quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A unidade do corpo de Cristo

“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” Efésios 4:1-6

A grande pergunta para o cristão que provou dos benefícios da obra redentora de Cristo é esta: visto o que Deus fez por nós, como deve o seu povo viver? Paulo afirma categoricamente que existe um modo correto de viver. Não apenas nesta carta aos crentes de Éfeso, mas também àqueles de Roma (Rm 12:1-2), o apóstolo faz um apelo aos seus leitores. Abandonem os padrões deste mundo em desacordo com Deus e deixem que a renovação de mente, pelo poder do Espírito Santo e orientado pela Bíblia, transforme suas vidas harmonizando-se com a vontade de Deus. Esse seria o modo digno de viver, em conformidade com o evangelho de Jesus.

Isso quer dizer que não vivemos de qualquer jeito, pois a redenção em Jesus não se resume em nos livrar da condenação do inferno, mas antes numa real oportunidade de desfrutar liberdade (Jo 8:31-36), ser livre para fazer o bem e romper definitivamente com o mal (Rm 12:9,21).

Mas a revelação do bom propósito de Deus em Jesus foi além desta realidade individual. Além do novo homem que é recriado em Jesus, uma nova sociedade é desenhada por Deus. Uma realidade comunitária na qual as distinções étnicas, de raça, gênero, classe social, entre tantas outras, são reduzidas e a unidade é estabelecida. Não que a diversidade seja eliminada, pelo contrário, ela é preservada, mas a inimizade foi de uma vez por todas substituída pelo pacificador Jesus Cristo, que de muitos fez um só Corpo, a sua Igreja (una, santa, católica e apostólica).

A vida nesta grande família chamada Igreja se dá pelo regime do amor. O amor do próprio Deus é derramado em nosso coração (Rm 5:5) por meio do Espírito de Deus. Esse amor permite o exercício das virtudes, que por sua vez possibilita uma comunhão íntima e verdadeira, suportando e sendo suportado. Entender o conceito de suportar o irmão apenas como a tolerância seria muito pobre, mas a idéia é de caminhar junto e compartilhar a vida, ora servindo de apoio, ora sendo auxiliado.

Essa experiência comunitária de amor só é possível porque todos que dela participam estão também imersos na comunhão transcendente com o Pai, e ambos mantêm em comum a confissão da fé exclusiva no sacrifício e senhorio de Jesus Cristo, rejeitando qualquer outro caminho que lhe venha ser apresentado.

Quem sustenta essa dinâmica é o próprio Deus, que é o Senhor de todos desta Família, e também manifesta a sua graça a todos desta Igreja, e por fim habita com sua glória (o seu Espírito) em todos que pertencem a este Corpo bem ajustado.

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