sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Fé robusta em tempos difíceis



Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. Habacuque 3:16-17

O profeta Habacuque, contemporâneo de outros profetas, como por exemplo, Jeremias, foi um daqueles que viu e lamentou a iniqüidade e a rebelião de seu povo contra Deus. O tempo que o profeta viveu era desesperador, ele gritou contra a violência, a iniqüidade e a opressão estavam diante seus olhos, e a justiça de tão frouxa já não era mais encontrada, enquanto isso, o perverso cercava cada vez mais o justo (Hc 1:1-4).

A resposta de Deus a essas queixas do profeta foi ainda mais surpreende. O império babilônico que crescia e se fortalecia, iria se levantar contra Judá, arrasar a sua terra e levar cativos os seus moradores. Perplexo, o profeta protesta o fato de Deus se valer de uma nação opressora, injusta e idolatra para disciplinar o Seu próprio povo (Judá) (Hc 2:1). A resposta que ele obtém é que Deus não abandonaria Judá e a restauraria, mas enquanto isso, o justo viveria pela fé (Hc 2:4), isto é, Seu povo viveria confiando na providência e nas promessas de Deus ainda que fosse estrangeiro numa terra estranha e hostil ao monoteísmo judaico.

A justiça de Deus não tardaria, e no seu devido tempo (kairós) Ele interviria mudando a sorte de Judá. Na oração de Habacuque (capítulo 3) é incorporada a visão da grande salvação de Deus que se aproximaria, veja algumas imagens de Deus agindo em favor do seu povo:
“Deus vem... (v.3)”
“Deus sacode as nações (v.6)”
“Os caminhos de Deus são eternos (v.6)”
“Deus anda montado nos seus carros de vitória (v.8)”
“A aljava de Deus está farta de flechas (v.9)”
“Na indignação de Deus, Ele marcha pela terra (v. 12)”
“Deus sai para o salvamento do seu povo (v.13)”

O profeta concluiu que nos tempos difíceis que viriam, ele deveria esperar pelo “dia do Senhor”, um dia de angústia que romperia contra o império que oprimia e contendia contra Judá (Hc 3:16). E essa fé deveria se desdobrar em confiança na providência de Deus, contentamento no Senhor ainda que os dias fossem ruins, e por fim coragem, fortaleza para atravessar os dias de opróbrio e não se conformar com a maldade e apostasia que os cercavam (Hc 3:17-19).

Em certo sentido, a situação da Igreja muito se assemelha com o povo de Judá no cativeiro da Babilônia. Duas semelhanças me vêm à mente, a primeira é que nós também estamos num lugar que não é o nosso destino final, vivemos num mundo no qual não coadunamos dos mesmos valores e militamos por um Reino que se caracteriza como uma contra-cultura. Em segundo lugar aguardamos também o grande “dia do Senhor”, no qual Jesus voltará para consumar o seu Reino na terra e completar a nossa salvação. Logo, as palavras desse livro são desafiadoras para nós.

Jesus nos ensinou na oração sacerdotal (Jo 17), que uma vez redimidos pelo evangelho, nós recebemos uma missão neste mundo. E essa missão envolve conformar mente e vida ao evangelho de Jesus Cristo, e em oposição ao mundo e seus valores devemos comunicar os valores do reino de Deus, como testemunhas deste Reino que se aproxima. O desafio está em entender que essa tarefa será exercida num ambiente hostil ao cristianismo, e para isso a nossa fé precisará se desdobrar em confiança, contentamento e coragem, assim como Habacuque profetizou.

A boa notícia é que temos uma lista de testemunhas que conseguiram bom êxito nesta tarefa incumbida a nós, o que nos enche de ânimo. No período do cativeiro na Babilônia, os mais notáveis foram Daniel, Hananias, Misael, Azarias, Ester, Neemias e Esdras. Já no cristianismo, a lista é extensa, nesses dois mil anos são milhares de milhares que obtiveram bom êxito, pessoas que passaram entre nós e das quais o mundo não era digno, e por onde andaram deixaram a fragrância do conhecimento de Jesus Cristo. A oração que nos cabe hoje é a mesma do profeta: “Senhor, aviva a tua obra (entre nós)” (Hc 3:2).
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