quarta-feira, 4 de março de 2009

Venha o Teu Reino


Lembro-me da campanha do presidente Lula de 2002, o slogan era: A esperança venceu o medo! Era a expectativa de um governo de esquerda, que prometia uma era de justiça para um país cansado de sofrer com a exploração, ora de sua riqueza natural, ora da dignidade do ser humano, o pobre seria alvo de políticas públicas que promoveriam o pleno exercício de sua cidadania. O coração do brasileiro se encheu de esperança e esperou, esperou e esperou mais um pouco. Infelizmente continuaremos a esperar.

Esperar é uma atitude inata ao ser humana. Primeiramente porque somos sujeitos ao presente, totalmente incapazes de conhecer o futuro, entretanto temos a capacidade de fazer previsões quanto ao futuro através de uma análise do presente e do passado. Além desta impossibilidade física, há uma pré-disposição em nossa alma que aponta para o futuro a solução dos problemas presentes, a expectativa de que o tempo trará novidade, renovo, basta lembrar-se dos marcos (datas) no nosso calendário.

Seria difícil não mencionar a ardente expectativa da criação pela libertação de sua maldição, daí uma boa explicação bíblica para essa condição humana. O pecado atordoa o homem, porém desde a queda a expectativa da redenção enche o coração do homem, esperança essa oriunda da promessa Divina (o Descendente haveria de pisar na cabeça da serpente). Nossa insatisfação encontra na esperança um alívio, embora muitas vezes a esperança seja direcionada por desejos efêmeros e conseqüentemente depositada em coisas corruptíveis, como por exemplo, posses materiais ou posições hierárquicas.

A esperança cristã está na volta de Cristo. O sacrifício do Cordeiro Imaculado é suficiente para aplacar a ira de Deus e trazer redenção ao homem, libertando-o da escravidão do pecado e restaurando sua dignidade. Entretanto, o cristão continua sujeito a corrupção de seu corpo exterior, num mundo desajustado e afligido pela maldade.

Infelizmente a prática cristã nem sempre condiz com a sua confissão de fé. Disso resultam as anomalias que conferimos em nosso meio. Elas surgem devido à conformação com a proposta de vida moderna, tão antagônica ao modelo proposto, ou melhor, ordenado por Cristo. A desobediência gera sofrimento e testemunho irrelevante.

Proponho a orientação da nossa esperança pelas Escrituras, um retorno aos ensinamentos de Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador e não ao Jesus pós moderno, aquele que é apresentado em literatura de auto-ajuda e que rebaixa Cristo ao estado de guru espiritual. Precisamos lembrar que nossa natureza é pecaminosa, nossos desejos são maus e não devemos satisfazer nossos desejos a qualquer custo como apregoa o espírito do anticristo.

Não podemos ignorar nossa fragilidade. Qualquer tentativa de espiritualidade cristã firmada na auto-suficiência estará destinada ao fracasso, por isso segue um singelo clamor: Amado Deus, o que seria de nós sem tua misericórdia. Louvado seja o teu nome, pois a abundância de tua graça traz ânimo aos nossos corações. Rogamos, ó Pai que converta nossos corações aos teus propósitos eternos e nos livre de nós mesmos. Que sejamos cheios do teu Espírito para uma vida de submissão à tua Palavra, e rendidos ao senhorio de teu Filho, Jesus Cristo, possamos invocar – venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade. Amém.
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