segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A obra da Trindade

“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e fiéis em Cristo Jesus que estão em Éfeso: A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.
Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus, a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos. Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória. Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória.” Efésios 1:1-14

O apóstolo Paulo inicia sua carta aos cristãos em Éfeso escrevendo um maravilhoso hino de louvor a Deus. O louvor é pela extensa e profunda obra da Trindade. A intenção do apóstolo é incitar o coração do leitor com a gratidão, a fim de deixá-lo inflamado, e assim enchê-lo, até o transbordamento com essa idéia. Segundo João Calvino, ao afirmar as riquezas da graça divina seu propósito era não permitir que a fé do leitor fosse abalada pelos falsos profetas, duvidando assim do seu chamamento ou como se a salvação devesse ser buscada por outra via.

A gratidão é pela bênção recebida, a bênção da redenção. Paulo escreve agradecendo e compartilhando esse delicioso estado de paz que vive com Deus, com o próximo, com a natureza e até mesmo consigo. Na verdade todo mundo está em busca de redenção, nem sempre através da religião, mas há um senso comum de que precisamos nos redimir de nossos erros. Para muitos o custo desta obra é alto, o caminho duro da penitência pode levar até mesmo a própria morte, como nos ensinam os ideais românticos mais nobres, tão presentes na literatura e nos filmes, porém, sempre ineficientes.

O entusiasmo do apóstolo se deve pela obra de redenção planejada por Deus Pai, o bom propósito de Deus que o levou a desenvolver seu plano eterno, elaborado em amor, sua vontade de desfazer o muro de inimizade que havia entre Ele próprio e a humanidade. A incumbência de realizar essa obra coube ao Deus Filho, Jesus Cristo viabilizou a redenção do homem por meio do seu sangue, isto é, o perdão dos nossos pecados. Essa obra santa possibilitou a nossa adoção como filhos de Deus por meio de Jesus, coroada pelo derramamento do Espírito Santo, que autentica a nossa situação de filho e traz garantias da nossa herança final.

A redenção cristã não é barata, porém gratuita. Nela ganhamos acesso a Deus, começamos a perder nossas máculas pela obra santificadora do Espírito Santo, até finalmente sermos perfeitos no céu. A orientação da vida muda, na contramão do antropocentrismo e do egocentrismo do mundo, o cristão é virado ao avesso, novos valores e ideais reorientam a cosmovisão, e o viver agora é para a glória de Deus.
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