quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mais que um modelo de oração, uma proposta de vida

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! Mateus 6:9-13”

A oração do ‘Pai Nosso’ ensinada por Jesus está registrada em dois evangelhos, Mateus (6:9-13) e Lucas (11:1-4), no primeiro ela está inserida no meio do Sermão do Monte, quando Jesus trata a questão da piedade dos seus discípulos. Já no livro de Lucas, a situação é outra, e um dos seus discípulos ao ver Jesus orando pede que os ensine a orar, e Jesus ensina a mesma oração, porém mais concisa.
Algumas pessoas dizem que “a oração revela a nossa teologia”, aquilo que cremos. E a oração do ‘Pai Nosso’ proposta por Jesus não é diferente, ela não somente revela a teologia de Jesus, mas como ele deseja que os seus discípulos vivessem.  E para entendermos bem isso, é necessário termos uma noção do contexto que Jesus ensina os seus seguidores.
Existem algumas evidências internas no ‘Sermão do Monte’ que nos mostra que a piedade judaica consistia em 3 atos de justiça: a concessão de esmolas, a oração e a prática do jejum. O ensino de Jesus vem no sentido de corrigir os desvios praticados pelos judeus, uma vez que a disposição do coração e as expectativas estavam equivocadas. A referência de hipocrisia que Jesus se utiliza é aquela praticada pelos fariseus, que se preocupavam tanto com o exercício de uma religiosidade externa, de aparência, e se esqueciam do essencial. Esse caminho levava os líderes religiosos a um distanciamento cada vez maior de Deus, embora fossem considerados piedosos nas suas respectivas comunidades.
Ainda temos algumas evidências externas ao texto, uma vez que o contexto histórico no início do primeiro século é de um domínio do Império Romano sobre Israel, que refletia diretamente na política e na economia do Estado. Além disso, havia uma influência da cultura grega muito forte, que envolvia não apenas a língua dominante, mas também filosófica e uma religião pagã bastante atrativa. Como os judeus eram os únicos monoteístas na face da Terra até então, a pressão filosófica e religiosa sobre os judeus era intensa. A religião pagã estava centrada no conceito da existência de vários deuses que lutavam entre si pela hegemonia, corrompidos como os homens e inflamados por todo tipo de vício presente na humanidade, esses deuses eram responsáveis pelos favores e pelos males que sobreviam ao homem. Para alcançar o favor de um deus pagão era necessário convencê-lo deste bem, isso envolviam relações de trocas e boa capacidade de persuasão.
Ao ensinar seus seguidores a não seguir o caminho dos gentios, Jesus se opõe fortemente a essa imagem distorcida de Deus que muitos haviam adquirido pelo convívio com outros povos. Jesus está desfazendo essa concepção de um deus egoísta que muitos tinham equivocadamente, e apontado para a realidade de um Deus relacional e amoroso. A expectativa de Jesus é que seus discípulos possam substituir esta relação utilitária por outra pessoal, através da reconciliação com Deus oferecida pela vida do próprio Senhor Jesus Cristo.
A oração ensinada por Jesus não é uma fórmula ou um mantra dado por Deus para se obter algum benefício, longe disso, a proposta dela é ser orientadora, ela nos ensina a orar e buscar que a proposta de vida cristã se torne uma realidade no cotidiano. Na verdade, a oração do ‘Pai Nosso’ tem o propósito de ser conciliadora entre o conhecimento dos ensinos de Jesus Cristo e a prática de vida, não nos deixando se conformar com as tendências, modismo e o espírito da nossa geração, e fortalecendo a nossa identidade de filhos de Deus.
Pai nosso que estás nos céus (v.9)
Não é preciso atrair a benevolência de Deus. Ele nos amou!
Deus é pessoal e amoroso (imagem da paternidade). Deus é grande, habita nos céus, detém autoridade e poder. Amor paternal e poder celestial – combina amor que ordena e poder capaz de realizar. Stott
Santificado seja o teu nome (v.9)
Que Deus seja conhecido por todos! Reconhecimento e invocação da glória de Deus.
Nome santificado, tratado santo, a devida honra lhe seja dada em nossas próprias vidas, na igreja e no mundo.
Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu (v.10)
Manifestação de sua justiça e paz na terra, aos homens a quem quer bem.
Submissão à vontade de Deus, a Sua centralidade na vida e na história. Antes de pedir é preciso conhecer, reconhecer e desejar a vontade de Deus.
Quando a nossa vontade começa a responder ao chamado de Deus, a vontade de Deus está sendo cumprida perfeitamente em nós. Como ela é realizada nos céus, deve também ocorrer na terra.
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje (v.11)
Reconhecer que Deus cuida de nós e confiar nosso ser a esta realidade. Lançar diante dEle nossas aflições (1 Pd 5:7).
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (v.12)
Uma via dupla, a vontade de Deus se manifestando na terra. Homens sendo reconciliados com Deus por meio da obra de Jesus Cristo, e homens se reconciliado consigo mesmo, também por meio de Jesus.
E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal {pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém}! (v.13)
Os pecadores fazem essa petição porque eles confiam em Deus e não confiam em si mesmos.
A proteção é a bênção de Deus, indispensáveis para a nossa vida em abundância. Ele é poderoso para nos guardar!

1 comentário:

Unknown disse...

Grande Pedro! Nota 10, estou replicando por email para o pessoal da Vila. Grande abraço...