segunda-feira, 11 de abril de 2011

O encontro do jovem rico com Jesus - parte III

E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.
Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.
E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.
Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.
Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo?
Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna. Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.


Para refletirmos sobre esse encontro histórico, registrado por 3 evangelistas (Mateus 19:16-30, Marcos e Lucas 18:24-30), eu gostaria de convidá-los a olhar individualmente para os 3 personagens dessa história. E para facilitar a leitura, cada postagem abordará um dos personagens.

Pedro, um dos discípulos.
Pedro observara atento esse encontro entre Jesus e o jovem rico. E perplexo com a cena ouviu Jesus dizer que os ricos teriam dificuldade de entrar no reino de Deus (23-24), pois suas mãos estariam agarradas a riqueza e teriam dificuldade de soltá-las para poder agarrar a Deus. Mais enfático ainda, e com certo humor, Jesus havia dito que o maior animal da Palestina teria mais facilidade para entrar no menor buraco que eles conheciam do que um rico entraria no reino dos céus, ou seja, a situação que se revela agora é de impossibilidade e não mais de dificuldade.

Pedro e seus companheiros ficaram espantados com a afirmação de Jesus. O rico na cultura judaica era sinal de bênção divina, ainda mais para alguém que era moralmente irrepreensível pela comunidade. Se os ricos que tinham tantos benefícios não entrariam no Reino, a pergunta que não deixava de atormentá-los era: Então quem pode ser salvo? Essa pergunta dos discípulos era honesta.

A resposta de Jesus foi direta. Realmente é impossível o homem encontrar salvação nos seus esforços, pelo seu mérito, a justiça do homem não é a justiça de Deus. A corrupção do homem o tornou incompetente e impotente para se voltar a Deus. A distância que o homem havia percorrido para longe do Criador se tornara impossível de um retorno. Porém Jesus anuncia o evangelho da graça, que aquilo que fora impossível ao homem Deus fez enviando seu Filho ao mundo para pagar o preço pelos nossos pecados, como expiação pela nossa culpa, o sacrifício vicário. Jesus estava preparando seus discípulos para o que estava para acontecer, isso tanto é verdade que logo na seqüência dessa narrativa Ele prediz novamente sua morte e posterior ressurreição (Mc 10:32-34).

O evangelho de Lucas (19:1-10), conta-nos que logo a seguir Jesus teve encontro com outro homem rico, neste caso um dos líderes dos cobradores de impostos e de moral questionável, porém que de prontidão se arrependeu. A dificuldade de participar do reino de Deus não está na riqueza em si, mas no quanto nos apegamos aos bens, as pessoas e as idéias, o quanto compartilhamos a primazia de Deus em nosso coração com as demais coisas que nos são importantes.

Na seqüência, Pedro reforçou a memória de Jesus que ele e mais 11 de seus colegas haviam largado tudo para segui-Lo, ao contrário do jovem rico. E Jesus respondeu que é impossível dar a Deus mais do que Ele nos dá. Jesus ainda revelou a tensão entre o presente e o futuro, as bênção do reino de Deus que já experimentamos acompanhado das tribulações, e a certeza de participar no mundo a porvir, restaurado e redimido.

A ordem do reino de Deus não segue a ordem econômica deste mundo. Os privilégios do dinheiro e do poder não tem influência alguma no reino de Deus.
Só Jesus tem as palavras da vida eterna. “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus. (Jo 6:68-69).”
 Conclusão
O reino de Deus é um reino que não pode ser conquistado. Os discípulos de Jesus entenderam que ninguém é bom o suficiente para ser salvo. A salvação procede do Senhor, e é por isso que Jesus veio salvar o que estava perdido, o pecador arrependido. Para Deus não há impossíveis!

Ao mesmo tempo a entrada no reino requer compromisso de fazer todas as coisas segundo a vontade de Deus e não a sua própria. Esse é um dos paradoxos do cristianismo, a salvação envolve um comprometimento radical, embora não possa ser merecida. Para Deus não há impossíveis!

Que haja confissão sincera de nossa parte, arrependimento e confiança em Jesus. Ainda que para segui-lo seja necessário abrir mão de algumas coisas e que tenhamos que encarar situações desfavoráveis. Que o Senhor nos dê a Sua bênção e a Sua paz. Amém!
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