quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Testemunho cristão, reconciliação e restauração de todas as coisas. O que eu tenho a ver com tudo isso?



Quando pensamos em testemunho cristão, muitas vezes nos vem à mente a pregação do evangelho, e não estamos errados quanto a isso, porém apenas pensar nisso está incompleto. Alguns cristãos, mais esclarecidos nas Escrituras conseguem ir mais além e relacionar a proclamação do evangelho com a coerência de vida, ou seja, a fé que eu professo em Jesus deve ser observada nas minhas decisões diárias. Até conseguem recitar a célebre frase de Francisco de Assis: “pregue sempre! Se necessário, use palavras”. Ainda existe um terceiro grupo, que vai um pouco mais além, e acredita que o testemunho cristão além de envolver proclamação do evangelho com palavras e a vida da testemunha, envolve ainda a promoção do reino de Deus inaugurado a nós por meio da obra de Jesus Cristo nosso Senhor. Parece que estamos avançando, mais vamos entender melhor o que seria tudo isso e o que está em jogo quando falamos em testemunho cristão.

A primeira coisa que está em jogo quando falamos em testemunho cristão é que Deus escolheu se revelar. Deus falou! Isso é ponto pacífico entre os cristãos. A Bíblia é a auto-revelação de Deus a humanidade. O que isso implica a nós? Deus falou e nós ouvimos sua voz, por isso testemunhamos. Ou seja, afirmamos que a revelação de Deus nas Escrituras é digna de confiança, atestamos sua veracidade.

A segunda coisa que é de grande valor para o testemunho cristão é entender o livro de Gênesis. Os primeiros 11 capítulos nos falam sobre a natureza de Deus, o papel do cosmos criado e o papel da humanidade como seu reflexo na gerência de tudo. Acima de tudo, porém, nos mostra como um mundo classificado por Deus como bom veio a degradar-se cada vez mais por causa do pecado. O livro ainda nos conta o projeto de redenção de Deus à humanidade, iniciado através da aliança feita com Abraão e a formação de um povo seu, separado e dedicado ao único Deus.

Vejamos o que os dois primeiros capítulos de Gênesis nos revelam:
  1. Deus se apresentou como Criador de todas as coisas. O reino de Deus foi estabelecido. Ele é quem concede a vida e a orienta. Deus é relacional!
  2. O homem foi criado a Sua imagem e semelhança, em distinção do restante da criação, a revelação traz a perspectiva da humanidade como um ser relacional, racional e moralmente responsável.
  3. Ao homem foi dada a função de vice-rei ou regente da criação, ou seja, representante de Deus na criação. Existe um mandato cultural, ou seja, era para o homem e mulher exercerem suas prerrogativas reais governando sobre o cosmos, desenvolvendo-o e simultaneamente sustentando-o. Ou seja, o domínio do homem estava diretamente relacionado à produção cultural.
  4. O homem não deveria fazer isso sozinho. Ele deveria estar em submissão a Deus (mandato espiritual), em parceria com seu semelhante (aqui há um destaque para o casamento e a família) um mandato social e com o restante da criação (mandato cultural).
A tudo isso Deus viu que era bom. O seu reino estava estabelecido!

O que deu errado? 
O capítulo 3 de Gênesis vai descrever a queda, o pecado e a rebelião que se instalou no reino de Deus dando origem assim a um reino parasita, denominado de reino das trevas que milita em oposição a Deus. 

A resposta de Deus ao mal. Mas Deus não só esboçou uma reação à injustiça que se impregnou na criação, como, executou a justiça por meio de Jesus Cristo. As Escrituras denominam a obra de Jesus como uma obra de reconciliação, por meio da qual Deus trouxe reconciliação ao mundo, esse é o tema do Novo Testamento inteiro (Rm 5:11, 11,5; 2 Co 5:18-19, Cl 1:21-22 e 1 Pe 2:9-10).

Isso significa que o testemunho cristão envolve o período de arrependimento que Deus nos deu. Esse período é o intervalo entre a ascensão de Jesus e a sua volta para concluir a restauração de todas as coisas – a criação como um todo (At 3:19-21).

Mas o que envolve na prática o testemunho cristão? 
A partir desta breve reflexão podemos notar que o testemunho cristão engloba a palavra reconciliação, ou seja, agora nós que fomos reconciliados com Deus exercemos esse ministério (tarefa) da reconciliação. Envolve uma submissão completa ao Senhorio de Jesus Cristo em todas as esferas da vida, iniciamos reconhecendo a nossa falência moral diante do Salvador Jesus e nos apropriando de sua obra, desenvolve-se através da obediência aos ensinos de Jesus (espiritual, social e cultural) e concluí-se na perseverança e esperança cristã do retorno de Cristo e a restauração de todas as coisas.
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