segunda-feira, 4 de abril de 2011

O encontro do jovem rico com Jesus - parte II

E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.
Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.
E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.
Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.
Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo?
Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna. Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.


Para refletirmos sobre esse encontro histórico, registrado por 3 evangelistas (Mateus 19:16-30, Marcos e Lucas 18:24-30), eu gostaria de convidá-los a olhar individualmente para os 3 personagens dessa história. E para facilitar a leitura, cada postagem abordará um dos personagens.

Jesus, o bom mestre.
Jesus estava entrando na Judéia, a província que continha a capital Jerusalém. O fim do ministério de Jesus se aproxima. Após mais de 3 anos revelando graça e misericórdia, Jesus estava prestes a ser oferecido na cruz como oferta pelos nossos pecados de uma vez por todas.

Ao por os pés na Judéia, em caminho a Jerusalém, Jesus foi novamente interpelado pela multidão, pelos fariseus, pelas crianças, e em particular por um homem, que o evangelista Marcos destaca, embora não nos forneça seu nome. No meio deste tumulto, um homem famoso e com aparência de rico se aproximou correndo e ajoelhou-se diante de Jesus, o chamando pela expressão ‘bom mestre’.

A saudação do homem, ainda em idade jovem, revelava reverência ao mestre cuja fama percorria por todo Israel. Mas tal reverência era exagerada para alguém que não confessasse Jesus como o Messias, o Cristo que haveria de vir e redimir a humanidade dos seus pecados, o Deus encarnado que nos amou a tal ponto de se humilhar assumindo a forma de servo. Este jovem não reconhecia Jesus como Senhor e ainda sim se ajoelhava e o chamava de bom.

A repreensão de Jesus a esta atitude não está no fato de reconhecer a si mesmo como pecador, pelo contrário, mas para chamar atenção de que apenas Deus é bom em sua essência. A ênfase de Jesus está em fazer seu admirador perceber que não há nada que o homem possa fazer para merecer a salvação, para ser bom, moralmente justo diante de Deus. Enquanto o homem o bajulava para receber alguma aprovação, Jesus o faz perceber a implicação de sua saudação.

Jesus nunca deixou sua divindade em dúvida. Os evangelhos deixam isso claro. Ele é o legítimo Filho de Deus, em quem o Pai se compraz (Mt 4:17). Ele é um com o Pai (Jo 10:30). Ele tem poder perdoar os pecados (Lc 5:24). Ele é o ‘Eu sou’ (Jo 8:58), o caminho, a porta, a verdade, e a vida (Jo 10). Ninguém chega ao Pai se não for por Ele (Filho). A divindade de Jesus está clara nos evangelhos, e um dia, querendo ou não, todos reconhecerão que Jesus Cristos é o Senhor, confessarão e se prostrarão diante dEle (Fp 2:9-11), não como o jovem rico o fez, mas intencionalmente e conscientemente se renderão diante a Sua glória.

O texto também nos revela o amor de Jesus. Apesar de conhecer a pobreza deste homem rico, e não se iludir com as bajulações que recebeu, de percebe que não havia arrependimento no coração do jovem, a despeito de tudo isso, Jesus o amou. Jesus o olhou e o amou profundamente.

Jesus amou o homem rico como ele era, embora não desejasse que ele permanecesse no mesmo estado de engano que se encontrava. O amor de Jesus não tem condições ou prerrogativas, entretanto ele não é indiferente ao nosso estado de miséria. O amor de Jesus nos confronta, traz conhecimento sobre o nosso estado, busca o nosso bem, realmente se importa com o nosso modo de viver. E aí está a verdade do cristianismo que muitos não entendem. Deus nos criou e sabe perfeitamente o que é ser humano. No Criador está o sentido da vida, porém toda vez que nos afastamos de Deus e procuramos sentindo substituindo a comunhão com o Criador por artefatos, pessoas ou idéias, caminhos em rumo oposto a verdadeira humanidade. Jesus veio nos trazer a possibilidade de vivermos a humanidade novamente.
Deixe o amor de Jesus, o Filho de Deus, restaurar o seu coração. “Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável (Sl 51:10).”
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