sábado, 3 de julho de 2010

Consciência moral



Na cultura de hoje há um pensamento moderno que prevalece em nossos diálogos, de que não existe mais certo ou errado, pensamento este que chamamos de relativismo moral. Para tudo há uma explicação, uma razão de ser, e por isso não podemos dizer que existe um ponto de referência, algo que seja correto em todos os tempos e em qualquer cultura. Será que isso é verdade?

Por outro lado há uma premissa básica defendida pelos cristãos de que todo indivíduo simplesmente sabe o que é certo ou errado, devido uma lei moral que sempre existiu em todas as culturas.

De acordo com o dicionário Aurélio, consciência refere-se à capacidade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados, ou seja, é a capacidade de julgar se é certo ou errado algum ato realizado pelo ser humano.


O que a Bíblia diz

Após o homem ser expulso do Paraíso, no capítulo 4 do livro de Gênesis é narrado o primeiro homicídio da humanidade. Caim mata seu irmão Abel por invejá-lo. O interessante é que Deus adverte Caim antes de cometer este ato e diz que ‘o pecado jaz à porta, mas a ti cumpre dominá-lo’, ou seja, você tem desejos, mas nem todos eles devem ser satisfeitos, você deve fazer o bem e rejeitar o mal. Com isso Deus está afirmando que Caim tem plenas condições de discernir o bem e o mal antes de praticá-los, de avaliar suas vontades.

Paulo explica, em Romanos 2:14-29, que a revelação geral de Deus sobre Si mesmo como Deus bom que exige o bem, confronta os homens com a responsabilidade moral. Na verdade, entender ou ‘ouvir’ a consciência é algo que precisa ser ‘aprendido’ ou ‘treinado’. Para os judeus, Deus os deu a lei tornando explicitas as expectativas morais. Paulo fala que para os gentios eles fazem ‘por natureza’ aquilo que é requerido pela lei. O que será que Paulo quer dizer com a expressão ‘fazem por natureza’?

Paulo está dizendo que existe uma consciência em toda humanidade, independente da cultura, que permite ao homem julgar seus atos e da sociedade, discernindo o que é bom e o que não é. A isso damos o nome de Lei Moral.

Interessante que está lei não determina o que o homem irá fazer, mas o orienta para saber o que é correto fazer em determinada situação, ou seja, a capacidade do homem desobedecer a essa lei é justamente o que nos diferencia dos animais. Somos capazes de avaliar nossos instintos e agir de acordo com a consciência que há em nós, isso nos torna único na criação e próximos de Deus, semelhantes.

Podemos concluir duas coisas sobre a Lei Moral:

1 - Todos têm essa noção, a consciência, e por mais que tentem negar não conseguem se livrar dessa noção.

2 – Na prática nem sempre eu consigo cumprir a Lei Moral, e quando alguém me adverte que a descumpri logo me vem à cabeça milhares de desculpas.

Através da Lei Moral podemos descobrir a culpa, que somos transgressores. Mas também podemos descobrir a Verdade.

No livro de 1 Timóteo 4:2, Paulo usa uma expressão para descrever o homem que se opõe deliberadamente a Lei Moral como aquele que cauterizou a sua consciência, que age de modo a destruí-la. Essa é a imagem de alguém que vive constantemente em conflito consigo mesmo, que procura negar a Verdade ainda que lhe seja o resto de sobriedade que lhe sobre.

“Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos entretanto, da fé, para a conservação da alma.” Hebreus 10:39


Coerência com a verdade

A Lei Moral não significa necessariamente o que os homens fazem, mas o que os homens deveriam fazer ou não. Você pode estar se perguntando, de onde vem essa Lei Moral?

Essa consciência não foi criada por um código moral da sociedade, pelo contrário, os comportamentos de uma cultura provêm da Lei Moral, ainda que falhos e limitados. Ela não foi criada pelo homem, e essa noção indica haver um Guia que diz que existe um jeito certo de viver.

Logo, quando Paulo fala de uma ‘lei gravada nos corações’, ele está dizendo que essa consciência é uma evidência de que Deus dirige o universo e se manifesta em mim com uma lei que me incita praticar o certo e me faz sentir incomodado e responsável pelos meus erros.

Ora, a Lei Moral é boa e serve como guia para a humanidade fazer a vontade do Criador. Porém ela é insuficiente para que eu não seja um transgressor do bem e promova o mal, ela orienta e mostra o mal que deliberadamente eu faço.

Paulo vai descrever mais para frente na sua carta aos romanos esta tensão que ele vive, pois ele reconhece o Criador e sabe o que é o bem, porém muitas vezes ele se encontra fazendo conscientemente o mal. Essa afronta a consciência é resultado do nosso estado pecaminoso, e a percepção deste terrível estado nos leva ao lamento, ao arrependimento.

A boa notícia é que não estamos sozinhos, lançados à nossa própria sorte. Em Jesus Cristo gozamos redenção, um caminho de volta à comunhão com o Pai.

“(por meio de Jesus Cristo) temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós” Efésios 1:7-8


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