quarta-feira, 10 de abril de 2013

Renovando a nossa esperança para enfrentar os desafios do nosso tempo

Vivemos os finais dos tempos! Parece irônico falar isso após a desastrosa previsão do final do mundo dia 21/12/2012. Lembro-me de ver a chamada de um programa da rede Globo que trazia dicas de como aproveitar o final do mundo, os últimos dias restantes. A ideia era basicamente fazer tudo o que você não tem coragem no dia a dia em função da moralidade, mas frente ao fim eminente e uma ausência de perspectiva de sentido da vida, por que privar-se de suas paixões e vontades? Essa posição revela a essência do espírito da nossa época, o espírito do anticristo, em constante confronto com a vontade de Deus revelada nas Escrituras.
Convido os leitores para uma breve reflexão sobre a segunda vinda de Jesus Cristo, nosso Senhor, a nossa esperança. A reflexão está base no texto de I Tessalonicenses 4:13-5:11.
Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e juntamente com ele, aqueles que nele dormiram. Dizemos a vocês, pela palavra do Senhor, que nós, os que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem. Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.
Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre. Consolem-se uns aos outros com estas palavras.
Irmãos, quanto aos tempos e épocas, não precisamos escrever-lhes, pois vocês mesmos sabem perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão à noite. Quando disserem: "Paz e segurança", então, de repente, a destruição virá sobre eles, como dores à mulher grávida; e de modo nenhum escaparão.
Mas vocês, irmãos, não estão nas trevas, para que esse dia os surpreenda como ladrão.
Vocês todos são filhos da luz, filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. Portanto, não durmamos como os demais, mas estejamos atentos e sejamos sóbrios; pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite. Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo a couraça da fé e do amor e o capacete da esperança da salvação. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para recebermos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele morreu por nós para que, quer estejamos acordados quer dormindo, vivamos unidos a ele. Por isso, exortem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo.
O contexto da carta
A carta aos tessalonicenses foi uma das cartas mais antigas de Paulo, provavelmente a sua segunda carta, escrita depois da carta aos Gálatas. Uma das possíveis explicações para essa carta ser uma das primeiras do apóstolo se deve a preocupação que ele tinha com a igreja que ele havia contribuído para a sua fundação, juntamente com Silas. Embora Paulo tenha permanecido pouco tempo na cidade, poucos meses ou até mesmo 1 mês, não sabemos ao certo, o seu ministério foi bem frutífero e alguns judeus e muitos gregos abraçaram a fé no evangelho de Jesus Cristo. Porém Paulo e Silas foram estimulados a saírem da cidade por conta da forte oposição dos judeus. Motivado pelas boas notícias que a igreja da cidade permanecia firme e se desenvolvendo, e a preocupado com a formação dos cristãos quanto alguns assuntos controversos e disputados com os judeus, Paulo escreve a carta para afirmar dois pontos doutrinários importantes na fé cristã: 1º Jesus é divino e 2º Jesus voltará no grande e terrível dia do Senhor para julgar toda a terra e completar a salvação do seu povo.
No texto que estamos abordando, Paulo trabalho a questão do final dos tempos, o que a teologia chama de escatologia (o estudo do fim, ou, das últimas coisas). O final dos tempos marca a substituição da era presente por outra vindoura, já inaugurada por Jesus na sua primeira vinda, por meio do reino de Deus, e que será consumada com os novos céus e nova terra, na segunda vinda de Jesus (parusia) para julgar todos os homens de todos os tempos.
Compreendendo a esperança cristã
Para combater a ignorância (falta de conhecimento) dos cristãos em relação ao dia do Juízo e a esperança cristã da ressurreição dos mortos, a vida eterna, é que o apóstolo lembra que não há necessidade de desespero em relação aos que já morreram, os cristãos não precisam viver como os pagãos, mas podemos e devemos ter a firme confiança de que ressuscitaremos assim como o nosso Senhor Jesus, que foi o primeiro, assim também seremos glorificados através de um novo corpo, e este incorruptível.
Um evangelho sem ressurreição é um evangelho sem poder para a salvação daqueles que creem. Sem poder para perdoar pecados, sem poder para trazer a vida eterna; este evangelho não é digno de confiança, pois suas testemunhas (os apóstolos) seriam tidas por mentirosas. Resumindo, o evangelho sem a ressurreição de Cristo, não tem nada a ver com o cristianismo e não passaria de um conjunto de valores morais positivos para a sociedade. Paulo nos lembra de que “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. I Co 15:19”
A impressão que dá é que os cristãos de Tessalônica haviam se esquecido da esperança da ressurreição dos mortos na volta de Jesus. A ideia de salvação que eles tinham estava incompleta, manca. É verdade que a salvação que Jesus trouxe a nós envolve o livramento da culpa e do poder do pecado, ao que na teologia damos o nome de justificação e santificação respectivamente; mas também é verdade que a nossa salvação será consumada com a glorificação do nosso corpo, por meio de um corpo incorruptível, eterno e totalmente livre do pecado. A salvação se completará com a consumação do reino de Deus em toda a terra e com o grande julgamento, a posse definitiva dos novos céus e nova terra, a restauração completa de toda a Criação. Ao se esquecer desta verdade, o cristão se identifica com o pagão na falta do sentido da vida ao contemplar a morte e sua destruição, restando o desespero. Por isso Paulo lembra e os adverte para se consolarem com essa verdade, ou melhor, tragam para as experiências cotidianas a esperança cristã da ressurreição dos mortos.
Parece que a igreja contemporânea por vezes vive situações semelhantes, vivemos como se a nossa esperança não tivesse nada a ver com as nossas atividades diárias, parece que ela nem faz sentido no ritmo de vida que temos, como algo que lembramos apenas na comemoração da Páscoa.
O próprio Senhor Jesus nos ensinou a invocar o reino de Deus na terra, em toda a sua totalidade, assim como ele está nos céus (Mt 6:9), e a volta de Cristo trata exatamente disso, nos fala sobre a consumação da obra de Cristo, uma obra de redenção e restauração em meio ao juízo vindouro. A segunda vinda de Jesus é anunciada nas palavras do próprio Senhor Jesus, nas palavras dos anjos e dos apóstolos:
·      Nas palavras do próprio Jesus: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.  E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. (João 14:1-3).
·         Nas palavras dos anjos: Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. (At 1:9-11).
·         Nas palavras dos apóstolos: E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação. (Hb 9:27-28)
A própria carta aos tessalonicenses nos orienta em como trazer essa esperança para a vida cotidiana. Viver a fim de agradar a Deus (4:1) e a vontade de Deus é que vocês sejam santificados (livres do poder do pecado, 4:3), por isso nos esforçamos para ter uma vida tranquila (4:11), refletindo os valores do reino de Deus e proclamando o evangelho até os confins da terra, participando da expansão do reino de Deus, aguardando o retorno de Cristo. Vocês percebem como essa esperança vivificada muda o nosso foco e traz significado para a vida? Paulo continua, lembrando que somos filhos da luz e nossas obras devem ser coerentes com essa identidade (I Ts 5:5). A imagem é de sobriedade, entendendo o tempo que vivemos, e respondendo com qualidade de vida e testemunho contagiante, e para isso 3 elementos, ou 3 virtudes, devem transbordar em nós e em nossa comunidade: a fé, o amor e a esperança (I Ts 5:8).
Bons propósitos para a vida
  1. Vamos recolocar a nossa esperança no lugar certo. Cuidado com o consumismo desenfreado, que acaba achatando a vida e reduzindo tudo ao nosso redor a esfera econômica, como por exemplo, a felicidade, a segurança, os sonhos. Irmãos, não nos conformemos com este século, mas renovemos a nossa mente com a esperança do retorno de Cristo, pois esta é verdadeira e poderosa para nos levar a experiência da vida com contentamento e abundante.
  2. Deixemos que esse pensar nas coisas do alto nos leve a uma vida mais simples, sem ostentação ou exageros, e que a consequência direta dessa nova realidade possa ser a generosidade no socorro aos necessitados, e assim, transbordar do amor de Cristo nos nossos relacionamentos.
  3. Vamos nos ocupar mais com a obra de Deus, da promoção do reino de Deus em nossos ambientes cotidianos. A começar pelas nossas casas e desembocando nas outras esferas da vida.
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