segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A nova humanidade

“Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos {ambos: judeus e gentios} fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito.
Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” Efésios 2:11-22

Paulo escreveu a carta de Efésios para cristão que em sua maioria não eram judeus, chamados pejorativamente de gentios, aqueles que não faziam parte da aliança de Deus com Israel.

A revelação de Deus à humanidade passa pela cultura judaica. Por mais de 2000 anos Israel foi a única nação monoteísta na face da Terra, em oposição ao politeísmo praticado pelas demais nações. A religião pagã estava centrada no conceito da existência de vários deuses que lutavam entre si pela hegemonia, corrompidos como os homens e inflamados por todo tipo de vício presente na humanidade. Esses deuses eram responsáveis pelos favores e pelos males que sobreviam ao homem. Para alcançar o favor de um deus pagão era necessário convencê-lo deste bem, isso envolvia relações de trocas e boa capacidade de persuasão.

Embora o paganismo possuísse uma infinidade de deuses, ao ponto de inclusive fazer um altar ao ‘deus desconhecido’ - tamanho era o receio de enfurecer uma dessas divindades, a sua religiosidade estava sem o Deus Verdadeiro, e por isso mesmo se mostrava inútil. Os gregos possuíam uma visão cíclica da história, na qual não havia um alvo para o qual todas as coisas estavam convergindo. Não havia ‘futuro’, esperança, estavam sem Deus no mundo.

O cenário desolador descrito pelo autor é rompido pela boa notícia de que Deus trouxe para perto àqueles que estavam longe, por meio do sacrifício vicário de Cristo. O objetivo de Deus era criar em si mesmo (em Jesus), dos dois povos, um novo homem.

A obra de reconciliação realizada por Jesus é anunciada por Paulo com entusiasmo, e seus privilégios são facilmente percebidos. O privilégio de ter acesso a Deus não cabe mais a um grupo étnico, logo todos estão em pé de igualdade perante Deus. O acesso a Deus não é mais por leis cerimoniais, mas ousadamente podemos nos aproximar do Santo dos Santos, o trona da graça de Deus, pelo novo e vivo caminho que Jesus nos abriu pelo seu corpo. A relação com Deus não está mais condicionada a mediação dos sacerdotes, ao templo de Jerusalém, mas a mesma glória de Deus que enchia o templo hoje habita em nós por meio do seu Santo Espírito.
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