíria’ é o termo grego para ‘testemunho’ e sempre está ligado ao Kerygma. Entretanto Martíria não é uma proclamação inteligível e estratégica como encontro de casais, acampamentos evangelísticos, evangelismo explosivo ou células familiares. Martíria é testemunho de vida, a personalidade transformada pelo Senhor. É domínio próprio em casa, ser justo com os empregados, ser brando no falar. É ser a imagem de Jesus.
“A Igreja foi chamada para ser primeiramente Martírica – viver com fidelidade tudo aquilo que crê – e só então assumir uma postura Kerygmática” (Ronaldo Lidório).

O desafio diante de nós é buscar esse equilíbrio ao compartilhar o evangelho, para que a pregação seja adornada por uma vida íntegra, cheia de Jesus não só nas palavras, mas também nas ações. Que Deus nos abençoe para que possamos contar com a simpatia de todo o povo de Viçosa e ver o Senhor acrescentar diariamente à IPV os que vão sendo salvos.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Palavra de Deus

Certa vez, tive a oportunidade de visitar uma clínica de recuperação para homens que lutam contra a dependência de álcool e drogas. O que me marcou foi presenciar o entusiasmo de cerca de 30 homens louvando ao Senhor, em alto tom e com palmas fortes, muita vibração, comunicando gratidão e lamento ao mesmo tempo. Após os cânticos, li e estudei com os internos o Salmo 40, uma oração de Davi, tentando fazer algumas correlações com a situação que viviam, procurando exortá-los a buscar o Senhor e permanecer firmes nele. Ao retornar de lá, fiquei pensando na história deles; embora tenha ouvido o relato de poucos, todas têm algo em comum. Um dia, a bebida (ou a droga) entrou na vida deles e tornou-se parte do ser deles, a ponto de perderem o rumo da vida e começarem a perder tudo, tornando-se inaptos para trabalhar, insuportáveis aos colegas, um peso à família, indignos e sem estima nenhu­ma. Para eles, a internação foi a última oportunidade e, para a maioria, precisou ser um ato compulsório. O poder destruidor dessas drogas me deixou perplexo, ainda mais ao lembrar que Viçosa tem sido bastante assolada por essa desgraça. Não são poucos os jovens que experimentam e iniciam seu consumo regular já no início da vida. No Salmo 40, encontrei consolo e esperança para essa situação. Davi testemunhou: “quando a Palavra de Deus entrou na minha vida, ela se tornou parte do meu ser” (v. 8, Bíblia A Mensagem). De maneira inversa aos entorpecentes, a Palavra de Deus, quando passa a fazer parte do nosso ser, restabelece as afeições, devolve a dignidade, restaura os relacionamentos, norteia a vida e dá significado à existência. A minha oração passou a ser que a Palavra de Deus encontre solo fértil no coração desses jovens e que sejam transformados para a glória de Deus. A oração se estende a cada um de nós: que a Palavra de Deus não seja apenas ouvida por nós, mas que se torne parte do nosso ser, moldando nossa vida à imagem de Jesus, nosso Senhor. Amém. 

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Fixem os seus pensamentos em Jesus!

“Fixem os seus pensamentos em Jesus” (Hb 3.1).

Certa vez, li um artigo do pastor e teólogo John Stott me advertindo que a batalha da santidade se travava na mente. E é a mais pura verdade! Paulo nos adverte a manter o pensamento nas coisas lá do alto (Cl 3.2) e, mais, que o nosso pensamento deve ser povoado por aquilo que é verdadeiro, “tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor” (Fp 4.8).

Se eu quero viver uma vida que agrade a Deus, o caminho é “levar cativo todo pensamento” ao senhorio de Jesus Cristo (2Co 10.5), pois, assim, não apenas os meus impulsos pecaminosos serão dominados, mas também as afeições santas começarão a brotar dentro de mim. O autor de Hebreus nos exorta a fixar e não deixar “ao léu” os nossos pensamentos. A ideia é de sobriedade, prontidão e disciplina. Um exercício devocional que deve nos acompanhar por todas as horas do dia, por toda a vida. Essa tensão se dá porque vivemos rodeados pelo pecado, sobre assédios e tentações tais que, nos momentos de distração, parecem-nos irresistíveis.

Porém, se mantivermos os nossos olhos fitos em Jesus e desenvolvermos o hábito de pensar naquilo que fortalece a nossa fé e perseverança, é certo que alguns alvos mudarão rapidamente em nossa vida. Talvez um desses alvos, tão salutares à vida cristã, seja buscado: “Continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se” (Ap 22.11).

A recomendação bíblica que recai sobre essa disciplina cristã é a de que ela seja não apenas uma atitude individual, mas também comunitária. Podemos e devemos nos exercitar juntos o foco em Jesus – em levar nossos pensamentos cativos ao senhorio de Jesus Cristo, em nos desvincular das mentiras desse mundo, sejam elas na forma de tentações, tristezas, desesperanças, sejam ideologias ou sofismas que encontrarmos pelo caminho.


Será muito mais fácil fazê-lo em comunidade. Sendo assim, o imperativo é para toda a comunidade: “Fixem os seus pensamentos em Jesus”. E queremos estender esse convite aos estudantes que regressam a Viçosa para o período letivo e aos calouros que estão chegando. Venham caminhar conosco focados em Jesus, na sua obra redentiva e desfrutar de todas as bênçãos espirituais das regiões celestiais que ele deixou ao nosso dispor.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Os segredos do coração

“Pois ele (Deus) conhece os segredos do coração!” (Salmo 44.21, NVI)
A Bíblia faz afirmações sobre Deus que frequentemente nos assustam. Essa afirmação do Salmo 44 é uma delas: Deus conhece os meus segredos, aquilo que procuro esconder dos outros, ou até de mim mesmo – seja um fato, seja um desejo, um sentimento ou qualquer coisa sobre mim que eu não queira que venha a ser conhecido. E temos muitos motivos para isso, por exemplo, vergonha e medo.

Até mesmo da pessoa mais próxima é possível esconder coisas que demorem a ser reveladas. Porém, diante de Deus essa é uma situação impossível. É impossível enganar Deus. Não há como nos esconder de Deus, nem mesmo esconder aquilo que está no mais íntimo de nosso ser, muito bem guardado.

O salmista aqui é um levita, da descendência de Corá, um clã organizado pelo rei Davi para cuidar da música no templo. Nesse poema, ele opõe aos triunfos do passado as humilhações do tempo presente, provavelmente uma derrota militar que colocou a nação numa situação difícil e vexatória. Na súplica que ele faz a Deus, lembra que eles permaneceram fiéis à aliança (v.17-22), e Deus poderia constatar essa verdade por conhecer os segredos do coração. Coração é o termo antropológico mais importante do Antigo Testamento (lēb e lēbāb). Segundo O. R. Brandon, o termo é usado no sentido psicológico como o centro da vida interior do homem, a fonte dos motivos, o centro das paixões, o âmago dos processos do pensamento, a fonte da consciência.

A Bíblia nos ensina que o conhecimento dessa verdade sobre Deus deve nos levar ao arrependimento (Sl 139. 23-24 e Hb 4.12-13) e ao louvor a Deus (Sl 139.17-18 e Rm 11.33-36). Além disso, não podemos nos esquecer de que essa revelação sobre Deus deve conduzir o seu povo ao descanso, à paz, à autoimagem apropriada, à confiança, uma vez que o Deus verdadeiro, que conhece todas as coisas, inclusive o nosso ser, enviou o seu Filho Amado, Jesus Cristo, para nos trazer reconciliação, e nos selou com o seu Santo Espírito para garantir a nossa redenção.


Ao Deus, que conhece os segredos do meu coração e é poderoso para me guardar de tropeços e me apresentar puro diante da sua glória, a Ele todo o louvor!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O Evangelho na casa de Priscila e Áquila

É impressionante como o evangelho estava presente na casa de Áquila e Priscila!
Áquila era judeu, natural do Ponto. Quanto à Priscila, não temos convicção de sua naturalidade.
Estamos falando de um casal hospitaleiro: acolheram o apóstolo Paulo em casa e no trabalho. Acolheram Apolo e o instruíram nas verdades do evangelho. Acolheram a igreja em sua própria casa: em Corinto (1 Co 16.19), em Éfeso e em Roma (Rm 16.3-5).
É impressionante a flexibilidade que essa família tinha para se mudar! Parece que, a partir do momento em que passaram a integrar a equipe missionária de Paulo, a mudança se tornou uma prática. Porém, o que mais impressiona é a forma como estavam conectados à igreja e à obra missionária, pois passaram a tomar as decisões de mudança em função das demandas do reino de Deus. Também vemos a coope­ração deles com a igreja ao identificarem a necessidade de discipulado de Apolo para melhor desenvolver o ministério. E participaram com aqueles que apoiaram Apolo na sua viagem missionária a Corinto.
O evangelho também tornou essa família cooperadora em particular no ministério apostólico de Paulo. Paulo os chamou de cooperadores e os recrutou para um trabalho pioneiro em Éfeso (At 18.18-19). Paulo mencionou que eles eram tão compa­nheiros, que arriscaram a própria vida pelo apóstolo (Rm 16.4).
Uma família transformada pelo evangelho coopera com ele sinalizando as suas virtudes e o seu poder. O evangelho faz isso conosco. Ele nos exorta à prática da hospitalidade, nos lembra de que somos chamados para compartilhar esse tesouro da fé em Cristo e nos leva para onde podemos servir melhor a igreja.
O evangelho já chegou à sua casa, como no exemplo de Áquila e Priscila? E a sua casa já transpira a graça, o poder e as virtudes do evangelho?