sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

De que lado você está?

O Salmo 37 nos fala sobre a sabedoria para a vida, fala ao homem como encontrar dias felizes.
      foto Liz Valente
1.    Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade.
2.    Pois eles dentro em breve definharão como a relva e murcharão como a erva verde.
3.    Confia no SENHOR e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade.
4.    Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.
5.    Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.
6.    Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia.
7.    Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios.
8.    Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal.
9.    Porque os malfeitores serão exterminados, mas os que esperam no SENHOR possuirão a terra.
10. Mais um pouco de tempo, e já não existirá o ímpio; procurarás o seu lugar e não o acharás.
11. Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz.


O Salmo inicia com dois conselhos importantes:

1. Não te indignes (aborreças, enfades) por causa dos malfeitores (homens maus)
2. Nem tenhas invejas dos que praticam a iniqüidade (dos perversos)

Os dois conselhos andam juntos (vs 1, 7 e 8). Eles nos falam de como deve ser a nossa relação com os homens maus, com a maldade, com a iniqüidade.

Essas recomendações tratam de dois extremos que somos puxados para transitar quando lidamos com pessoas perversas, quando sofremos o mal. Ou somos consumidos pela ira, tornando-se fúria, obscurecendo o nosso bom senso. Ou somos tentados a caminhar por esses atalhos, caminhos errados, seduzidos pelo aparente sucesso que esses homens demonstram com suas trapaças e opressões.

Victor Frankl, um psiquiatra austríaco e judeu, que sobreviveu ao campo de concentração nazista disse o seguinte ao reforçar a sugestão do salmista: “ninguém tem o direito de praticar injustiça, nem mesmo aquele que sofreu a injustiça.” Um ótimo conselho seria: controle sua raiva, jogue no lixo sua ira. Isto apenas deixa as coisas piores.


Mais qual seria o contraponto para viver e enfrentar a injustiça (maldade)?

Olha para frente (vs. 2 e 10)! Não seja dominado pelas circunstâncias. O salmo nos diz que o mal é temporário, em contraste com o bem que é eterno. O salmista nos lembra da transitoriedade do homem mau, dos promotores do mal. Eles passarão e não se sustentará suas obras, a visão em longo prazo nos mostra que eles não terão futuro!

Olha para cima (vs 3-7)! O Salmo também nos fala sobre o sentido da vida. ‘Confia no Senhor’! ‘Deleite-se no Senhor’! ‘Entregue seu caminho ao Senhor’! ‘Descanse no Senhor’! O salmista nos lembra que não estamos sozinhos. O Criador se revela como Deus pessoal, relacional. Sempre presente, sempre agindo. Um Deus que tudo vê e que não nos deixou a nossa própria sorte, mas que intervém. Por isso tudo, mantenha comunhão com o Senhor.

Agora que conseguimos recuperar o nosso bom senso, o salmista vai além. Seja construtivo! Faça o bem (vs.3)! A única forma de enfrentar o mal é não deixar ser vencido por ele. “Vença o mal com o bem (Romanos 12:21)”! Esse é o modo de quebrar a corrente do mal, e ser promotor do bem.

Os que assim vivem encontrarão abundância de vida. Como o Senhor Jesus disse no Sermão do Monte – Bem aventurado os mansos, porque herdarão a terra (Mateus 5:5). Manso é aquele que escolheu o caminho da fé pacientemente, em comunhão com o Senhor encontrará força interna suficiente para obter uma vida equilibrada e regrada, uma vida com qualidade.


Por que eu estou falando isso?

A nossa sociedade precisa de mais cidadãos engajados com a promoção da justiça, que se alimentam da verdade, ainda que essa escolha lhes custe algum preço. Pessoas cheias de ideais e sonhos, firmes nos seus valores. Cristãos que não negociam com a iniqüidade, mas que antes confiam no Senhor.

Concluo com mais algumas palavras de Viktor Frankl: “As pessoas descentes formam uma minoria. Mais que isso, sempre serão uma minoria. Justamente por isso, o desafio maior é que nos juntemos à minoria. Porque o mundo está numa situação ruim. E tudo vai piorar mais se cada um de nós não fizer o melhor que puder”.

Por Pedro Paulo
Mar ADentro - edição 10 - out - 2010
Publicado Originalmente em Mar ADentro

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Libertinagem: sexualidade fantasiosa

Vivemos numa sociedade hedonista – orientada pelo prazer e este centralizado no sexo, que distorce o nosso conceito de felicidade e se confunde também com a realização do ser humano. Um ambiente no qual a libertinagem é apresentada como um bem a ser conquistado pelo homem.

A exploração do sexo na mídia é um exemplo de como estamos entorpecidos de tanta miséria. O homem deseja uma mulher coisificada, um mero objeto a ser possuído, que trará prazer e fortalecerá sua masculinidade. A mulher por sua vez procura ser desejada de qualquer forma, sensual e provocante atraindo a atenção e os olhares dos homens, exercendo domínio e poder através da luxúria, um falso conceito do que é ser feminino.

O amor foi reduzido nas relações como conseqüência direta da falta de comprometimento entre as partes. Possuir o outro de forma barata e descartável é vantagem aos olhos desses que andam como bêbados em plena luz do dia, sem perceber que essa vida individualista só conduz ao vazio, uma vida solitária e de constante insatisfação. Quanto mais possui menos saciado se sente, pois o prazer explorado é efêmero e descartável, como uma fonte não renovável.

O perigo de se envolver nesse jogo é conhecer e explorar a sexualidade de forma fantasiosa, enganosa, egoísta e má. Viver assim, explorando e sendo explorado, acaba por promover relações de instabilidade, descartáveis, sem compromisso e segurança emocional, totalmente desequilibrada. Uma instabilidade que leva a incontinência.

Imagine uma lata de refrigerante violada (aberta), sem gás, na temperatura ambiente. O que o fabricante diria sobre este produto? Provavelmente que ele não está dentro das especificações e que deixou de ser o produto original, que não passaria pelos padrões de qualidade, e que inclusive poderia comprometer a saúde do consumidor. O fabricante poderia dizer isso porque ele criou o produto e sabe identificá-lo, por isso ele traz consigo uma série de especificações. Estas nada têm haver com diminuir a satisfação (prazer) que o produto traz, mas pelo contrário, garantir que o consumidor encontre essa experiência. O mesmo podemos dizer sobre a libertinagem, esta seria como um refrigerante que perdeu sua característica original. E quem define isso é o próprio Criador, ou você acha que teria alguém melhor para nos orientar?

O contraponto para essa vida desgraçada é a pureza de coração. O monoteísmo é a oposição aquela vida que idolatra o sexo. O amor a Deus, comunhão e transcendência, é o caminho para encontrar perdão e força, misericórdia e graça.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
Mateus 5:8

sábado, 25 de dezembro de 2010

O nascimento do Salvador Jesus (Jogral de Natal)

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.

O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.
A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre.

O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.

Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.
Deleitar-se-á no temor do SENHOR; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres e decidirá com eqüidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso.
A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade, o cinto dos seus rins.

O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.

Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).

Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.

Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
E, subitamente, apareceu uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.

Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Jesus é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

Disse Deus: Jesus é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em Jesus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

Jesus é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.

Nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.

Tudo foi criado por meio de Jesus e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O verdadeiro sentido do natal

O feriado do Natal é muito comemorado no Brasil e em vários países do mundo, seja por pessoas cristãs ou não. É um momento tradicional de reunir a família em volta da mesa, trocar presentes, enfeitar a casa e para muitos uma desculpa para afrouxar os freios morais e sociais.

Não há nada de errado em reunir a família ou trocar presentes. O problema é que muitas vezes acabamos por nos esquecer do verdadeiro sentido do Natal. É muito comum nos esquecer o que estamos celebrando nesta data, e conseqüentemente substituir a adoração a Jesus por ideais de fraternidade que os elementos desta festa possuem, substituindo as boas novas do menino Jesus pelos presentes e glamour do Papai Noel.

O nascimento de Jesus, o Salvador foi anunciado pelo profeta Isaías 600 a.C.
Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. Deus, nos primeiros tempos, tornou desprezível a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, tornará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios.
O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.
Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste; alegram-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos.
Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas; porque toda bota com que anda o guerreiro no tumulto da batalha e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo.
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.
Isaías 9:1-7
O profeta nos trouxe a esperança de redenção por meio de um menino que viria ao mundo. Esse menino traria consigo luz ao mundo, as pessoas que andavam sem saber para aonde estavam indo (sem direção) seriam guiadas por esse bom pastor. Essa criança viria desfazer essa sombra da morte que aterrorizava a todos, o desespero de viver em inimizade com o próprio Deus.

A alegria de receber esta criança é comparada como momentos de festa pela provisão de uma grande colheita, ou pelo alívio de sair vitorioso na guerra. Essas imagens se assemelham muito com a missão do Messias, trazer libertação para os oprimidos pelo pesado jugo de seu opressor, saciar a fome daqueles que a muito se desviaram de Deus e não encontram alimento noutro lugar.

O menino que Isaías anuncia traz uma grande missão sobre os seus ombros, reconciliar o homem com Deus. Trazer a verdade, justiça e paz para um mundo em caos, essa sim a imagem final de seu trabalho.

Os nomes que a criança carrega consigo mesma nos revela sua identidade, o caráter de sua missão. A sabedoria que acompanha Jesus é sublime, Ele veio testemunhar a verdade. Seu reino não terá fim. E a salvação estará ao alcance de todos. A esperança que raiou, envolve a encarnação do Filho de Deus, seu nome será Deus forte. A imagem que o profeta nos apresenta é do próprio Deus intervindo na nossa história, nos amando e trazendo salvação. O mistério do Deus-homem vivendo e habitando entre nós, se humilhando, servindo e redimindo a sua criação.

A garantia que o profeta oferece é o zelo de Deus. O amor do próprio Deus é que fará isso. A intencionalidade é toda do Pai, sua misericórdia e graça nos levarão a esta realidade.

As palavras de Isaías não caíram por terra. Esse novo reino foi inaugurado pelo advento de Jesus, o menino que há mais de dois milênios trouxe a paz, Deus para perto de nós.
Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.
Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).
Mateus 1:20-23

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A nova humanidade

“Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos {ambos: judeus e gentios} fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito.
Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” Efésios 2:11-22

Paulo escreveu a carta de Efésios para cristão que em sua maioria não eram judeus, chamados pejorativamente de gentios, aqueles que não faziam parte da aliança de Deus com Israel.

A revelação de Deus à humanidade passa pela cultura judaica. Por mais de 2000 anos Israel foi a única nação monoteísta na face da Terra, em oposição ao politeísmo praticado pelas demais nações. A religião pagã estava centrada no conceito da existência de vários deuses que lutavam entre si pela hegemonia, corrompidos como os homens e inflamados por todo tipo de vício presente na humanidade. Esses deuses eram responsáveis pelos favores e pelos males que sobreviam ao homem. Para alcançar o favor de um deus pagão era necessário convencê-lo deste bem, isso envolvia relações de trocas e boa capacidade de persuasão.

Embora o paganismo possuísse uma infinidade de deuses, ao ponto de inclusive fazer um altar ao ‘deus desconhecido’ - tamanho era o receio de enfurecer uma dessas divindades, a sua religiosidade estava sem o Deus Verdadeiro, e por isso mesmo se mostrava inútil. Os gregos possuíam uma visão cíclica da história, na qual não havia um alvo para o qual todas as coisas estavam convergindo. Não havia ‘futuro’, esperança, estavam sem Deus no mundo.

O cenário desolador descrito pelo autor é rompido pela boa notícia de que Deus trouxe para perto àqueles que estavam longe, por meio do sacrifício vicário de Cristo. O objetivo de Deus era criar em si mesmo (em Jesus), dos dois povos, um novo homem.

A obra de reconciliação realizada por Jesus é anunciada por Paulo com entusiasmo, e seus privilégios são facilmente percebidos. O privilégio de ter acesso a Deus não cabe mais a um grupo étnico, logo todos estão em pé de igualdade perante Deus. O acesso a Deus não é mais por leis cerimoniais, mas ousadamente podemos nos aproximar do Santo dos Santos, o trona da graça de Deus, pelo novo e vivo caminho que Jesus nos abriu pelo seu corpo. A relação com Deus não está mais condicionada a mediação dos sacerdotes, ao templo de Jerusalém, mas a mesma glória de Deus que enchia o templo hoje habita em nós por meio do seu Santo Espírito.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

PREGUIÇA OU ACÍDIA


O preguiçoso fica em casa e diz: “Se eu sair, o leão me pega.”
O preguiçoso vira de um lado para outro na cama. Ele é como uma porta que gira nas dobradiças, mas, de fato, não sai do lugar.
Existe gente que tem preguiça até de pôr a comida na própria boca.
O preguiçoso acha que ele sozinho sabe mais do que sete homens capazes de dar respostas certas.
Provérbios 26:13-16
Ao contrário do que muitos pensam, a preguiça é um pecado do espírito e não da carne. Sua exclusividade está no fato de ser um pecado de omissão, e não de comissão, a ausência de uma atitude positiva, e não a presença de uma atitude negativa. 

A preguiça é muito mais que moleza, ociosidade física ou um estado de ‘letargia viciada em televisão’. Ela é a condição de desânimo espiritual explícito que desistiu de buscar a Deus, à verdade, ao bom senso e ao belo.
“Relaxar não é preguiça. A pessoa que nunca relaxa não é santa, mas nervosa.” Peter Kreft
Na realidade a preguiça é a melancolia moderna que nasce do ódio a todas as coisas espirituais que requerem esforço. A preguiça não suporta dificuldades ou penitência.

Mesmo que a preguiça possa começar com a indiferença negligente de certos ideais, seu estado final é de desespero em relação à possibilidade da salvação – basicamente uma forma de suicídio espiritual. 

Texto extraído de Os Guiness, livro Os Sete Pecados Capitais.

Uma palavra muito utilizada para descrever este pecado capital é a acídia. Este termo se refere à indiferença e a tristeza, que resultam num abatimento do corpo e do espírito.

Ou seja, a preguiça não é apenas uma aversão ao esforço físico, ao trabalho, mas também uma aversão ao esforço mental, resultado direto do desinteresse espiritual. A pessoa preguiçosa é uma pessoa insatisfeita com a vida, desinteressada com as pessoas e negligente para com a verdade.

Embora a acídia não seja originalmente a tentação do jovem, eles não estão imunes a ela. A indiferença pelas coisas espirituais e pelos valores da humanidade são sintomas de sua terrível presença em nosso meio.

O encontro com a pecaminosidade humana através do mal que advém desta tragédia, destituído da esperança da redenção da humanidade proposta pelo cristianismo, é um combustível poderoso para produzir pessoas amargas e desesperançosas.

O contraponto da preguiça – fome e sede de justiça

O contraponto da moleza espiritual é o anseio apaixonado pela justiça, a essência da busca. Nas palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” (Mt 5:6).

A satisfação com o que é reto e justo é seguida apenas da insatisfação com qualquer coisa menos que isso.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A igreja que deixou de ser Igreja

O maior perigo da igreja é perder Jesus de vista.

Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.
Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Apocalipse 3:14-22

Laodicéia era uma cidade localizada na Ásia Menor, uma das províncias do Império Romano, cuja capital era Éfeso. A cidade era um importante centro comercial, por onde passavam 3 estradas do império trazendo notoriedade a cidade e grande fluxo de pessoas. Uma das evidencias do poder econômico de Laodicéia foi sua reconstrução no ano de 62 d.C. pelo seu próprio povo, que se orgulhava de ter obtido tal feito sem pedir auxílio do estado, após ser destruída por um terremoto.

Em Laodicéia havia uma igreja cristã, bem conhecida pelos apóstolos Paulo e João. Inclusive Paulo havia escrito uma carta direcionada aos cristãos que se encontravam nesta cidade (Cl 4:16), e é muito provável que as cartas de Colossenses e Efésios tenham circulado em Laodicéia.

Quando João escreve as palavras de Jesus à Laodicéia, a última das sete igrejas mencionadas, o final do primeiro século se aproximava. A igreja que havia surgido e se fundamentara sobre a doutrina dos apóstolos não era mais a mesma. Não há nenhum elogio sequer na carta a esta comunidade. Pelo contrário, a admoestação que a igreja recebera era para que se arrepender dos seus maus caminhos.

A esperança para esta igreja era que Jesus os amava, e por isso os convocava ao arrependimento. Suas obras e seus testemunhos em nada condiziam com uma vida cristã humilde. A primeira bem-aventurança do Sermão do Monte – bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus – não encontrava eco na igreja. Eles eram soberbos, insubordinados ao evangelho, donos de si mesmos, e o pior de tudo, indiferentes.

A imagem que esses crentes tinham de si era equivocada. Há muito tempo já haviam se afastado do ensino dos apóstolos. A expressão que Jesus usa para eles condiz com cristãos nominais – eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta... – observe que a religiosidade era vazia de significado, não envolvia comunhão pessoal com o Senhor Jesus, pois este foi o convite que o próprio Cristo fez a eles – entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.

A imagem que me vem à mente quando penso nesta igreja, é de uma reunião entre os irmãos desta cidade, um culto a Deus. Eles fazem orações longas, cantam com belíssima divisão de vozes, meditam nas Escrituras, entregam suas ofertas e se despedem. Fazem toda a liturgia que se assemelha a um culto cristão, porém sem a presença do próprio Deus. Uma cena terrível, o próprio Deus boicotando o culto!

Isso não era a primeira vez que acontecia na história. Deus já ficou do lado de fora de várias cerimônias religiosas, pois o coração do seu povo estava distante. Vejamos outras advertências de Deus ao seu povo:
Profecia de Isaías ao povo de Judá - o Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu (Isaías 29:13).
Profecia de Jeremias ao povo de Judá, que não se arrependeu e seria dominado pelo Império Babilônico - Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhadores, que sempre sonham segundo o vosso desejo; porque falsamente vos profetizam eles em meu nome; eu não os enviei, diz o SENHOR.. (Jr 29:8-10).
A soberba espiritual nos leva a caminhos tortos, passamos a confiar na força de nossas mãos, na sabedoria dos homens, nos recursos que temos. Afastamo-nos do Senhor e nos sentimos fartos com aquilo que possuímos. Um caminho que leva ao declínio espiritual, ao ritual sem significado, a fé dúbia, a religiosidade da indiferença.

O grande problema dessa igreja era a indiferença, cheios de si não havia mais espaço para o discernimento, o arrependimento, o choro, a confissão. A medida que os dias se passavam, mais distantes estavam de Jesus.

Jesus dá um ultimato para que a igreja de Laodicéia volte a ser igreja do Senhor. O apelo de Jesus é que voltem ao bom senso. Que reconheçam a nudez que vivem - Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Compreender e conhecer o amor de Cristo

“Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” Efésios 3:14-21
A Bíblia faz muitas referências ao coração, este lugar íntimo e privado que poucos têm acesso. Diz-se que para conhecer bem alguém é preciso alcançar o coração desta pessoa. O próprio Deus diz que não avalia o homem pela aparência, mas que está atento para o coração do homem (I Sm 16:7), pois só assim é possível conhecer as reais intenções de alguém, o seu caráter.

O sábio de provérbios diz que é do coração do homem que procedem as fontes da vida (Pv 4:23), ou seja, é no nosso coração que nossas vontades são avaliadas e ponderadas. Logo, alguém despercebido pode fazer muito mal ao seu coração. Um olhar para dentro do coração é essencial para quem quer viver dias felizes.

O apóstolo Paulo, consciente disto ora ao Deus Pai que o coração dos cristãos seja habitado por Cristo. Que expressão maravilhosa, Cristo em nós, habitando o nosso íntimo e revelando-se a nós. Essa relação pessoal e íntima com o Senhor e Salvador Jesus Cristo se dá pela fé e ocorre mediante a atuação do Espírito Santo – também no homem interior. Observa-se que a relação do homem com Deus acontece de dentro pra fora, a comunhão com a Trindade orienta o nosso coração para que possamos compreender a Sua vontade.

A única maneira de expressarmos essa espiritualidade é sendo cheio do amor de Deus. Esse amor ao qual o autor se refere é o amor ágape, aquele demonstrado por Jesus na cruz do calvário por nós. Deus derrama seu próprio amor em nosso coração, de forma que nossa sensibilidade moral seja despertada e nossas vontades igualmente orientadas pelo amor, cuja referência é o próprio Cristo.

O amor ágape não pode ser hipócrita (Rm 12:9), pois sua fonte inesgotável é o próprio Deus. Ele odeia o mal, não é conivente com a mentira e não se mistura com a injustiça, pois está apegado ao bem. O ágape não é vencido pelo mal, mas promove o bem ainda que saia em prejuízo, ainda que isso lhe custe caro (Rm 12:21). O amor ágape é a norma do reino de Deus, e quem anda nos seus caminhos de certo será chamado um homem segundo o coração de Deus.

Com certeza essa compreensão excede nosso entendimento, porém Deus é poderoso para fazer mais do que pedimos ou pensamos. O Espírito Santo que habita em nós é suficiente para tornar-nos parte dessa realizada, e o resultado final, em nós e na Igreja, será a glória e o louvor de Jesus Cristo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

UNIVERSIDADE MACKENZIE: EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA


A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.
Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).
Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.
Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 [LINK http://www.ipb.org.br/noticias/noticia_inteligente.php3?id=808] e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.
Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.
Para ampla divulgação.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A verdadeira espiritualidade

A grande pergunta para o cristão que provou dos benefícios da obra redentora de Cristo é esta: Visto o que Deus fez por nós, como deve o seu povo viver?
 
Responder essa pergunta é essencial para entendermos porque não fomos direto ao céu ao provarmos da salvação. Deve existir um propósito de Deus para que vivamos de forma digna e coerente com a fé que professamos.

No capítulo 12 de sua carta aos romanos, Paulo afirma categoricamente que existe um modo correto de viver. Abandonar os padrões deste mundo em desacordo com Deus e deixar que a renovação de mente, pelo poder do Espírito Santo, transforme nossas vidas harmonizando-se com a vontade de Deus. Esse seria o modo digno de viver, em conformidade com o evangelho de Jesus.
“O serviço prestado por vidas obedientes é a única resposta razoável ou lógica a graça de Deus” Francis Foulkes
Isso quer dizer que não vivemos de qualquer jeito, pois a redenção em Jesus não se resume em nos livrar da condenação do inferno, mas antes numa real oportunidade de desfrutar a liberdade (Jo 8:31-36), ser livre para fazer o bem e romper definitivamente com o mal (Rm 12:9,21).

O modo de viver cristão exposto por Paulo nos expõe a verdades que não podemos desprezar ao longo de nossa peregrinação.

1. Tudo o que somos ou fazemos, todo o nosso dia, toda nossa vida pertence ao Senhor
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1).
Não há espaço no nosso ser e na nossa agenda que Deus deva ficar de fora.

2. Jesus Cristo é o nosso modelo de vida, nosso parâmetro de moralidade
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).
A sociedade não é para nós parâmetro de vida ou moralidade, não devemos nos contentar com uma vida desgraçada e alheia a Deus.

3. A soberba deve ser combatida com todo entusiasmo
“Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12:3).
Quando pensamos em nós mesmos, devemos tanto evitar uma estimativa alta demais como uma avaliação baixa demais a cerca de nossa pessoa. O evangelho de Deus é a primeira medida para nos avaliar.

O evangelho resgata nossa dignidade, mostro nosso valor como filhos de Deus. Porém a soberba não é tolerada por Deus, ela nos torna cegos e egoístas.

4. Fomos chamados pelo Senhor para fazer parte de sua Igreja
“assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros...” (Rm 12:.4-8).
Não existe vida cristã solitária. Os dons distribuídos por Cristo têm uma função comunitária de desenvolvimento de todos, de interdependência do grupo. O isolamento, ou a auto-suficiência indicam uma disposição mental contrária e reprovável ao reino de Deus. Devemos nos esforçar fortemente para manter a unidade do Espírito, a Igreja. E para isso não devemos poupar esforço algum. A iniciativa é sua! Faça algo!
"A unidade não é uma uniformidade, ou seja, o propósito da igreja não é fazer dos cristãos réplicas exatas, como se tivessem sidos produzidos em massa nalguma fábrica celestial. Pelo contrário, a unidade da igreja, longe de ser enfadonha e monótona, é emocionante na sua diversidade. Não é somente devido a nossas diferenças culturais e de temperamento, mas sim, por causa dos diferentes dons que Cristo distribui para o enriquecimento de nossa vida em comum." John Stott
5. O amor deve dominar a nossa vida
“O amor seja sem hipocrisia” (Rm 12:9).
A vida nesta grande família chamada Igreja se dá pelo regime do amor. O amor do próprio Deus é derramado em nosso coração (Rm 5:5) por meio do Espírito de Deus que habita no cristão e na comunidade dos santos. Esse amor permite o exercício das virtudes, que por sua vez possibilita uma comunhão íntima e verdadeira, ora suportando, ora sendo suportado.
“Se o amor é o acúmulo da virtude e a hipocrisia a síntese do vício, quanta contradição seria colocar os dois juntos.” John Murray
6. A nossa missão é promover o bem, ainda que isso nos cause prejuízos
“Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (v.9, 21).
Não há como ser neutro. A única forma de romper com a corrente do mal é seguir o caminho da cruz, essa sim é a obra prima do amor. Isto envolve ser imitador de Jesus, encarnar seus ensinos, transbordar do seu amor, promover o bem e perdoar em todo tempo.

O evangelho é exatamente isso – romper com o mal. A demonstração da misericórdia de Deus aos pecadores indignos e indesculpáveis. Como nós que fomos alcançados por ele poderíamos nos escapar dessa missão?

Que o Senhor nos ajude a viver a espiritualidade de Jesus, como promotores do reino de Deus, louvando a Deus e caindo na graça de todo povo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A espiritualidade que Jesus deixou para nós

E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; e, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.
Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa.
Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

Evangelho de Mateus 5:1-16

Jesus estava pregando as boas novas do reino de Deus, e grande multidão o seguia admirada com o seu ensino. Vendo a aglomeração a sua volta, Jesus subiu ao monte e rodeado pelos seus discípulos, passou a ensinar as muitas pessoas que o seguiam, ensino este conhecido como o famoso Sermão do Monte.

A primeira pergunta que me vem à mente é por que tanta gente seguia a Jesus? Esse pessoal queria ouvir o que Jesus tinha para dizer. Sua pregação (o reino dos céus está próximo) e os sinais que fazia despertavam a curiosidade de muitos. Qual era sua espiritualidade, seu modo de vida? Como Ele poderia levá-los a Deus?

Espiritualidade na prática é redundância. Jesus nunca ensinou, incentivou ou deu margem para o desenvolvimento de qualquer espiritualidade que não se expressasse no dia a dia, com reflexo direto no nosso modo de viver. Pelo contrário, quem fazia isso eram os fariseus e por isso foram tão intensamente criticados por Jesus.

Os ensinos de Jesus são coerentes com sua vida, são acessíveis a qualquer um. Jesus traz o conhecimento de Deus e de sua vontade (o evangelho) ao simples, e quando necessário se utiliza inclusive de parábolas para facilitar o entendimento de verdades tão essências para o nosso dia a dia.

As palavras de Jesus são tão relevantes ao nosso cotidiano que as reações das pessoas que o ouviam eram imediatas. O jovem rico se entristeceu e o abandonou, a multidão que o seguia disse que o seu discurso era duro e também o abandonou.

Não há dissimulação na pessoa de Jesus. Ele não está interessado em agradar seus ouvintes, pelo contrário, seu compromisso é com a Verdade. O interesse de Jesus não é manter o status quo, mas transformar seus ouvintes – trazer vida abundante.

Isso tanto é verdade que as bem aventuranças são uma contra-cultura, uma proposta diferente de viver. Jesus está dizendo que existe esperança e não tem porque vivermos de qualquer forma, sem se importar com a nossa humanidade. Por falar em humanidade, as bem aventuranças são uma proposta de humanização do homem que há muito tempo vive longe de seu propósito.

Os valores de Jesus são diferentes dos valores do mundo. Para ele as virtudes fazem parte da nossa semelhança de Deus, por isso os vícios e toda forma de mal deve ser combatido com toda diligência.

Por falar em virtude, os verdadeiros seguidores de Jesus estão realmente engajados com seus valores. O domínio próprio faz deles pessoas livres de toda forma de maldade, o comprometimento com a justiça é para eles como uma refeição diária, essencial para a vida. A compaixão com o desfavorecido é notória e eles não medem esforço para socorrer o próximo, a solidariedade está presente ainda que seja custoso para eles. E não poderíamos deixar de notar o espírito pacificador existente nesta comunidade do Rei, todos estão empenhados com o sucesso da paz, pois foi isso que o Cristo trouxe para o reino, ele desfez toda a inimizade que havia.

Jesus não poderia omitir que eventualmente seus seguidores sofreriam hostilidade, e em alguns períodos esse sofrimento seria intenso. Mas o que impressiona é a alegria que os move, ainda que tempos difíceis estejam à vista. O fato é que esse reino inspira outros povos e influencia tempos e eras. Cada discípulo sente-se responsável por promover o amor, que experimentou neste reino, àqueles que estão distantes e ainda não participam desta realidade.

Logo, não é de se estranhar que a espiritualidade de Jesus, ou o modo de viver proposto por Cristo, nos traz a incumbência de uma grande missão (ou tarefa). Jesus chama seus discípulos de sal e luz do mundo. E isso nos traz várias implicações, vejamos:
 
1ª) A missão é de todos os discípulos

2ª) A missão é para toda a humanidade

3ª) A missão envolve a integralidade do ser humano - trazer vida abundante

4ª) A missão eventualmente promoverá novos discípulos (ainda que isso não ocorra ela é válida e digna)

5ª) A missão tem como objetivo glorificar a Deus

Logo, falar em missão integral é redundância. Talvez como forma de enfatizar o caráter da missão, mas na verdade esse termo apenas nos acusa que algo está errado.

Que o Senhor nos ajude a viver a espiritualidade de Jesus, como promotores do reino de Deus, louvando a Deus e caindo na graça de todo povo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A nova vida em Cristo


“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, (pela graça sois salvos), e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:1-10

A canção da modernidade tem o tema maior da liberdade. Ao seu som dança o anuncio de uma nova era, o homem livre de tudo e de todos. Autônomo, com órbita em torno de seu umbigo. Esta insanidade só pode levá-lo a frustrante constatação de que vive num cativeiro, preso e sujeito aos caprichos do tirano egocentrismo, regido pelo terrível adversário que há muito tempo o colocou no regime da morte. Com ingênua sincronia, conforma-se à maioria que vive alheia ao Criador.

O conceito de graça presente no cristianismo é único, e o diferencia de todas as demais religiões. O favor imerecido de Deus não deixa espaço para o mérito humano, pelo contrário, todos estão em pé de igualdade e carentes de Deus, mortos em seus pecados e delitos. Como pode um morto fazer algo em favor de sua salvação?

A porta de entrada ao cristianismo e toda a sustentação da vida cristã se deve a graça de Deus. João Calvino, o reformador do século XVI disse – ‘Ora, pode-se perguntar: como o homem recebe a salvação que lhe é oferecida pelas mãos divinas? Eis minha resposta: pela instrumentalidade da fé. Da parte de Deus é graça somente, e nada trazemos senão a fé, a qual nos despe de todo louvor pessoal, então se segue que a salvação não procede de nós’. O que se pede ao homem é tão somente que creia.

A graça de Deus é suficiente para cobrir nossa vergonha e desfazer toda estrutura de poder que se levanta contra o conhecimento de Jesus, seja ela uma realidade da carne, do diabo ou do próprio mundo. Uma real oportunidade para desfrutar a liberdade, ser livre para fazer o bem e romper definitivamente com o mal.

Antes destinado a ira de Deus, agora a situação do homem regenerado é de testemunha viva de Deus. Paulo está falando exatamente disto, somos resgatados da inutilidade de outrora para caminhar em boas obras, como promotores do bem e sinalizadores do reino de Deus.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Supremacia de Cristo


“Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.” Efésios 1:15-23

Paulo inicia uma intercessão pelos cristãos que estão na Ásia Menor, a eles foi destinada a carta. A oração é para que Deus conceda a eles o pleno conhecimento de Jesus Cristo. Ao decorrer desta súplica, o apóstolo revela ao leitor o que está em sua mente quando se refere ‘ao pleno conhecimento de Jesus’.

‘Conhecimento’ na nossa era tem conotação meramente científica, e nem sempre está associado à vida, pelo contrário, é muito comum observar vidas incompatíveis de grandes estudiosos com um estilo de vida incoerente ao seu ‘conhecimento’, comportando-se como tolos. O ‘conhecimento’ também está atrelado a poder e domínio, e em muitos dos casos, com grande inclinação para o mal. Há ainda aqueles que buscam o ‘conhecimento’ para uma vida cada vez mais autônoma, independente de Deus.

Ao contrário deste cenário moderno, que reduz o conhecimento a ciência e a falsa pretensão de que esta é antagônica a revelação de Deus; o cristianismo fala do conhecimento que orienta a vida, que liberta o homem da tirania do pecado, que promove o bem e a justiça, que produz esperança, que revela o Criador.

A Verdade digna de ser conhecida, investigada e apropriada pelo homem, da qual o apóstolo se refere é Jesus Cristo, o Filho de Deus, Salvador e Senhor. Esse conhecer que ultrapassa a cognição, alcançando mente e coração simultaneamente, preservando o ser integral e resgatando a honra do homem criado a imagem de Deus (Ver Salmo 8).

Muitos no ocidente conhecem o Jesus histórico pregado na cruz pelos pecados da humanidade, mas poucos conhecem o Jesus histórico ressurreto e exaltado, que subiu aos céus e detém o poder para administrar em seu nome o governo dos céus e da Terra. Sua posição é muito superior a principados, potestades, poderes e autoridades, a tudo o que se pode mencionar.

O senhorio de Jesus aponta para um futuro de esperança, a era vindoura, na qual a história há de ser redimida e todo o cosmo há de ser restaurado pelo mesmo poder que opera em Jesus.

Enquanto aguardamos com grande expectativa esse dia, a Igreja, o corpo de Cristo, recebeu a função de exercer a expressão plena de Jesus na Terra. Para isso, o poder de Deus (o Espírito Santo – ver Atos 1:8) foi colocado à disposição dos homens, o mesmo que exerceu em Cristo ressurreição, concedendo a Igreja autoridade e poder para superar toda oposição.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A obra da Trindade

“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e fiéis em Cristo Jesus que estão em Éfeso: A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.
Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus, a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos. Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória. Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória.” Efésios 1:1-14

O apóstolo Paulo inicia sua carta aos cristãos em Éfeso escrevendo um maravilhoso hino de louvor a Deus. O louvor é pela extensa e profunda obra da Trindade. A intenção do apóstolo é incitar o coração do leitor com a gratidão, a fim de deixá-lo inflamado, e assim enchê-lo, até o transbordamento com essa idéia. Segundo João Calvino, ao afirmar as riquezas da graça divina seu propósito era não permitir que a fé do leitor fosse abalada pelos falsos profetas, duvidando assim do seu chamamento ou como se a salvação devesse ser buscada por outra via.

A gratidão é pela bênção recebida, a bênção da redenção. Paulo escreve agradecendo e compartilhando esse delicioso estado de paz que vive com Deus, com o próximo, com a natureza e até mesmo consigo. Na verdade todo mundo está em busca de redenção, nem sempre através da religião, mas há um senso comum de que precisamos nos redimir de nossos erros. Para muitos o custo desta obra é alto, o caminho duro da penitência pode levar até mesmo a própria morte, como nos ensinam os ideais românticos mais nobres, tão presentes na literatura e nos filmes, porém, sempre ineficientes.

O entusiasmo do apóstolo se deve pela obra de redenção planejada por Deus Pai, o bom propósito de Deus que o levou a desenvolver seu plano eterno, elaborado em amor, sua vontade de desfazer o muro de inimizade que havia entre Ele próprio e a humanidade. A incumbência de realizar essa obra coube ao Deus Filho, Jesus Cristo viabilizou a redenção do homem por meio do seu sangue, isto é, o perdão dos nossos pecados. Essa obra santa possibilitou a nossa adoção como filhos de Deus por meio de Jesus, coroada pelo derramamento do Espírito Santo, que autentica a nossa situação de filho e traz garantias da nossa herança final.

A redenção cristã não é barata, porém gratuita. Nela ganhamos acesso a Deus, começamos a perder nossas máculas pela obra santificadora do Espírito Santo, até finalmente sermos perfeitos no céu. A orientação da vida muda, na contramão do antropocentrismo e do egocentrismo do mundo, o cristão é virado ao avesso, novos valores e ideais reorientam a cosmovisão, e o viver agora é para a glória de Deus.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O protagonismo jovem na Bíblia

É necessário discutir o protagonismo do jovem, sua participação ativa e construtiva na escola, na sociedade, na política e também na igreja. Torna-se relevante o tema uma vez que há aparente apatia por parte dos jovens quanto ao seu papel nas transformações sociais no mundo moderno.

As Escrituras não negam o potencial que existe na juventude, pelo contrário, elas afirmam que os jovens têm muito para contribuir na solução de problemas reais. Ao realçar a mocidade com qualidades como força (Pv 20:29), visão (Jl 2:28) e deslumbramento (Sl 71:17), todas úteis na ação transformacional, valoriza essa fase da vida e aponta para celebração dela como algo bom e vindo de Deus.

Podemos refletir sobre Samuel, Davi e Timóteo, personagens bíblicos que na juventude foram instrumentos de Deus para a transformação cultural e promoção do bem. Samuel, um jovem profeta que liderou o povo de Israel para se livrar da opressão dos filisteus, nacionalmente reconhecido como profeta do Senhor, protagonista que pôs fim a corrupção do sacerdócio (I Sm 1-7). Davi, um jovem também vocacionado para liderar Israel, foi conhecido como um homem segundo o coração de Deus, protagonista do reinado mais próspero e influente que Israel já teve (I Sm 16). Timóteo, um jovem vocacionado para pastorear a Igreja de Jesus, foi pastor da igreja de Éfeso e protagonista na renovação de liderança da igreja primitiva (I e II Tm).

Ao rever a história de cada um desses, uma característica em comum e que chama muito atenção é que todos eles tinham um tutor, um conselheiro que acompanhava o desenvolvimento deles, a quem prestavam conta e se sujeitavam. Samuel tinha o experiente sacerdote Eli, Davi tinha o próprio profeta Samuel, já ancião, e Timóteo cresceu aos pés do apóstolo Paulo.

Estes personagens não desprezaram a mocidade deles (I Tm 4:12). Lembraram do Criador nos dias da juventude (Ec 12:1), revestiram-se de humildade, ouviram o conselho dos mais velhos e sujeitaram-se a eles (I Pe 5:5). Foi assim que aprenderam a serem sábios e a viverem com disciplina e sensatez, fazendo o que é justo, direito e correto. Na inexperiência adquiriram prudência; na disciplina, o conhecimento e o bom senso (Pv 1:2-4).

A Bíblia também não deixa de contar a história de jovens que se tornaram protagonistas do mal. Chama a atenção o caso do rei Roboão, neto do rei Davi. Roboão não seguiu os passos de seu avô e não deu ouvidos aos provérbios de sabedoria do seu pai, antes “rejeitou o conselho que as autoridades de Israel lhe tinham dito e consultou os jovens que haviam crescido com ele e o estavam servindo” (I Rs 12:8). Esta falta de prudência provocou uma terrível guerra civil em Israel, que culminou com a divisão da nação em dois reinos distintos. Uma divisão que marcou toda a história de Israel negativamente, e deixou seqüelas tristes (I Rs 12-14).
Ao contrário do que muitos acreditam a juventude atual não é menos ativa do que qualquer outra geração. A orientação bíblica nos ajuda a entender que a capacidade dos jovens para intervir na igreja e na sociedade não está em questão, entretanto carecem de um direcionamento para que usem sua força, visão e deslumbramento em favor da fé, esperança e amor.

Cabe a geração anterior a responsabilidade de não apenas criar espaços para a renovação de novas lideranças, mas guiar a juventude para que todo este potencial seja aproveitado para a promoção do reino de Deus. Cabe aos jovens não desprezar a mocidade, mas antes ser exemplo na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (I Tm 4:12).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Existe um jeito certo de viver

O cristianismo diz que existe um jeito certo de viver. O apóstolo Paulo faz um apelo, para que os cristãos abandonem os padrões deste mundo em desacordo com Deus e deixem que a renovação de mente, pelo poder do Espírito Santo e orientado pela Bíblia, transforme suas vidas harmonizando-se com a vontade de Deus (Rm 12:1-2). Esse seria o modo digno de viver, em conformidade com o evangelho de Jesus, a nossa vocação (Ef 4:1).

Isso quer dizer que não vivemos de qualquer modo, pois a redenção em Jesus não se resume em nos livrar da condenação do inferno, mas antes numa real oportunidade de desfrutar a liberdade (Jo 8:31-36), ser livre para fazer o bem e romper definitivamente com o mal (Rm 12:9,21).

E essa é a temática de Jesus no Sermão do Monte, o cristão imerso na graça de Deus é capaz de viver a realidade das virtudes promovendo o bem, a vida. Uma verdadeira militância contra o mal, contra o pecado que corrompe toda a ordem da Criação. Note que o mal não está personificado numa pessoa, ao contrário, o indivíduo é alvo da misericórdia e compaixão, do bem promovido. Agindo assim os discípulos de Jesus serão sal da terra e luz do mundo, ou seja, sinalizadores do reino de Deus, orientando um mundo perverso a olhar para Deus (Mt 5:1-16).

Paulo compreendeu isso tão bem que reproduziu os ensinos de Jesus ao pé da letra, segundo seus ensinos os cristãos devem ser regidos pelo amor. O mal sofrido deve ser respondido com o bem, o desejo de vingança deve se render diante do amor (Rm 12:9-21). E isso só é possível porque a mente do cristão é reorientada, renovada pela Palavra de Deus, não conformada a mentalidade deste século.

O cristão deve ser promotor do bem e da justiça na sociedade, isso porque ele agora possui um referencial absoluto e verdadeiro, o próprio Senhor Jesus Cristo. Ainda que nos seja custoso, qualquer padrão de vida inferior a este deve ser firmemente rejeitado. Não nos cansemos de fazer o bem... enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos os homens (Gl 6:9-10).

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A igreja que Jesus concebeu é a igreja que sonhamos





Para sonhar com a igreja que Jesus concebeu, sugiro as palavras inspiradas do apóstolo Paulo, na sua segunda carta enviada ao pastor da igreja de Éfeso, o jovem Timóteo.
Paulo orienta Timóteo a zelar pelo ministério que o Senhor lhe havia concedido. O ensino do experiente apóstolo, já avançado em idade, nos traz verdades importantes sobre a igreja que devemos sonhar, com idealismo e os pés no chão.

  1. Uma igreja que não despreza seu passado
“Permanece nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu” (3:14).
Paulo estava próximo de sua morte e provavelmente está foi à última carta escrita por ele. O apóstolo está preocupado com a transição de liderança na igreja, na expectativa que Timóteo continue a obra iniciada no dia de Pentecostes, quando o Espírito de Deus foi derramado sobre os discípulos, data de origem da igreja do Senhor Jesus. Um povo particularmente seu, chamado para andar nas boas obras de antemão preparadas por Deus, para que o mundo vendo-as glorifique ao nosso Deus e Pai que estás nos céus.
  1. Uma igreja que não se afasta das Escrituras
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (3:16-17).
Note que falamos de toda Escritora e de toda boa obra, a ênfase aponta para a fidelidade em ser inteiro. Para isso precisamos de espaço de correção, repreensão e educação na justiça, um espaço comunitário saudável.
Só assim poderemos nos manter longe do positivismo, da teologia da prosperidade, do relativismo moral, do sincretismo religioso, da religiosidade destituída de Deus, e de tantos outros males que nos assombram.
  1. Uma igreja que não se cansa da sua missão
“prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (4:2-5).
Uma igreja relevante é conhecedora do seu tempo, sóbria, conhece as estruturas deste século. Ela combate os sofismas deste mundo, levanta a voz contra uma sociedade hedonista, não se sujeita a secularização e promove em Cristo Jesus a transformação do homem e da sociedade, buscando o ser inteiro, criado a imagem e semelhança de Deus.
A igreja precisa de sobriedade, discernir os tempos que vivemos e ser agente de transformação, sendo relevante na vida e presente na sociedade. Não ignorando sua história, sempre submissos e atentos a Bíblia, e focados na missão de ser um espaço sadio para o desenvolvimento da fé.
Crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos, todos nós que fazemos parte do corpo de Cristo temos esta incumbência de sonhar, não com coisas irreais, mas com igreja idealizada por Jesus.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Confrontando o orgulho

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12:2-3)
A vida cristã é resultado da graça, do favor de Deus. O que somos é resultado direto da misericórdia dEle, e tem como propósito o louvor da glória de Deus. Não há espaço para a altivez de espírito, mas tão somente para a humildade e a vida em comunhão com Deus e com o próximo, um sinal de dependência.


O problema do orgulho
O orgulho é o primeiro, o pior e o mais predominante dos pecados capitais. Isto porque em muitas das vezes ele é a fonte dos demais pecados, ninguém está livre dele. Sua origem não está no mundo e nem na carne, mas no próprio diabo. (OS GUINNESS)

A Bíblia diz que o pecado de Lúcifer foi se exaltar no seu coração, cheio de orgulho e vaidade quis se assemelhar a Deus (Isaías 14:12-15; Ezequiel 28:12-19). O orgulho é um pensamento indevido de si mesmo, de alguém que se eleva e desconsidera tudo a sua volta, uma atitude irracional de auto-suficiência.

O orgulho cega o homem, entorpece a alma e o distância de tudo que está a sua volta, seja de Deus, do próximo, ou até mesmo da realidade. O homem dominado pelo orgulho tem como fim a sua ruína, caracterizado pelo desamparo, pois há muito tempo ele confia apenas na sua força.

O orgulho na cultura contemporânea
Os Guinness propõe o seguinte dilema - vivemos um momento no qual o mundo achou duas formas de mudar este vício em virtude.

1. Mudou-se a sua definição, confundindo orgulho com amor próprio.

2. A motivação que levava a sociedade a considerá-lo um vício foi contestada.

Toda reivindicação de direito é a mim, pois a perspectiva que vale é a minha, independente da realidade que seja. A proposta é de uma construção individual da sociedade, na qual sobressaem os fortes, observa-se um espírito essencialmente competidor. O homem nesta proposta está centrado em si mesmo e na auto-suficiência, é autônomo e livre de tudo e de todos.

Do ponto de vista bíblico, o orgulho é a violação e a desordem fundamental do amor, pois põe o amor próprio frente do amor a Deus. Ele quebra os mandamentos de amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo.

C. S. Lewis, em seu livro Cristianismo Puro e Simples, dedica um capítulo todo para falar sobre o grande pecado, o orgulho. O livro faz apologia da fé cristã, mostrando a sua relevância frente uma sociedade cada vez mais descrente. Segue algumas de suas idéias sobre o vício do orgulho:

1. O orgulho é essencialmente competidor, movido pelo prazer de estar acima do outro.

2. O orgulho sempre significa inimizade, entre seu próximo e Deus.

3. O orgulho não vem da nossa natureza animal, mas diretamente do inferno. Ele é puramente espiritual, e, por isso é o mais sutil e mortal.

4. O orgulho é um câncer espiritual. Ele corrói a própria possibilidade de amor, de contentamento ou, até mesmo, de bom senso.

Essas fortes palavras de Lewis são como uma lanterna para ajudar a enxergar os intentos do coração, para discernir as intenções e medir sobre suas terríveis conseqüências na alma.

Humildade, a virtude que se opõe ao orgulho
A sabedoria do livro de Provérbios e a boa leitura que C. S. Lewis faz da ditadura do orgulho são importantes para despertar a mente. Elas devolvem a sensatez.

Com os humildes está à sabedoria, serão felizes e obterão honra porque confiam no Senhor (Provérbios).

Jesus nos disse que bem-aventurados são os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus (Mt 5:3). Essa é a proposta do reino de Deus que se opõe fortemente aos valores deste século, por isso Paulo adverte a transformar a mente.

Lembre, ninguém pense de si mesmo além do que convém!

Referências:
Os Guinness. Sete pecados capitais. Editora Shedd Publicações.
C. S. Lewis. Cristianismo Puro e Simples. Editora Martins Fontes.

Por Pedro Paulo Valente