quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O que Deus espera de mim?



Geralmente, oramos em busca da benção de Deus para os planos do nosso coração. Porém, quantas vezes perguntamos a Deus qual a direção dEle para as nossas vidas? Segue uma breve reflexão sobre a importância de procurar o conhecimento da vontade de Deus e se submeter a ela. Essa atitude irá nos livrar da tolice de uma vida arrogante frente as demandas da vida.

“Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.
Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.” Carta de Tiago 4:13-17

 O contexto do texto bíblico
O autor da carta foi Tiago, irmão de Jesus. E juntamente com os apóstolos Pedro e João, ele era um líder da igreja. É provável que a carta de Tiago tenha sido uma das primeiras porções do Novo Testamento a serem escritas. E o motivo da carta é simples, a igreja que nascera começava a apresentar os primeiros problemas de relacionamento e testemunho, somando a isso, os crentes sofriam forte oposição e perseguição dos judeus. Diante deste quadro, o pastor Tiago viu-se na obrigação de identificar e corrigir a comunidade, bem como encorajá-la a enfrentar as provações que os sobreviam com paciência lembrando que seriam recompensados pelo Senhor.

Entendo o texto bíblico
A oposição à fé cristã era tão forte que não seria de se estranhar que os crentes cedessem a elas ou procurassem viver uma fé secularizada e individualista. Não dá pra dizer que a nossa situação hoje é mais ou menos difícil que aquela experimentada pelos primeiros cristãos, e o ponto não é esse, a questão é que a verdadeira vida cristã não aceita um fé desengajada com as demandas da vida, incoerente, e restrita ao campo da religião (secularizada).
O texto em destaque adverte os cristãos que não é possível viver como os pagãos, nós não somos senhores do nosso destino, cada um que assumiu o compromisso de seguir a Jesus, submeteu-se automaticamente ao Senhorio de Cristo.
A crítica de Tiago não é a riqueza, mas sim a arrogância daqueles que deixam Deus e seus valores fora de seu estilo de vida. Como planejadores autoconfiantes, eles decidem aonde vão e quando irão, quanto tempo vão permanecer, e têm absoluta certeza que obterão lucro desta operação. O autor adverte os leitores: Vós não sabeis o que sucederá amanhã? Que é a vossa vida?
Tiago responde as mesmas perguntas que fez, comparando a nossa vida com uma neblina, ele nos lembra de que ela é frágil e transitória. Diante esse quadro, ao invés de uma atitude autoconfiante e dirigida para este mundo, as pessoas devem sujeitar todos os seus planos e esperança à vontade do Senhor. Ou seja, a vontade do Senhor (que é boa, perfeita e agradável) deve ser reconhecida como a condição pela qual o cristão deve encarar a própria vida e seus planos específicos.
A Bíblia nos mostra alguns exemplos de Paulo, sujeitando seus planos a Deus, vejamos alguns:

At 18:21  Mas, despedindo-se, disse: Se Deus quiser, voltarei para vós outros. E, embarcando, partiu de Éfeso.
Rom 1:9-10  Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos.
1Co 4:18 - 19  Alguns se ensoberbeceram, como se eu não tivesse de ir ter convosco; mas, em breve, irei visitar-vos, se o Senhor quiser, e, então, conhecerei não a palavra, mas o poder dos ensoberbecidos.

Mas cuidado! Tiago não está enfatizando a constante verbalização da fórmula ‘se o Senhor quiser’, a qual pode se tornar facilmente um chavão e uma receita sem sentido, mas antes a uma sincera consideração do controle que Deus tem sobre o mundo e sua vontade específica para nós.

Algumas inferências dessa revelação bíblica para a nossa vida:
1. Deus não vai abençoar aquilo que Ele já amaldiçoou! O amor ao mundo é inimizade a Deus (Tg 4:4). Em outras palavras, precisamos levar a vida a sério. Não é possível passar a perna em Deus, se tudo o que queremos é benefício próprio e enganar os outros, acabaremos inimigos de Deus. Por isso, o que Deus espera de nós é renuncia (o discípulo de Jesus precisa negar-se a si mesmo, Mt 16:24), uma vez que Deus resisti aos soberbos e dá graça aos humildes (ver Tiago 4:6, reforçando o ensino de Jesus no evangelho de Mateus capítulo 23).
2. O nosso coração é enganoso. Cuidado com aquilo que supomos ser a vontade de Deus, quando esta convicção está meramente sustentada por um sentimento interior e subjetivo, não encontrando sustentação e coerência com a Bíblia.
3. Viktor Frankl, um psicanalista judeu que viveu os horrores do campo de concentração nos adverte no seu livro ‘Em busca de sentido’ que a pergunta certa frente à vida, não é ‘o que eu espero de Deus?’, mas sim ‘o que Deus espera de mim?’. Essa percepção de Frankl está em conformidade com o ensino de Tiago, ‘se o Senhor permitir’, pois Ele é o Senhor e tem seus planos para nós.
 

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