domingo, 5 de setembro de 2010

A oração transformadora

“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.
Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais". (Mateus 6:5-8)
A oração do ‘Pai Nosso’ ensinada por Jesus não é utilitária, mas transformadora. Poderosa para modificar mentes e sofismas. Jesus ensina que a maior necessidade do homem não é mudar circunstâncias, mas mudar o coração. Jesus ensina que é preciso olhar para o Pai, submeter-se e confiar no Pai.

Chama atenção o ensino de Jesus sobre oração, que antecede o modelo proposto do ‘Pai Nosso’. Duas advertências são apresentadas à multidão que o cercava ao longo do Sermão do Monte, são elas: não sejam como os hipócritas e não ajam como os pagãos (ou gentios).

A referência de hipocrisia que Jesus se utiliza é aquela praticada pelos fariseus, que se preocupavam tanto com o exercício de uma religiosidade externa, de aparência, e se esqueciam do essencial. Esse caminho levava os líderes religiosos a um distanciamento cada vez maior de Deus, embora fossem considerados piedosos nas suas respectivas comunidades.

Jesus chama seus discípulos para o exercício de uma espiritualidade genuína, que brota de um coração arrependido e de uma real intencionalidade em se aproximar de Deus. A verdadeira oração exige arrependimento. “Que cada um, portanto, que ao prepara-se para orar sentindo-se insatisfeito com o que está errado em sua conduta, admitindo que não pode fazê-la sem arrependimento, revista-se do perfil e sentimento de um pedinte.” Citação do reformador João Calvino.

A revelação de Deus à humanidade passa pela cultura judaica. Por mais de 2000 anos Israel foi a única nação monoteísta na face da Terra, em oposição ao politeísmo práticado pelas demais nações. A religião pagã estava centrada no conceito da existência de vários deuses que lutavam entre si pela hegemonia, corrompidos como os homens e inflamados por todo tipo de vício presente na humanidade, esses deuses eram responsáveis pelos favores e pelos males que sobreviam ao homem. Para alcançar o favor de um deus pagão era necessário convencê-lo deste bem, isso envolviam relações de trocas e boa capacidade de persuasão.

Ao ensinar seus seguidores a não seguir o caminho dos gentios, Jesus se opõe fortemente a essa imagem distorcida de Deus que muitos haviam adquirido pelo convívio com outros povos. Jesus está desfazendo essa concepção de um deus egoísta que muitos tinham equivocadamente, e apontado para a realidade de um Deus relacional e amoroso. A expectativa de Jesus é que seus discípulos possam substituir esta relação utilitária por outra pessoal, através da reconciliação com Deus oferecida pela vida de Jesus Cristo.

A verdadeira oração é transformadora, não apenas de realidade, mas principalmente de vida. Pela disciplina da oração somos levados ao autoconhecimento, ao discernimento de nossos desejos e caprichos, e ao contentamento pelo simples prazer de estar com Deus.

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