segunda-feira, 3 de maio de 2010

Parábola do Fariseu e do Publicano


“A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola: "Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no íntimo: 'Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho'. "Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: 'Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador'. "Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado". Lucas 18:9-14

Os fariseus eram um partido judaico composto por indivíduos zelosos que insistiam no cumprimento da Lei de Moisés (O Pentateuco, os 5 primeiros livros da Bíblia escritos por Moisés) e das tradições. Os fariseus tinham grande influência e autoridade sobre o povo, e eram a maioria na composição do sinédrio (uma espécie de suprema corte judaica).

Já os publicanos eram os cobradores de impostos públicos, judeus que serviam o Império Romano. Por isso eram acusados pelos compatriotas de traidores e apóstatas, opressores dos seus irmãos, julgados como pessoas do mais vil caráter, porque também extorquiam o povo.

A parábola mostra o espírito que deve conduzir as nossas orações. E por sua vez, a oração revela a nossa fé, o conteúdo daquilo que cremos e a sua expressão mais genuína.

Jesus vai dirigir esse ensino as pessoas que confiavam em sua própria justiça e por isso desprezavam os outros, e numa análise mais profunda, não compreendiam a relação com Deus. As duas categorias revelam possíveis posturas diante de Deus, e como postura quero dizer a forma de pensar e agir.

O fariseu se preocupava tanto com os detalhes, com o cumprimento da lei que se esquecia de sua essência. Tudo o que ele dizia acerca de si era rigorosamente verdadeiro, mas o espírito da oração estava errado. Ele não se reconhecia pecador, nem da necessidade, nem da humilde dependência de Deus. Ele olha de relance para Deus, mas fica contemplando a si mesmo1.

O orgulho que brota no fariseu decorrente de suas obras leva-o a um conceito elevado ou exagerado de si próprio, soberba (sentimento elevado sobre si mesmo) ou até mesmo exagerado amor-próprio. Outro fariseu, chamado Paulo, nos advertiu contra esse pecado – “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” (Romanos 12:3).

O publicano, por sua vez, misericórdia é a única coisa que ousava pedir, pois conhecia seu estado. Sua postura é de humilhar-se diante de Deus, ou seja, render-se a Deus. A consciência que ele tinha de si mesmo vale mais do que as obras do fariseu, uma vez que elas eram oriundas de um espírito orgulhoso e centradas em si mesmo.

Jesus termina a parábola dizendo que o publicano foi justificado, perdoado, pois este foi o único que reconheceu a necessidade de perdão. Já o fariseu, que pelas suas obras imagina que Deus deve favor a ele, volta para casa da mesma forma que saiu, orgulhoso, cheio de si mesmo e distante de Deus.

1MORRIS, Leon. Introdução e Comentário de Lucas. Vida Nova.
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