quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O protagonismo jovem na Bíblia

É necessário discutir o protagonismo do jovem, sua participação ativa e construtiva na escola, na sociedade, na política e também na igreja. Torna-se relevante o tema uma vez que há aparente apatia por parte dos jovens quanto ao seu papel nas transformações sociais no mundo moderno.

As Escrituras não negam o potencial que existe na juventude, pelo contrário, elas afirmam que os jovens têm muito para contribuir na solução de problemas reais. Ao realçar a mocidade com qualidades como força (Pv 20:29), visão (Jl 2:28) e deslumbramento (Sl 71:17), todas úteis na ação transformacional, valoriza essa fase da vida e aponta para celebração dela como algo bom e vindo de Deus.

Podemos refletir sobre Samuel, Davi e Timóteo, personagens bíblicos que na juventude foram instrumentos de Deus para a transformação cultural e promoção do bem. Samuel, um jovem profeta que liderou o povo de Israel para se livrar da opressão dos filisteus, nacionalmente reconhecido como profeta do Senhor, protagonista que pôs fim a corrupção do sacerdócio (I Sm 1-7). Davi, um jovem também vocacionado para liderar Israel, foi conhecido como um homem segundo o coração de Deus, protagonista do reinado mais próspero e influente que Israel já teve (I Sm 16). Timóteo, um jovem vocacionado para pastorear a Igreja de Jesus, foi pastor da igreja de Éfeso e protagonista na renovação de liderança da igreja primitiva (I e II Tm).

Ao rever a história de cada um desses, uma característica em comum e que chama muito atenção é que todos eles tinham um tutor, um conselheiro que acompanhava o desenvolvimento deles, a quem prestavam conta e se sujeitavam. Samuel tinha o experiente sacerdote Eli, Davi tinha o próprio profeta Samuel, já ancião, e Timóteo cresceu aos pés do apóstolo Paulo.

Estes personagens não desprezaram a mocidade deles (I Tm 4:12). Lembraram do Criador nos dias da juventude (Ec 12:1), revestiram-se de humildade, ouviram o conselho dos mais velhos e sujeitaram-se a eles (I Pe 5:5). Foi assim que aprenderam a serem sábios e a viverem com disciplina e sensatez, fazendo o que é justo, direito e correto. Na inexperiência adquiriram prudência; na disciplina, o conhecimento e o bom senso (Pv 1:2-4).

A Bíblia também não deixa de contar a história de jovens que se tornaram protagonistas do mal. Chama a atenção o caso do rei Roboão, neto do rei Davi. Roboão não seguiu os passos de seu avô e não deu ouvidos aos provérbios de sabedoria do seu pai, antes “rejeitou o conselho que as autoridades de Israel lhe tinham dito e consultou os jovens que haviam crescido com ele e o estavam servindo” (I Rs 12:8). Esta falta de prudência provocou uma terrível guerra civil em Israel, que culminou com a divisão da nação em dois reinos distintos. Uma divisão que marcou toda a história de Israel negativamente, e deixou seqüelas tristes (I Rs 12-14).
Ao contrário do que muitos acreditam a juventude atual não é menos ativa do que qualquer outra geração. A orientação bíblica nos ajuda a entender que a capacidade dos jovens para intervir na igreja e na sociedade não está em questão, entretanto carecem de um direcionamento para que usem sua força, visão e deslumbramento em favor da fé, esperança e amor.

Cabe a geração anterior a responsabilidade de não apenas criar espaços para a renovação de novas lideranças, mas guiar a juventude para que todo este potencial seja aproveitado para a promoção do reino de Deus. Cabe aos jovens não desprezar a mocidade, mas antes ser exemplo na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (I Tm 4:12).
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